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Renato Paiva declara amor à torcida do Botafogo e volta a criticar John Textor: ‘Estava na cara o que ia acontecer’

Por: FogãoNET

- Atualizado em

Renato Paiva declara amor à torcida do Botafogo e volta a criticar John Textor: ‘Estava na cara o que ia acontecer’
Reprodução/Flashscore
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Técnico do Botafogo que assombrou o planeta ao vencer o campeão europeu PSG no Super Mundial de Clubes, Renato Paiva voltou a criticar John Textor. O treinador hoje comanda o Santos Laguna, do México, e concedeu entrevista ao “Flashscore” em Nova Jersey, nos Estados Unidos, após um amistoso de pré-temporada.

Demitido pelo empresário norte-americano após a eliminação para o Palmeiras naquela mesma competição, Paiva disse que já imaginava o que iria acontecer com o Botafogo, que passa por um momento complicado financeiramente. Textor, por sua vez, foi destituído do Conselho de Administração da SAF e não comanda mais o clube.

– Imaginava. Basta perceber quem é o dono. Imaginava e não tenho dúvida nenhuma. Eu sabia e cheguei a comentar isso com pessoas lá dentro. Basta entender o perfil do proprietário, nada mais que isso. E isto não tem nada a ver com o fato de ele ter me demitido; tem a ver com o que ele fez no Lyon, com o que fez na equipe da Bélgica [RWDM Brussels] e com o que está fazendo no Botafogo. Basta olhar para o histórico dele. Ganhar uma Libertadores e uma Série B [sic] não pode dar a ele a margem para fazer o que está acontecendo agora no Botafogo. É um clube que eu amo, faz parte da minha história – disse Paiva.

– Amo as pessoas que trabalham no Botafogo no dia a dia; todas elas, sem exceção, são extraordinárias. Peguei um grupo de jogadores fantástico e uma torcida que eu adoro. Mesmo quando me criticou, e muitas vezes eu tive que aceitar a crítica de forma normal, não deixa de ser a torcida que eu amo no Brasil; olha que fico até arrepiado falando nisso. Mas estava na cara o que ia acontecer enquanto esse personagem estiver no Botafogo, simples assim – completou o treinador, se declarando ao Glorioso.

Renato Paiva também foi questionado sobre a falta de continuidade dos técnicos no futebol brasileiro, lembrando da demissão do Botafogo por Textor poucos dias depois de vencer o PSG, mas classificou o calendário como o principal problema do país.

– É verdade, fez um ano no último dia 19. Curiosamente estamos nos Estados Unidos outra vez, e comentei isso com a minha comissão técnica. Também recebi algumas mensagens de jogadores lembrando esse momento, que foi muito bonito na história de um grande clube como o Botafogo. Eu já falei sobre isso, o Abel Ferreira já falou, o Leonardo Jardim já falou, e os próprios treinadores brasileiros, como o Renato Gaúcho, também falam – iniciou Paiva.

– Se você me perguntar qual é o maior problema do futebol brasileiro, um país que produz jogadores com uma qualidade e quantidade fantásticas, onde as crianças já nascem e crescem com uma bola debaixo do braço, eu responderia que é o calendário. Não consigo conceber que os jogadores se desenvolvam sem treinar. O momento do treino é fundamental. Já disse isso em várias entrevistas e agora posso falar abertamente. Quando eu estava no Brasil, terminava sempre dizendo que já conhecia as regras antes de ir, então não era uma queixa. Mas o maior problema do futebol brasileiro hoje em dia é, claramente, o calendário – continuou.

– Como treinador formador, que passou 18 anos formando jovens no Benfica, sei que todos eles evoluíram com base no treino. O treino é como ir à escola: você tem as aulas (que são os treinos) e depois tem o exame (que é o jogo). É no treino que você pode parar para corrigir o jogador. É o contexto onde o atleta pode errar sem que o erro traga consequências esportivas graves; podemos parar, corrigir e repetir. Eu não conheço ninguém que evolua sem repetir ações.

– No seu caso, como jornalista, você repetiu dias de trabalho, de estudo e de prática. Não sei por que no futebol encaram isso de forma diferente. Talvez não seja por acaso que o Brasil não é campeão do mundo desde 2002. Mas, como as pessoas não querem pensar nisso, olham para o futebol cada vez mais apenas como um negócio, tratando os jogadores como carne para matadouro. Não há tempo para descansar nem para treinar; as pessoas querem jogos, jogos e jogos. Essa repetição de partidas de três em três dias banaliza a nossa paixão pelo esporte.

– Quando eu era pequeno, o jogo era no domingo e eu tinha que esperar até o outro domingo pelo próximo. Havia uma ansiedade, uma espera, e nós valorizávamos aquilo que assistíamos. Hoje o futebol é tratado de forma banal e maltratamos as pessoas que estão nele. O pior para mim é ver um país com uma matéria-prima e uma mão de obra tão boas quanto o jogador brasileiro e não poder desenvolvê-lo porque não há tempo para treinar devido ao calendário.

– Enquanto as pessoas olharem para o lado e pensarem que o problema principal é sempre o treinador, mudando o comando técnico o tempo todo… Veja a própria CBF: quantos treinadores já passaram pela Seleção Brasileira recentemente e ela não foi campeã? O problema é sempre dos treinadores?

– Não quero defendê-los cegamente; quando têm que ser demitidos, tudo bem, mas o problema não pode ser sempre esse. Será que não podemos nos sentar no país do futebol, refletir, comunicar e mudar as coisas que estão claras? As pessoas não veem porque não querem. Basta olhar para a Europa: eles têm Champions League e Europa League no meio da semana, mas não é toda semana. A Europa tem semanas cheias em que se trabalha de forma limpa de sábado a sábado ou de domingo a domingo. Quem sofre com a falta dessa percepção é o futebol brasileiro – encerrou o treinador.

Fonte: Redação FogãoNET e Flashscore

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