Análise: atuação coletiva assustadora marca derrota do Botafogo para o Cuiabá

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Blog da Redação

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Luís Castro e elenco em Cuiabá x Botafogo | Campeonato Brasileiro 2022
Reprodução/Premiere

O Botafogo voltou a jogar mal e, desta vez, não conseguiu o resultado como refúgio. Na derrota por 2 a 0 para o Cuiabá, o time não conseguiu impor seu jogo em nenhum momento e viu o pior ataque do campeonato marcar duas vezes. A exibição do time mostrou falhas coletivas graves na defesa e no ataque. A falta de padrão na construção de jogadas ofensivas e os erros de ocupação de espaços e desatenção na defesa ajudam a explicar a derrota.

Luís Castro contou com os retornos de Lucas Piazon e Erison para montar o time titular. Sem Vinícius Lopes, suspenso, Lucas voltou ao lado direito do ataque alvinegro. Além de Vinícius, o lateral-direito Saravia também cumpriu suspensão e deu lugar a Daniel Borges. No meio-campo, Del Piage substituiu Kayque e formou a dupla de volantes com Patrick de Paula. Na zaga, a principal novidade: Kanu perdeu a vaga e começou o jogo entre os reservas. Philipe Sampaio, Joel Carli e Victor Cuesta formaram o trio de zagueiros.

Até o início da rodada, nos sete jogos anteriores como mandante, o Cuiabá conseguiu uma única vitória, quatro empates e duas derrotas. Já o Botafogo, em oito jogos fora do Nilton Santos até este domingo, registrou quatro vitórias, dois empates e duas derrotas. O time mato-grossense é o que menos finaliza no Brasileirão (média de 10,2) e também o pior ataque com apenas 11 gols marcados. Destes 11, apenas quatro gols foram marcados na Arena Pantanal. Enquanto isso, o Glorioso marcou dez dos 17 gols na competição como visitante.

Análise Cuiabá x Botafogo

O jogo

Botafogo e Cuiabá estão entre as equipes que mais cedem cruzamentos certos em suas defesas, com médias muito semelhantes (5,6 e 5,53 por jogo, respectivamente). Já era esperado, portanto, um jogo em que cruzamentos e bolas paradas teriam papel fundamental em ambos os lados. Quem encontrou o caminho pelas laterais com mais facilidade foram os donos da casa, que exploraram bem os espaços nas costas dos alas alvinegros. Especialmente, do lado direito da defesa, onde Philipe Sampaio tem dificuldade de fazer coberturas e no combate em um contra um.

No Glorioso, um cenário já conhecido pelo torcedor: um time com pouca mobilidade, sem opções de escape para a transição em velocidade e com poucas alternativas de passe e movimentação para a construção de um jogo associativo. Em resumo, um time muito pobre coletivamente. As ausências de Saravia e Vinícius Lopes do lado direito deixaram a equipe sem uma peça para atacar em profundidade. Do lado esquerdo, Hugo até procurou bastante o jogo, mas faltou companhia para a criação de jogadas.

Enquanto o Cuiabá cruzava bolas na área e provocava erros na defesa alvinegra, o Botafogo trocava poucos passes no campo ofensivo e tinha o lançamento para Erison como única alternativa. Cercado por toda a defesa adversária, o centroavante perdeu a maior parte das disputas e gerou pouco jogo ao seu redor. Afunilados por dentro e presos à marcação, os Lucas Piazon e Fernandes não repetiram as últimas boas atuações e participaram pouco do jogo. A falta de dinâmica e organização ofensiva ficou evidente durante a partida. Troca de passes lenta, movimentações descoordenadas e uma posse de bola pouco objetiva.

Análise Cuiabá x Botafogo

O Cuiabá abriu o placar aos 21 minutos. Mais uma vez, um adversário avançou no campo de defesa do Botafogo sem ser incomodado pela marcação. Na jogada do gol, a defesa demorou para fazer o balanço e ninguém deu combate no adversário, que teve espaço aberto para finalizar. Depois da defesa de Gatito, nova falha do setor esquerdo que não acompanhou o avanço de Alesson e permitiu a conclusão no rebote. O time da casa precisou apenas de 45 minutos para superar sua média de finalizações certas no campeonato (2,9 por jogo).

O Botafogo também voltou a perder a batalha dos desarmes no primeiro tempo. Foram apenas quatro roubadas de bola. A falta de intensidade da equipe foi refletida em todas as fases do jogo da equipe. Essa intensidade baixa não deve ser confundida com falta de vontade. Os jogadores correm bastante, mas correm errado. Faltam organização e senso de coletividade para a melhor compreensão de cada função a ser executada em campo. Aqui, as lesões recorrentes e suspensões que impedem a sequência de um time titular cobram um preço e tornam o trabalho de Luís Castro ainda mais difícil.

A solução do treinador no intervalo foi a entrada de Chay no lugar de Del Piage. Com a mudança, Lucas Fernandes foi recuado para ajudar na organização e distribuição do jogo. Seja pela substituição ou pela postura mais recuada do adversário, o Botafogo conseguiu ser mais presente no campo de ataque na segunda etapa. No entanto, faltou um detalhe: chutar a gol. A equipe rodou a bola buscando espaços na defesa, mas seguiu ineficaz pelas beiradas, sem movimentações para provocar desequilíbrios na defesa do Cuiabá.

Somente aos 22 minutos Castro abriu mão dos três zagueiros. Tirou Philipe Sampaio para a entrada de Jeffinho. O atacante entrou para atuar pelo lado direito, com Piazon deslocado para a esquerda. Cinco minutos depois, Hugo cometeu falta dura e foi expulso. Sem um lateral-esquerdo no banco, o treinador segurou Daniel Borges na defesa para recompor uma linha de três. O pouco de organização que era possível identificar na equipe acabou e o Botafogo não conseguiu mais atacar. O Cuiabá passou a ter espaço e voltou a incomodar a defesa alvinegra com velocidade pelos lados do campo.

Análise Cuiabá x Botafogo

Mas ainda havia tempo para o pior. Cuesta e Piazon se chocaram e saíram de campo machucados. Já nos acréscimos, Daniel Borges recebeu o segundo cartão amarelo e deixou a equipe com dois jogadores a menos. Já aos 52 minutos da etapa final, André Luís decretou a vitória do Cuiabá finalizando na saída de Gatito.

O Botafogo vai precisar se reorganizar para receber o Atlético-MG no próximo domingo (17), às 18h, no Nilton Santos. O Galo vem de empate com o São Paulo e não perde há seis rodadas.

Números do jogo: (Footstats)

Posse de bola – BOT 49% x 51% CUI
Passes certos – BOT 399 (93%) x 343 (91%) CUI
Finalizações – BOT 6 (2 no gol) x 13 (6) CUI
Assistências para finalização – BOT 5 x 7 CUI
Desarmes – BOT 14 x 20 CUI
Interceptações – BOT 4 x 4 CUI
Rebatidas – BOT 38 x 29 CUI
Cruzamentos – BOT 1/11 (8%) x 7/26 (27%) CUI
Lançamentos – BOT 14/43 (33%) x 9/32 (28%) CUI
Viradas de jogo – BOT 0 x 0 CUI
Dribles – BOT 8 x 3 CUI
Perdas de posse de bola – BOT 29 x 29 CUI
Faltas – BOT 11 x 7 CUI
Cartões amarelos – BOT 3 x 1 CUI
Cartões vermelhos – BOT 2 x 0 CUI

Fonte: Redação FogãoNET

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