Análise: aposta de Castro não funciona e Botafogo assiste ao jogo de dentro de campo em goleada para o Palmeiras

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Análise: aposta de Castro não funciona e Botafogo assiste ao jogo de dentro de campo em goleada para o Palmeiras
Reprodução/Premiere

Debaixo de chuva em São Paulo, o Botafogo foi passageiro num trem da agonia na noite de quinta. O time foi atropelado pelo Palmeiras e saiu goleado por 4 a 0 do Allianz Parque. A atuação vergonhosa no primeiro tempo determinou a derrota antes mesmo do intervalo do jogo. No gramado, jogadores e treinador mostraram sérias dificuldades para reverter o cenário adverso. O Glorioso ocupa a 14ª colocação, um ponto acima do primeiro time na zona de rebaixamento.

Apesar da fase ruim e da atuação abaixo da crítica na derrota contra o Goiás, Luís Castro tirou boas lições do jogo e procurou manter os titulares para o jogo desta quinta-feira. Lucas Fernandes foi quem melhor aproveitou as oportunidades nas últimas duas partidas para ganhar espaço no meio-campo alvinegro. Contra o Goiás, foi o segundo jogador do Botafogo com mais passes certos (45) e o quarto com mais posse de bola.

A única mudança no 11 inicial foi a saída do artilheiro Erison. E a ausência do centroavante representa uma grande perda para o sistema ofensivo: ‘El Toro’ marcou cinco gols no campeonato com um índice xG (expected goals) de 4.16. Ou seja, Erison desperdiça poucas chances claras e é capaz de marcar gols em situações difíceis, quando a chance de sucesso na finalização é pequena. A falta do atacante foi ainda mais sentida sem o reserva imediato disponível, pois Matheus Nascimento está servindo à seleção sub-20. A solução de Castro foi entrar com Saravia como lateral-direito, Daniel Borges na lateral-esquerda e Hugo adiantado como um meia aberto pela esquerda. Victor Sá voltou a fazer a ponta direita e Vinícius Lopes foi deslocado para o comando do ataque.

Análise Palmeiras x Botafogo

O jogo começou em alta voltagem, com o Palmeiras ditando o ritmo e fazendo uma blitz inicial que forçou alguns erros de passe do Botafogo. Logo aos quatro minutos, em lance envolvendo Kanu e Tchê Tchê, os donos da casa forçaram o erro, atacaram rápido e conseguiram a primeira finalização defendida por Gatito. Na cobrança de escanteio, o zagueiro Murilo ganhou de Kanu no alto com facilidade e mandou a bola para as redes, mas um desvio em Luan provocou a interferência do VAR para anular o gol.

O susto inicial não acordou o Glorioso, que continuou incapaz de competir no Allianz Parque. A pressão na marcação e a intensidade do Palmeiras em todas as fases do jogo sufocaram todas as tentativas de ataque alvinegras. Aos 10 minutos, em lance rápido pelo lado direito do ataque, os paulistas envolveram sem dificuldades o sistema defensivo do Botafogo e chegaram ao gol. Na chegada de Gustavo Scarpa na linha de fundo, a linha de defesa recuou e Rony ficou sem marcação na entrada da pequena área para soltar a bomba e abrir o placar. Kanu novamente perdeu contato com o marcador e não foi capaz de travar o chute.

Rapidamente, ficou claro que a ideia de Castro para conter o ataque adversário e ter saída de contra-ataque não funcionou. O Palmeiras encontrou muita facilidade para atacar os dois lados do campo, criando situações de superioridade numérica, forçando deslocamentos no sistema defensivo para fazer coberturas e, assim, abrindo muitos espaços na marcação. Saravia e Daniel Borges foram batidos com assustadora facilidade nas investidas de Gabriel Veron, Rony e Dudu. Com a posse da bola, Hugo não achou seu lugar na ponta-esquerda e não foi capaz de atacar a profundidade, concentrando seus toques na bola na região entre as duas intermediárias.

