Junto com a demissão de Franclim Carvalho, o Botafogo anunciou as contratações de Paulo Bonamigo como novo coordenador técnico, Ronaldo Torres como preparador físico e Marcelo Salles como novo auxiliar da comissão fixa. Os três trabalharam com o presidente do social, João Paulo Magalhães Lins, na época em que ele era o gestor do Boavista, e o dirigente justificou a escolha deles em entrevista ao “Canal do Manel” nesta quarta-feira (19/8).
– Primeiro, vamos falar de quem apanhou menos, o Marcelo Salles. O que eu vou falar do cara? O cara trabalhou dez anos lá no Flamengo como auxiliar permanente, passou por todos os treinadores, estava agora no Grêmio com o Renato, no Vasco, levou o Fluminense junto com o Renato à semifinal do Mundial de Clubes. É um cara que conseguiu coisas incríveis no futebol. Ele ajudou o Andrade, que era um cara que não era muito de dar treino, ele é um cara muito bom na parte técnica… Você vê o histórico do cara. O cara é filho de um campeão mundial… As pessoas não sabem. O cara está há 30 anos dentro do futebol. O cara tem um track record maravilhoso, é muito bom profissional. O Botafogo não tinha um cara de comissão permanente. E o Fera talvez seja um dos melhores do Brasil. As pessoas não se ligam nisso – iniciou JP.
O dirigente explicou que a experiência dos profissionais contratados será importante para a sequência do clube.
– Qual foi a ideia das sugestões do nome do Bonamigo e do Ronaldo? Primeiro, pessoas com identificação com o Botafogo. Ambos foram jogadores do Botafogo. Ronaldo Torres chegou no Botafogo com 11 anos de idade, fez a vida lá. Foi preparador físico, campeão brasileiro, campeão carioca, campeão do Torneio Rio-São Paulo. Depois ele saiu acompanhando treinadores como o Muricy Ramalho, foi campeão brasileiro no Fluminense com o Joel. Ah, isso foram coisas que aconteceram lá atrás? Foram. Mas o que isso deu para ele? Experiência. O que está faltando no Botafogo? Pessoas experientes. Pessoas para contrapor, para conversarem. A equipe de preparação física são sete ou oito pessoas. Vamos botar um cara lá, cascudo, um cara comprometido, identificado com o Botafogo. O cara é botafoguense, o cara ama o Botafogo. Caramba, o cara tem um histórico no Botafogo. “Ah, o cara trabalhou comigo?” Trabalhou comigo, eu sei do caráter dele. São pessoas que o botafoguense conhece. O cara tem um histórico no Botafogo. Ex-atleta, ex-funcionário, campeão. Por que a gente não pode ter um cara experiente? Por que a gente não pode ter no meio dos jovens todos um cara mais velho? Qual o problema de ter um cara mais velho e experiente? Nosso treinador é jovem. Os nossos membros de comissão técnica são jovens. A gente precisa de gente experiente, cara identificado com o Botafogo, correto, honesto, leal, do bem, que é o melhor para o Botafogo. Chega lá para trabalhar num grupo. Ninguém trabalha sozinho.
– Isso vale o mesmo para o Bonamigo. O Bonamigo foi jogador do Botafogo. Foi treinador do Botafogo. É um cara que trabalhou 10 anos no mundo árabe, um cara que tem experiência com clube de dono. O que é o Botafogo? É um clube de dono. O Gabriel é o dono. Um cara com trato fino, inteligente, sabe se posicionar. O cara não é um treinador, não, não está dentro do campo. O cara é um coordenador para fazer parte da mesa de debate. Cabelo branco, experiência. É o que falta lá. Eu próprio sou jovem, tenho 45 anos de idade. Às vezes é bom ter um cascudo, escutar o cara, troca de ideias, “o que você acha?” O cara já trabalhou em vários clubes do Brasil. Por que é demérito? Por que querem bater? São pessoas honestas, corretas, de caráter – afirmou.
João Paulo Magalhães Lins confidenciou que Bonamigo deixou seu novo cargo à disposição após a repercussão negativa com a torcida e que ele nem perguntou o quanto iria receber de salário no Botafogo.
– O Bonamigo é um cara tão bom caráter, que ele ligou e falou: “Olha, se você achar que eu estou atrapalhando, que a torcida está contra, eu saio. Eu só estou aqui para ajudar. Só quero contribuir.” O cara é íntegro, porra! Ele não é vagabundo, não! Não está aqui para ganhar dinheiro! Está aqui para ajudar! Nem perguntou quanto iria ganhar. Veio na chamada, estou à disposição para ajudar. Ronaldo igual. O Marcelo Fera também. Profissionais de alto gabarito. Liga para algum jogador que trabalhou com eles, liga para algum diretor que trabalhou com eles, pede informação deles no mundo da bola. Vocês são muito de arquibancada! Pede informação dos cara, do caráter dos caras, da índole deles, da atitude, do dia a dia, da condução. Liga para algum atleta. Não precisa ligar para mim, não. O Ronaldo trabalhou nos quatro clubes do Rio. Liga aí. Pergunta para algum jogador. O Ronaldo é um cara muito carismático, ótimo de vestiário, ótimo com os atletas para passar confiança. É isso que a gente precisa – disse.
– Às vezes, vocês têm que entender que os nossos atletas são seres humanos. O cara tem que ter carinho, tem que ter amor, tem que ter acolhimento para o cara poder render em campo da melhor forma. As pessoas são humanas e a gente precisa deles. A gente precisa dos nossos jogadores bem, confiantes, fortes mentalmente, para a gente poder ter força e confiança para poder ganhar os jogos. Porque o nosso caminho é difícil, a gente tem um monte de desafio pela frente. Quer me dar porrada? Meu irmão, são pessoas corretas, honestas, gostam do Botafogo, tem história dentro do Botafogo. Não tem vagabundagem nenhuma aqui, como teve antes. E muita! – encerrou o dirigente, deixando um recado implícito a John Textor.