Luís Castro abre o jogo em entrevista forte no Botafogo, cita problemas de estrutura e se revolta por falarem em ‘demissão’: ‘Vim para projeto de dois ou três anos’

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Por FogãoNET

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Luís Castro abre o jogo em entrevista forte no Botafogo, cita problemas de estrutura e se revolta por falarem em ‘demissão’: ‘Vim para projeto de dois ou três anos’
Vitor Silva/Botafogo

Luís Castro é um técnico firme e de personalidade forte. Em entrevista coletiva concedida na manhã desta sexta-feira (24/6), no CT Lonier, o treinador do Botafogo abriu o jogo sobre cobranças e revelou incômodo – e até revolta – por terem cogitado sua demissão e perguntado sobre o tema a John Textor.

O português falava sobre jogadores e plano de jogo, quando entrou no tema.

– Jogadores quando têm vontade em campo é algo que salta aos olhos. É o mais fácil de observar. O mais difícil é se essa vontade está de acordo com o que é exigido e se pede. Não adianta colocar vontade de forma errada. Os jogadores quando são inteligentes e estáveis emocionalmente estão preparados para cumprir qualquer caminho. Precisamos sustentar o que pedimos, eles respondem de forma rápida. O que acontece muitas vezes é que há variação de rendimento porque ainda não estão alicerçados de forma muito forte, o que é construído ao longo do tempo. Por isso que quando falo de projeto falo em tempo, não em resultados. Sei o que quero e o que posso dar ao Botafogo. Perguntaram ao Textor se tinha pensado em me demitir, porque para a maioria das pessoas vale resultado, não projeto, então tenho que viver em função do contexto, o projeto são resultados. Vivo de resultados, quero ser campeão, quero ganhar sempre, nos últimos três anos lutamos para ser campeões, queremos ganhar sempre, sempre e sempre. Assim que construímos carreira de sucesso. Mas não podemos enganar as pessoas, falar que o projeto é de três anos e depois quererem que seja de três meses. Isso não existe. Revolta-me a forma como as pessoas olham. Vim para projeto de dois ou três anos, não quero dizer continuo nele até ao fim, mas enquanto viver nele é nisso que acredito. Se não for isso que existe, me digam, que faço a inversão do meu pensamento – ponderou Castro.

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O treinador também foi sincero sobre a estrutura e admitiu que o clube precisa encontrar soluções.

– Nos meus 60 anos a ambição permanece igual à do menino que jogava bola na rua com 11 anos. Sou muito competitivo, detesto perder, isso tem guiado minha vida, a forma como olho para o meu dia a dia. É o que tento transmitir aos meus jogadores. Quero muito que minha equipe tenha sucesso. Estamos reunindo condições para ter sucesso. Há algumas de forma mais prática, mais visível, e outras de forma teórica. De forma prática, temos um elenco forte emocionalmente, que quer muito vencer, uma torcida que se entrega ao jogo, está presente para o bem e para o mal, é exigente, mas participativa, staff que quer ganhar. O lado prático é que temos esse campo de treinamento com piso duríssimo que é bom para estacionar carros, mas temos que trabalhar lá, nos causa problemas. Não temos um CT nas condições minimamente necessárias para o dia a dia, uma academia (base) longe de nós, quero ter mais perto porque o mercado não vai nos dar o que queremos para o elenco. Para mim é um prazer enorme desenvolver jogadores e inseri-los no meu grupo de trabalho, para fazerem carreira e o clube tirar o máximo deles. Isso é uma organização, uma estrutura que queremos ver mais perto de nós. Ainda estão distantes, não conhecemos alguns dos líderes dos departamentos porque não temos infraestrutura. Essa é a parte prática, o projeto, é o que deve preocupar. Perder para o Avaí sou eu, mas tem que se preocupar é com isso. Quero muito atingir o que o Botafogo quer, mas faltam muitas condições ainda, as pessoas têm que estar muito conscientes. Não é por acaso que se fala em projeto, é algo para se fazer no tempo, com prazos. Temos muito a andar. Vamos passar por dificuldades no caminho, não só aquela do jogo com Internacional, de ficar com 10 de forma muito injusta. É uma dificuldade tão grande quanto a que tenho aqui, de problemas físicos constantemente. Não vou me defender, saio quando tiver que sair. Um treinador chega a um clube, quando descobre os problemas e vai resolver, é mandado embora e vem outro. Quando o outro percebe os problemas e vai resolver, vai embora. O problema fica, vão os treinadores. É assim – finalizou.

Veja o vídeo da Botafogo TV:

Fonte: Redação FogãoNET

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