Contratado pelo Botafogo no meio de 2025, Álvaro Montoro hoje poderia estar no Lyon. Porém, a quebra do sistema multiclubes de John Textor e do caixa único mudou os planos. Em entrevista ao site “GE”, o ex-diretor de gestão esportiva alvinegro, Alessandro Brito, contou detalhes.
– Ajudava muito (a rede multiclubes). Durante o Mundial de Clubes, fizemos a última grande reunião da Eagle. Passamos praticamente uma semana reunidos definindo o planejamento de quais jovens jogadores estavam mapeados para fazer o caminho entre Botafogo e Lyon. A cada janela de transferências, esse projeto ficava mais claro. Montoro é um exemplo. Foi uma contratação aprovada tanto pelo Botafogo quanto pelo Lyon. A ideia era que ele permanecesse um período aqui e depois seguisse para o Lyon, ou, caso surgisse uma oportunidade ainda maior, pudesse seguir outro caminho. Isso nunca foi um impeditivo. O projeto estava cada vez mais consolidado – lembrou.
– A ruptura desse processo, sim, teve um impacto muito grande. Havia uma troca constante de informações, praticamente quinzenal ou mensal, entre todos os clubes. Todos pensavam conjuntamente no projeto do Botafogo, do Lyon e dos demais clubes da plataforma. Quando ocorreu a ruptura, logo depois do Mundial, esse contato praticamente deixou de existir. Perdemos aquela troca constante de conhecimento. Eu já havia trabalhado anteriormente em projetos de clubes parceiros e nunca tinha visto um nível de integração como aquele. Normalmente, cada clube funciona como uma ilha, com sua própria metodologia. Na Eagle, conseguimos construir algo diferente – disse Alessandro Brito.
A estratégia dos clubes era montada dentro da Eagle. No entanto, quando houve a ruptura, vieram problemas, principalmente para o Botafogo.
– O que acontecia é que havia um único controlador. A plataforma Eagle tinha uma única liderança, que era o John. Claro que existiam investidores e acionistas, mas quem centralizava toda a operação era o John. A ideia que ele sempre nos transmitiu era a de trabalhar com um caixa único para toda a Eagle, e não com caixas separados para Lyon, Botafogo ou qualquer outro clube. É evidente que cada clube precisava respeitar regras de fair play financeiro, além das questões jurídicas e contábeis de cada país, mas, internamente, o conceito era esse: um único caixa – explicou Brito.
– Quando fazíamos uma contratação como a do Montoro, por exemplo, o John não pensava apenas no custo para o Botafogo. Ele avaliava quanto aquela operação representava para toda a Eagle e qual poderia ser o retorno financeiro futuro. Dentro dessa lógica, várias negociações foram realizadas entre Lyon, Botafogo e os demais clubes da plataforma. A mensagem que ele sempre nos passava era: “Fiquem tranquilos. A estrutura principal é a Eagle.” A Eagle estaria acima de tudo, com Lyon, Molenbeek e Botafogo funcionando dentro de uma gestão integrada, respeitando essa ideia de caixa único. Essa sempre foi a visão apresentada para nós – contou.
– Acho que, enquanto funcionou da forma como havia sido planejado, o projeto foi muito positivo. O problema começou quando o John deixou de conseguir cumprir os compromissos assumidos com os investidores. Uma coisa era a parte administrativa e financeira, que era responsabilidade dele. Outra completamente diferente era o trabalho que fazíamos no futebol, pensando em estratégia, mercado e desenvolvimento da plataforma. Quando surgiu essa pressão financeira para dar retorno aos investidores, acredito que houve uma ruptura. Isso aconteceu depois dos títulos de 2024. O clube recebeu receitas importantes naquele período e, de repente, percebemos que o caixa estava zerado – concluiu.