O Botafogo está novamente com Rodrigo Bellão como interino e já teve outros dois treinadores na temporada (Martín Anselmi e Franclim Carvalho). Na visão do ex-head scout do clube, Raphael Rezende, a demissão recente de técnico pode influenciar na questão de reforços. O profissional citou o caso de Danilo Pereira.
– O recorte que eu vejo, por exemplo, do Danilo Pereira, que jogou com a 9, é que é muito a forma como o mercado trabalha. Eu imagino as dores que o Brunno (Noce) esteja passando nesse momento. A janela do meio do ano está aberta ainda até dia 11 de setembro, mas ela foi desenhada, no princípio, as chegadas foram para o trabalho do Franclim. Só que ele não está mais lá. O Danilo Pereira é um segundo atacante, mas na acepção da função do termo, encaixava no desenho porque o Franclim idealmente trabalharia como era aquele Botafogo do Artur Jorge. Você tem dois laterais ocupando os corredores, você tem os pontas vindo por dentro e tem dois homens de frente. O Danilo é esse segundo cara de frente aqui e faz bem a função, talvez ele não tenha presença suficiente. Ele é finalizador, ele tem capacidade de fazer gol mas não é um cara de imposição de presença de área, de último toque, de ficar brigando com o zagueiro lá dentro da área. Ele é totalmente diferente do Cabral, é até fácil de identificar até por perfil, mas encaixava no Franclim do que era o trabalho. Mas dependendo do que vai ser a sequência do trabalho, ele vai brigar pelo 9 porque o Botafogo talvez nem desenhe, nem tenha um desenho, nem tenha um modelo de jogo que contemple a presença do segundo atacante – explicou Raphael Rezende, em entrevista ao “Glorioso Connection”.
O estilo de Danilo Pereira pode ter que gerar outras mudanças na equipe.
– O Danilo é jogador de ataque em dupla, ele não é o 9 puro. Se ele joga sozinho, você está mudando o jeito de atacar, você vai fixar menos a linha de defesa e a dupla de zaga e vai ter um 9 mais estilo Igor Jesus, que vai sair, que vai atrair e abrir espaço para que outras pessoas ataquem o espaço. Mas aí, se você depende dos outros para atacarem o espaço, os seus pontas não podem ser meias porque se eles forem meias eles não têm característica de atacar o espaço. Aí você tem uma porção de gente que corre na direção da bola, que quer estar próximo da bola que quer jogar com a bola, mas não tem gente atacando o espaço para receber – explicou.
– Quem são os pontas do Botafogo hoje? Tem o (Lucas) Villalba, que é muito de transição mesmo, mas participa menos em construção, o Júnior (Santos) já em outro momento da carreira para fazer o vai e vem no corredor mais pesado, do outro lado o Matheus (Martins) que estava de saída, por mais que tenha empacado. Mas eu imagino que esse desenho de pontas com mais característica associativa, meia-ponta, digamos assim, venha do que era o desenho do Franclim, de usar os pontas por dentro. E se você não tem mais o Franclim, aí você tem que adaptar para o próximo, sendo que não tem próximo ainda. É o Bellão. O Bellão é passageiro? Vai até o fim do ano? São essas questões que não podem ficar ao largo, é bom você ter o norte bem definido. Se não tiver, a tendência é de fazer escolhas que não vão funcionar na prática – pontuou.