Análise: com atitude e desempenho, Joel Carli lidera retomada do Botafogo no Brasileirão

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Análise: com atitude e desempenho, Joel Carli lidera retomada do Botafogo no Brasileirão
Vitor Silva/Botafogo

Alguns fatores explicam a virada de chave do Botafogo nas últimas duas rodadas do Campeonato Brasileiro. Depois de uma sequência indigesta de cinco jogos sem vitórias, o Glorioso bateu São Paulo e Internacional, dois times que ocupam lugares no topo da tabela de classificação. A adoção da formação com três zagueiros e a alteração do sistema defensivo organizado em um 5-2-3 foram fundamentais para melhorar a pressão da marcação e manter a primeira linha defensiva mais protegida. Para além de ajustes táticos, os triunfos também foram fruto da mudança de atitude e da retomada de confiança dos jogadores, estimulados pela presença do capitão Joel Carli.

Uma lesão no tornozelo direito afastou o zagueiro dos gramados por dois meses. Depois de começar a temporada como titular no Cariocão, o argentino voltou a atuar apenas na partida de volta contra o Ceilândia, pela Copa do Brasil. A baixa mobilidade e pouca velocidade levantavam dúvidas quanto ao aproveitamento do veterano contra adversários mais qualificados da Série A. Pressionado pelos maus resultados, Luís Castro foi forçado a alterar o sistema de jogo da equipe, abrindo mão do 4-3-3 e lançando mais um defensor entre os titulares. Mas a escolha por Carli não era óbvia. Se Philipe Sampaio já estivesse em condições de jogo, a tendência é que fosse o escolhido para formar a defesa com Kanu e Victor Cuesta.

O capitão foi a campo contra o São Paulo com a árdua tarefa de parar seu compatriota Jonathan Calleri, autor de nove gols em 11 jogos até aquele encontro. Pior: dos nove gols do atacante argentino, quatro foram de cabeça. O Botafogo é o terceiro time que mais cede cruzamentos certos na competição – 71 em 13 jogos, média de 5,4 por jogo. Além disso, o Botafogo havia sofrido gols em dez dos 11 jogos do Brasileirão. O caminho para mais uma derrota estaria traçado, caso Joel Carli não tivesse liderado a equipe em uma atuação defensiva impecável. O time trancou a entrada da área, forçou o adversário a jogar pelas laterais e foi muito efetivo nas dobras de marcação para anular as jogadas de ataque. Apesar da vantagem na posse de bola (62%), o Tricolor conseguiu finalizar apenas cinco vezes em todo o jogo.

No jogo do Beira-Rio contra o Internacional, um novo desafio. Com as suspensões de Kanu e Cuesta, Carli foi o único da linha de zaga mantido entre os titulares. Philipe Sampaio e Klaus formaram a defesa com o capitão. Castro manteve o plano bem sucedido da rodada anterior, mas a inexplicável expulsão de Sampaio nos minutos iniciais alterou toda a dinâmica da equipe. Com um jogador a menos, o Botafogo jogou em um 4-4-1 e Carli fez o lado direito da zaga. Imbatível no jogo aéreo, o zagueiro teve uma atuação histórica na heroica virada do Glorioso sobre o Colorado. Além de 100% de aproveitamento nas disputas pelo alto, registrou 13 rebatidas para afastar o perigo na defesa e foi também uma arma letal no ataque, terminando com duas chances de gol criadas e uma assistência.

Com apenas dois jogos no campeonato, a amostragem de dados de Joel Carli é pequena e não pode ser utilizada para buscar conclusões. Contudo, alguns números dão indícios de como o zagueiro de 35 anos pode ser útil, mesmo contra os adversários mais fortes do futebol brasileiro. Nas duas partidas, Carli não levou nenhum drible, conseguiu um único desarme e uma única interceptação. Jogando bem protegido por dois volantes, o argentino não precisa ir à caça de atacantes rápidos nem desgarrar da linha de defesa para arriscar antecipações. Seguro, bem protegido, Carli se impõe sobre os atacantes com sua força, posicionamento, leitura de jogo e tempo de bola.

O desempenho do zagueiro nas duas vitórias alvinegras serviram para mostrar ao treinador recém-chegado que havia um reforço para o sistema defensivo dentro do elenco. É possível que Joel Carli não seja uma opção de Castro em todos os jogos. Quando enfrentar adversários mais recuados e precisar subir as linhas para executar uma pressão mais alta, o zagueiro pode ficar exposto e sofrer para defender um espaço grande de campo nas suas costas. Ademais, o jogo físico e a personalidade forte do capitão já lhe renderam dois cartões amarelos, deixando-o a um de uma suspensão. O que fica claro é que, mesmo com a chegada de novos jogadores, o xerife alvinegro continua como uma peça muito útil para o Botafogo.

Fonte: Redação FogãoNET

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