Pouco utilizado na Seleção Brasileira na Copa do Mundo, Luiz Henrique foi um grande mistério. Por que não jogou? No programa “Fala a Fonte”, da ESPN, o jornalista Pedro Ivo Almeida deu mais detalhes de como o atacante ex-Botafogo era visto internamente.
– Eu vou usar uma informação que já demos de outro jogador para explicar: o goleiro Hugo Souza, que vinha bem na reta final do ano passado e perdeu espaço. O cara não perde vaga só por causa de treino, é por N motivos. É o dia a dia. Luiz Henrique acabou perdendo espaço. Estava nos amistosos, vinha sendo uma aposta. Quando começa um debate, vai entrar, não vai entrar, vai mudar time, não vai, começo de Copa, ele começa a perder espaço. Dentro do ambiente de seleção durante a Copa, ele vai desidratando, ele vai perdendo musculatura, vai perdendo força – contou Pedro Ivo Almeida.
– O entendimento, como a gente já contou aqui, é de que ele estava muito longe, com a cabeça muito longe, muito disperso. Porque era uma Copa do Mundo aqui nos Estados Unidos, um ambiente ali do hotel, dos treinos, de jogo de seleção. Repito aqui, a informação que eu trouxe no Fala a Fonte, uma pessoa uma vez me ligou o alerta, a gente precisava responder essa pergunta. E a pessoa falou assim “Pedro, dá uma olhada nele. Quando acaba o intervalo, quando acaba o aquecimento, quando o time vai para o intervalo, quando acaba o jogo, ele está sempre procurando alguém, está sempre procurando alguma coisa, está sempre olhando para a arquibancada”. Então, assim, não está exatamente ali como o jogador que entra, aquece, vai para o vestiário, acaba o jogo, vai para o intervalo, vê as orientações, acaba o jogo, fala o que precisa. Ele está sempre ali, parece que ele está com um olho no peixe, outro no gato. Então ele estava disperso, estava longe do ambiente. E no dia a dia a comissão técnica foi sentindo isso – revelou Pedro Ivo.
Outro fator que contribuiu para Luiz Henrique virar última opção foi o crescimento de Rayan.
– Em paralelo, o Ryan atropelando. A gente falou de maturidade, comprometimento nos treinamentos, ele tinha um foco total e absoluto nas atividades. Entra muito bem jogando com bola, sem bola, atacando, finalizando, jogando com a bola no pé e executando praticamente o que a comissão pedia. Então, isso foi acabando tirando peso, ele tirando força do Luiz Henrique. E é sempre bom frisar: ninguém está falando que teve problema de indisciplina, que fugiu da concentração. O dia a dia foi mostrando para a comissão um cara um pouco distante, disperso e outros que estavam ali atropelando, pedindo passagem, e falando “essa vaga é minha”. Foi basicamente isso que aconteceu com o Luiz Henrique, como já tinha acontecido lá atrás no pré-Copa, no desenrolar do ciclo com o Hugo, goleiro do Corinthians – completou.