Aos 17 minutos, o Palmeiras voltou a castigar a desorganizada defesa alvinegra. Com passes longos, rodando a bola de lado a lado, Scarpa recebeu com liberdade dentro da área, teve todo o tempo necessário para escolher a melhor jogada, e finalizou sem ser incomodado para marcar o segundo. Sempre que o time da casa atacou com velocidade, esticando passes em profundidade, provocou um verdadeiro pandemônio na defesa do Botafogo. Ficaram evidentes os erros da última linha defensiva, mas muitos desses erros foram provocados pela total exposição que a defesa sofreu. Nesse início de campeonato, mesmo em algumas vitórias, a incapacidade do sistema defensivo em pressionar o adversário ficou evidente. Hoje, contra um dos melhores times do país e do continente, este erro não foi perdoado.

Depois do segundo gol, o Palmeiras permitiu que o Botafogo mantivesse a posse da bola e trocasse passes pouco objetivos no meio-campo, muito longe do gol. Mas apesar de ter mais posse de bola, o Glorioso não conseguiu controlar o ritmo do jogo e a partida continuou sob total controle dos paulistas. Apesar da pressão mais baixa, o Verdão seguiu imprimindo a velocidade desejada sempre que precisou e foi empilhando chances de fazer o terceiro. Das sete finalizações do time da casa no primeiro tempo, seis foram na direção do gol e Gatito impediu uma tragédia maior. Mas não conseguiu evitar a cabeçada de Rony que ampliou a vantagem aos 33 minutos, em jogada de escanteio.

Análise Palmeiras x Botafogo

Somente depois do terceiro gol, Luís Castro desfez o sistema com Hugo no meio-campo, puxando Victor Sá para a esquerda e adiantando Saravia na direita. As substituições no time aconteceram apenas no intervalo. Del Piage e Kayque substituíram Luis Oyama e Tchê Tchê. Perdido na marcação e pressionado com a posse de bola, Oyama teve péssima atuação, acumulando seis passes errados em 28 tentativas e três perdas de posse de bola. A substituição preencheu o melhor o meio-campo da equipe, mas mudou pouco a dinâmica do jogo. A principal causa do maior equilíbrio no segundo tempo foi a queda de ritmo do Palmeiras, que desacelerou para administrar a vantagem confortável.

Chay entrou no lugar de Lucas Fernandes aos 22 minutos para tentar dar mais qualidade no ataque, uma vez que o Botafogo conseguiu trabalhar mais no campo de ataque durante a segunda etapa. Contudo, o time seguiu sem muita ideia de como ferir a defesa adversária e abusou de cruzamentos para a área, mesmo sem um jogador de referência na frente. Apesar da marcha lenta, o Palmeiras ainda conseguiu sacramentar a goleada com um golaço de Wesley aos 41 minutos.

Sem sombra de dúvidas, essa foi a exibição mais frágil de todo o trabalho de Luís Castro no comando do Botafogo. Dominado em campo, passivo e desorganizado na defesa, sem qualquer alternativa ofensiva. Além disso, o treinador pareceu ter dificuldade em fazer a leitura necessária para corrigir os problemas e tornar o time competitivo durante o primeiro tempo. Por pouco mais de 45 minutos, o Botafogo assistiu ao jogo de dentro do campo. É incontestável a superioridade do time do Palmeiras em todos os aspectos do jogo, fruto de um ótimo e longevo trabalho de Abel Ferreira. Contudo, o Alvinegro não conseguiu equilibrar o jogo na entrega, como, por exemplo, o Goiás fez com o próprio Botafogo no jogo de segunda-feira. O Palmeiras é forte, mas não imbatível: nos cinco jogos anteriores como mandante no Brasileirão, venceu apenas dois.

Análise Palmeiras x Botafogo

O Botafogo volta a jogar na próxima segunda-feira (13), às 19h, contra o Avaí no Nilton Santos. O time de Eduardo Barroca perdeu quatro dos últimos cinco jogos no campeonato e ocupa a 16ª posição, com 11 pontos ganhos.

Fonte: Redação FogãoNET

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