Análise: Botafogo abusa de jogo direto e volta a mostrar falta de repertório ofensivo no empate sem gols com o América-MG

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Análise: Botafogo abusa de jogo direto e volta a mostrar falta de repertório ofensivo no empate sem gols com o América-MG
Vitor Silva/Botafogo

O Botafogo tinha uma tarefa na manhã de domingo: voltar a vencer no Nilton Santos para afastar-se de vez do Z4 e manter a tranquilidade conquistada após a vitória sobre o Fortaleza. O objetivo não foi conquistado e a equipe não passou de um empate em 0 a 0 com o América-MG. O Glorioso mais uma vez não conseguiu se impor dentro de casa e saiu vaiado de campo. Além de voltar a decepcionar como mandante, o time chegou ao 11º jogo sem marcar gols no Brasileirão, segundo pior registro da competição.

Melhorar o desempenho – e, consequentemente, os resultados – como mandante é imperativo para o Botafogo sonhar com classificação para competições internacionais ou ter apenas um fim de ano sem sustos. O time entrou na 25ª rodada do campeonato como o terceiro pior mandante (33% de aproveitamento). A chegada de reforços e a recuperação de jogadores machucados permitem que o treinador Luís Castro tenha um elenco com mais repertório para ser dominante contra adversários que busquem um jogo mais compactado na defesa.

Análise Botafogo x América-MG

Castro escalou uma equipe sem novidades para enfrentar o América. A única alteração entre os titulares foi a entrada do lateral-direito Saravia no lugar do lesionado Rafael. Depois de muitos problemas, o treinador parece ter encontrado seu 11 ideal para implementar seu estilo de jogo de troca de passes rápidas e objetivas no Glorioso. A sequência visa ao melhor entrosamento e entendimento dos jogadores recém-chegados. Por exemplo: quando Jeffinho ganhar o duelo no um-contra-um na esquerda, é importante saber que um jogador vai atacar o primeiro poste enquanto outro vai buscar espaço na marca do pênalti. Eduardo e Tiquinho fazem a leitura da situação para executar esses movimentos. Esse entendimento facilita a melhor escolha e execução das jogadas.

O jogo começou amarrado. O América buscou ter o controle da posse de bola para ditar o ritmo do jogo. O time mineiro circulou a bola de lado a lado do campo procurando brechas no sistema defensivo alvinegro que se comportou bem, evitando oportunidades claras para o adversário. O Botafogo buscou um jogo direto, sempre buscando Tiquinho e Eduardo como referência para os passes longos. O adversário abusou das faltas para tirar a velocidade da transição ofensiva do Glorioso. Foram oito faltas e dois cartões amarelos para o Coelho no primeiro tempo.

A maior dificuldade do Botafogo foi na saída de bola. A marcação alta dos mineiros e o espaçamento entre meio-campo e ataque dificultaram o passe na construção ofensiva alvinegra. Com apenas 40% da posse de bola no primeiro tempo, o time trocou apenas 103 passes com um aproveitamento de 82%, abaixo de sua média de 89%. O time também não conseguiu encaixar a pressão na fase defensiva para conseguir recuperações de bola no campo ofensivo. Em todo o primeiro tempo foram apenas três desarmes.

Apesar desses problemas, foi o Glorioso quem teve as melhores chances na etapa inicial, a maioria a partir de bolas levantadas na área. As faltas cometidas pelo Coelho proporcionaram duas boas chances de gol, uma com Tiquinho que cabeceou rente à trave adversária, outra com Lucas Fernandes que exigiu ótima defesa de Matheus Cavichioli – única finalização em direção ao gol em todo o primeiro tempo. Em um jogo muito disputado no alto, a bola aérea funcionou no ataque e na defesa. Nos primeiros 45 minutos, foram 12 cruzamentos alvinegros, com quatro acertos, e 19 do adversário – dez escanteios -, com apenas dois acertos.

