Análise: apesar de empate frustrante com o Ceará, atuações individuais dão esperança para o futuro do Botafogo

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Análise: apesar de empate frustrante com o Ceará, atuações individuais dão esperança para o futuro do Botafogo
Vitor Silva/Botafogo

O Botafogo passou um sufoco no empate em 1 a 1 com o Ceará no Nilton Santos. Apesar de sair na frente no começo do jogo, o Glorioso voltou a apresentar dificuldades de criação e, aos poucos, viu o adversário crescer na partida. O ponto conquistado acabou sendo um alívio para o time que viu o adversário finalizar mais que o dobro de vezes no segundo tempo. O resultado ruim, porém, não ofuscou algumas boas atuações individuais, como Lucas Fernandes e Eduardo, que mostraram talento enquanto o time manteve a organização tática e a cabeça no lugar. A frustração ficou por conta de mais um resultado ruim dentro de casa, onde a equipe somou apenas 11 de 30 pontos possíveis.

O Botafogo contou com alguns retornos importantes no time titular. Um deles foi o de Victor Cuesta, líder em interceptações do time no campeonato (16 em 13 jogos). Nos últimos dois jogos, o miolo de zaga formado por Philipe Sampaio e Lucas Mezenga conseguiu mostrar mais segurança na defesa de bolas aéreas, embora erros de posicionamento da linha defensiva continuem proporcionando chances aos adversários. Apenas Philipe Sampaio registrou 14 rebatidas em cada partida contra Athletico e Corinthians – hoje foram 12. A entrada de Cuesta, que também lidera a estatística de rebatidas da equipe em números absolutos (122), soma ao time poder de antecipação e qualidade no passe.

Além da dupla de zaga formada por Sampaio e Cuesta, a defesa foi formada com Saraiva na lateral-direita e Daniel Borges improvisado na esquerda novamente. Cheio de desfalques no setor, a opção de Luís Castro por Daniel, e não o jovem DG, procurou manter a solidez defensiva que Marçal oferece, mas reduziu a profundidade do ataque por aquele lado. Tanto Daniel quanto Jeffinho são destros e buscam a diagonal para o centro do campo quando têm a posse. Lucas Fernandes procurou cair por ali para preencher o setor.

Havia também muita expectativa quanto à volta de Eduardo ao meio-campo. A atuação decisiva do jogador na vitória contra o Athletico deixou um gosto de quero mais na torcida alvinegra. A dinâmica de movimentação que o meia oferece cria novas alternativas para a equipe e divide a responsabilidade de Lucas Fernandes na criação. Outra novidade foi Luis Henrique aberto pelo lado direito no lugar de Lucas Piazon. Foi seu primeiro jogo como titular em sua volta ao Glorioso.

Análise Botafogo x Ceará

Ainda são poucos minutos de Eduardo com a camisa do Botafogo, mas já é possível perceber como sua presença transforma a equipe. Buscando o jogo a todo momento, o meia dialoga com seus companheiros, facilita as decisões em campo e, consequentemente, melhora o desempenho de todos em campo. Por exemplo: as funções que o jogador executa potencializam o futebol de Tchê Tchê, que com menos obrigações de chegar ao ataque pode focar em encontrar saídas rápidas na distribuição da bola. Eduardo também é ótimo na temporização do jogo. O camisa 33 controla o ritmo de acordo com a necessidade da jogada, circulando a bola ou acelerando e verticalizando o jogo. O meia foi o jogador alvinegro que mais teve a bola no primeiro tempo e acertou todos os 20 passes que tentou.

Sem um lateral agudo para atacar o lado esquerdo e procurando também proteger Saravia em suas limitações defensivas quando defendendo em transição, o Botafogo organizou a saída de bola a partir de um sistema 2-3. Os laterais bem abertos ofereceram amplitude e Tchê Tchê, centralizado, fez o papel de pivô. Na frente, os jogadores buscaram aproximações para oferecer alternativas para um jogo direto. Foi assim no lance que originou o gol, logo aos oito minutos da primeira etapa. O Botafogo saiu jogando curto e segurou a bola esperando o Ceará subir a marcação. Quando a pressão aumentou, gerou o “efeito sanfona” que abriu espaços no meio-campo. Gatito lançou Luis Henrique, o ponta raspou de cabeça para Erison que conduziu até ser derrubado. Na cobrança de falta, Cuesta abriu o placar.

Análise Botafogo x Ceará

Apesar da organização bem definida da equipe e do gol marcado nos minutos iniciais, o Botafogo não conseguiu ter volume de jogo para criar novas chances de gol. Fundamentais na jogada do gol, Luis Henrique e Erison tiveram atuações abaixo dos companheiros de ataque. Ainda sentindo a falta de ritmo e entrosamento, Luis não conseguiu aparecer como alternativa de profundidade no lado direito. Já Erison voltou a apresentar uma visão de jogo deficiente que torna seu futebol excessivamente individualista. O centroavante distribuiu apenas seis passes no primeiro tempo e errou a metade.

Mas se na primeira etapa o Ceará criou uma única chance de gol, incrivelmente desperdiçada por Guilherme Castilho, no segundo tempo o Vozão conseguiu transformar sua maior posse de bola em um controle efetivo do jogo, criando perigo ao gol de Gatito. O Botafogo baixou as linhas e diminuiu a pressão na marcação. No meio-campo, os cearenses conseguiram melhorar a compactação e tirar os espaços de Eduardo e Lucas Fernandes, sufocando a criatividade do Glorioso. Com apenas três minutos, em falha do sistema defensivo, Mendoza empatou o jogo em jogada de escanteio.

Quando os espaços rarearam e o protagonismo de Eduardo e Lucas Fernandes diminuiu, a imprevisibilidade de Jeffinho foi o trunfo alvinegro. A energia e a atitude do ponta foi a principal arma ofensiva da equipe, que com o cansaço e o nervosismo ficou cada vez mais dependente de soluções individuais para bater a defesa. A organização tática ruiu, o aproveitamento nos passes caiu e o time não conseguiu criar novas chances de gol.

Castro mexeu apenas duas vezes, mas não conseguiu melhorar a equipe com as substituições. O treinador tinha apenas duas opções ofensivas no banco. Vinicius Lopes e Matheus Nascimento entraram nos lugares de Luis Henrique e Erison. Fisicamente, o Ceará, que jogou contra o São Paulo no meio da semana pela Copa Sul-Americana, pareceu mais inteiro no final da partida, castigando a defesa alvinegra com transições em velocidade. No fim, o Botafogo teve sorte em sair com empate. Apenas no segundo tempo foram 13 finalizações do Ceará.

Análise Botafogo x Ceará

O Botafogo vai receber o Atlético Goianiense no próximo sábado (13), às 21h, no Nilton Santos. O Dragão, que ainda enfrenta o Red Bull Bragantino neste sábado, amarga uma sequência de seis derrotas seguidas no Brasileirão e ainda divide atenção com jogos eliminatórios na Copa Sul-Americana e Copa do Brasil.

Fonte: Redação FogãoNET

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