John Textor foi um dos personagens da série “Por dentro do Futebol – Quem compra o jogo?”, da TV pública alemã “ARD”. O segundo episódio, que foi ao ar neste sábado (18/4) na Alemanha, mostra o empresário norte-americano acompanhando a estreia do Botafogo no Campeonato Brasileiro, na goleada sobre o Cruzeiro.
Àquela altura, Textor já enfrentava uma batalha jurídica contra a Ares e o Lyon pelo controle da Eagle Football. Uma das cenas mostra o discurso do empresário aos jogadores no vestiário do Estádio Nilton Santos, após a vitória por 4 a 0. Quem servia de tradutor na rodinha era Léo Coelho, diretor de coordenação de futebol.
– Eu sou o presidente, sou o dono, sou irmão de vocês, sou da família e não vou a lugar nenhum. Desde que começamos este projeto juntos, sempre houve oposição externa. Mas estamos juntos, continuamos sendo uma família e nosso foco está no campo – afirma Textor, olhando nos olhos dos jogadores.
– Estou em guerra com os nossos parceiros na França, com os nossos credores. Estou pressionando-os ao máximo, e é por isso que agora eles querem me pressionar aqui, porque sabem que este é o clube que eu mais amo – completou o empresário.
A história de John Textor é destacada na série como um exemplo do sistema multiclubes, que vem sendo dominante nas grandes ligas da Europa. Além de falas de John Textor sobre o tema, o documentário traz até mesmo uma declaração de Alessandro Brito, diretor de gestão esportiva do Botafogo, sobre as vantagens desse modelo.
– O Brasil possui uma longa tradição de revelar jogadores talentosos. No futuro, esses jogadores poderão dar o próximo passo em suas carreiras dentro da nossa rede, transferindo-se para a Europa e integrando um dos clubes da nossa plataforma. Este é um modelo inovador, ainda relativamente incomum no futebol brasileiro: uma rede estruturada de diversos clubes que se conectam – diz Brito.
Desde aquele jogo contra o Cruzeiro, no fim de janeiro, muita coisa aconteceu nos bastidores. A crise com a Ares e as ações da SAF do Botafogo na Justiça contra o Lyon evidenciam que não há mais um modelo multiclubes na gestão Textor, e agora o Glorioso busca uma solução para conseguir tocar o futebol, num cenário de asfixia financeira.