Análise Botafogo x América-MG

No início do segundo tempo, uma mudança de cenário. O Botafogo encaixou a marcação no campo de ataque e deixou o adversário menos confortável no jogo. Em pouco mais de dez minutos depois do intervalo, a equipe conseguiu o mesmo número de desarmes de todo o primeiro tempo. Melhor organizado, o Glorioso teve mais a bola, aumentou o aproveitamento nos passes e conseguiu ser mais intenso em campo. Após o início forte do Alvinegro, o América só conseguiu se reorganizar e reequilibrar a partida a partir dos 15 minutos.

Luís Castro fez as primeiras mudanças aos 20 minutos. Gabriel Pires substituiu Lucas Fernandes, que fez um jogo de muita entrega tática e acertou todos os 19 passes que tentou no jogo – apenas dois erros em lançamentos longos. Lucas Piazon entrou no lugar de Victor Sá, indicando uma opção do treinador por um jogo mais apoiado e menos direto. Como um ponta-construtor, Piazon tende a ser mais uma opção que busca a faixa central, abrindo o corredor para a subida do lateral. Victor tem crescido de produção nas últimas rodadas, mas ainda procura ser mais efetivo para diversificar as alternativas de ataque da equipe. O treinador não fez outras alterações na equipe no restante do jogo.

O Botafogo voltou a crescer na reta final do jogo. Jeffinho teve ótima chance aos 31 minutos em voleio que terminou em defesaça do goleiro. Tiquinho seguiu atuante no papel de pivô, dando prosseguimento aos ataques alvinegros. Um dado sobre o centroavante chamou atenção no jogo: foi o jogador que mais errou passes no jogo, 12 dos 31 tentados. A interpretação do número frio no contexto da partida mostra como Tiquinho foi acionado em bolas disputadas e como procura passes difíceis de primeira para acionar os companheiros em velocidade.

Um ponto chave para o Botafogo é o aproveitamento nas finalizações. O time é o oitavo que mais chuta a gol no campeonato, mas apenas o 12º em aproveitamento. Na excelente vitória sobre o Fortaleza foram 13 finalizações e oito na direção do gol, um aproveitamento de 57%, muito acima da média de 36% da equipe na competição. No primeiro tempo contra o América, oito finalizações e uma única na meta. Na segunda etapa, quando o time melhorou e foi mais perigoso, foram quatro chutes em dez tentativas que fizeram o goleiro trabalhar. O Sofascore aponta outro dado que expõe a dificuldade de criação de chances de gol e execução dessas oportunidades: o Alvinegro é o quinto que menos teve grandes chances de gol (oportunidade clara a poucos metros da meta) no Brasileirão. E das 33 que criou, desperdiçou 21.

Análise Botafogo x América-MG

O Botafogo volta a campo no próximo sábado (17), às 19h, quando recebe o Coritiba no Nilton Santos. O time paranaense é o pior visitante do Brasileirão com apenas dois pontos conquistados em 12 jogos.

Números do jogo: (Footstats)

Posse de bola – BOT 46% x 54% AME
Passes certos – BOT 260 (89%) x 331 (88%) AME
Finalizações – BOT 18 (5 no gol) x 12 (2) AME
Finalizações dentro da área – BOT 13 x 8 AME
Desarmes – BOT 10 x 10 AME
Interceptações – BOT 4 x 6 AME
Rebatidas – BOT 35 x 35 AME
Cruzamentos – BOT 8/28 (29%) x 2/23 (9%) AME
Lançamentos – BOT 15/36 (42%) x 15/49 (31%) AME
Viradas de jogo – BOT 0 x 2 AME
Dribles – BOT 4 x 4 AME
Perdas de posse de bola – BOT 23 x 20 AME
Faltas – BOT 11 x 20 AME
Cartões amarelos – BOT 1 x 4 AME

Fonte: Redação FogãoNET

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