É, meus amigos, o Botafogo foi colocado numa situação na qual não existe saída simples. Qualquer solução vai gerar questionamentos de todos os lados. A gente vem acompanhado essa briga societária entre John Textor e a Eagle, e a conclusão mais óbvia é que todos, em maior ou menor grau, privilegiaram seus próprios interesses. O interesse do Botafogo, o nosso como torcedores, ficou em último plano. Isso não quer dizer que não exista um culpado central, nem que não exista um caminho mais correto. E é isso que tentarei apontar nesse texto, deixando claro que é a minha opinião, baseada no que eu entendo como responsabilidade e compromisso real com o clube.
A chegada do Textor trouxe esperança para todos nós, pudemos começar a sonhar com um futuro. Em 22 e 23, o modelo parecia fazer sentido, com crescimento gradual, melhorias estruturais e um clube que subia degraus de forma consistente. O apagão no fim de 23 muda esse cenário. A partir dali, especialmente em 24, há uma aceleração clara, impulsionada também pela dívida com a Ares relacionada ao empréstimo para a compra do Lyon. A estratégia foi investir pesado, valorizar ativos e buscar resultados esportivos. Eles vieram, e 24 foi histórico, mas os sinais de alerta já existiam desde antes, com problemas de fluxo de caixa, atrasos e um modelo de gestão de pagamentos que nunca passou confiança.
Em 25, o cenário mudou demais. Muito dinheiro mal gasto, jogadores que não renderam nem satisfatoriamente, e a partir do meio do ano a crise societária passou a contaminar tudo. O Textor perdeu o foco esportivo, trocou técnicos com ideias diferentes entre si e do próprio modelo que defendia, e fomos obrigados a de falar só de campo e bola. Os problemas extracampo dominaram as lives, Twitter e todos os lugares onde a gente fala sobre Botafogo.
Ao mesmo tempo, as declarações públicas seguiram no sentido de que estava tudo resolvido, enquanto na prática a Eagle recorria à justiça e desmentia qualquer acordo. A crise financeira escalou, veio o transfer ban por causa do não pagamento da compra do Almada, promessas oficiais de regularização e de força no mercado que não se cumpriram. Ficou ainda mais evidente o descontrole financeiro, mesmo com arrecadações altas. Porque no fim, a conta é simples, não se sustenta gastar mais do que arrecada.
Ao longo de todo esse processo, o Textor não fez uma reflexão pública sobre seus próprios erros. A culpa sempre recaiu sobre terceiros. E sim, outros possuem responsabilidade. A Eagle, o social, a própria Ares, a Kang. Mas o principal responsável é ele. Seja pela condução financeira, seja pela tentativa de impor estruturas e decisões (lembram do empréstimo com a GDA?) que asfixiaram o clube, seja pela falta de transparência (algo que SEMPRE ocorreu na SAF). Aos poucos, ele foi destruindo a credibilidade que construiu. Hoje o Botafogo é visto com desconfiança, com fama de mau pagador, algo vexatório para todos nós.
Diante disso, para mim, é claro que o modelo do Textor não pode continuar no Botafogo. É um modelo de descontrole financeiro, de antecipação excessiva de receitas, de transações internas pouco transparentes. Não vejo futuro sustentável assim. Não faz sentido tratar como solução quem foi o principal responsável por levar o clube a esse cenário, ainda que não tenha sido o único. Por isso, eu não quero o Botafogo preso a essa estrutura. Só haveria espaço para rever essa minha posição sobre o Textor no Botafogo com uma mudança real, concreta, no modelo e na forma de condução. Caso contrário, o caminho necessário, na minha visão, é que o Textor não continue à frente da SAF do Botafogo.