Após cerca de três meses sem uma decisão, a recuperação judicial da SAF do Botafogo, em tramitação na 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, entrou em uma etapa considerada relevante para o andamento do processo, como explicou o perfil “Benjamin Esposito”, no X.
Os autos estão em conclusão, o que significa que foram encaminhados ao juiz responsável para análise e decisão. Desde 15 de junho, uma série de questões relevantes foi apresentada no processo e permanece pendente de apreciação.
Entre os principais pontos estão as duas versões do plano de recuperação judicial apresentadas nos últimos meses. A alteração mais significativa entre os documentos envolve a proteção concedida a acionistas, administradores e ex-controladores. A versão mais recente exclui expressamente o ex-controlador da quitação prevista no plano e preserva eventuais direitos do Botafogo contra ex-acionistas e ex-administradores. Com isso, permanecem resguardadas as pretensões relacionadas a empréstimos, adiantamentos e ao chamado caixa único, estimadas em € 146 milhões, além das ações judiciais já apresentadas sobre o tema.
Também aguarda análise do juiz a manifestação do Ministério Público, que apresentou objeções a determinados pontos do plano. Embora o posicionamento do órgão não seja vinculante, caberá ao magistrado avaliar os questionamentos antes da definição dos próximos passos do processo.
No mesmo período, foram apresentados dois relatórios mensais pela administradora judicial, documentos que reúnem informações sobre a situação financeira da SAF, o cumprimento das obrigações assumidas e a evolução de suas atividades durante a recuperação judicial.
Outro ponto pendente é a definição da relação de credores após o encerramento do prazo para habilitações e divergências. Essa lista é fundamental para a realização da assembleia geral de credores, uma vez que determina quem poderá participar da votação e qual será o peso de cada crédito.
Nesse contexto, a Justiça também terá de analisar o pedido da GDA Luma, segundo maior credor da recuperação judicial e nova investidora do clube, para ser retirada da relação. A empresa sustenta que seu crédito possui garantia que o colocaria fora dos efeitos da recuperação judicial. Caso o entendimento seja acolhido, a GDA Luma não participaria da votação do plano e poderia buscar a satisfação do crédito por meio da garantia.
A análise desses temas é relevante porque as diferentes etapas da recuperação judicial estão diretamente relacionadas. A definição da relação de credores influencia a composição da assembleia, enquanto a apreciação das objeções e dos planos é necessária para que a votação possa avançar. Ao mesmo tempo, o processo está submetido a prazos legais, inclusive aqueles relacionados à suspensão das cobranças e execuções contra a empresa.
Diante do volume de questões acumuladas nos últimos meses, a expectativa é de que as próximas decisões judiciais tenham impacto direto na condução da recuperação judicial da SAF Botafogo e na definição dos próximos passos do processo.