Análise: Botafogo cai no segundo tempo e Luís Castro não encontra soluções no banco em derrota para o Inter

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Blog da Redação

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Jeffinho e Luís Castro em Botafogo x Internacional | Campeonato Brasileiro 2022
Reprodução/Premiere

O Botafogo voltou a perder no Nilton Santos e desperdiçou a chance de entrar no G8 do Campeonato Brasileiro. O Internacional marcou o gol da vitória no segundo tempo e o Glorioso não teve forças para buscar o empate. Durante todo o jogo, o Glorioso teve problemas para furar a marcação colorada e criar situações de gol. O treinador Luís Castro não encontrou soluções no banco para melhorar o time e viu a equipe terminar o jogo sem ao menos pressionar o adversário. Essa foi a oitava derrota alvinegra como mandante na competição.

Melhorar o desempenho dentro de casa (35% até esta rodada) é fundamental para o Botafogo sonhar com uma vaga na Libertadores da América. Apenas 16 dos 43 pontos do Glorioso foram conquistados no Nilton Santos. Buscar a consistência necessária para estabelecer um modelo de jogo mais propositivo parece o último desafio do trabalho de Luís Castro nesta temporada. Para o duelo com o Inter, o treinador escolheu um time mais alto e forte fisicamente para ganhar a batalha no meio-campo e evitar as oscilações de intensidade que a equipe ainda apresenta.

Daniel Borges, Danilo Barbosa e Philippe Sampaio foram as novidades entre os titulares. Daniel era o único lateral-direito disponível para o jogo e voltou atuar depois de mais de três meses longe dos gramados. Philippe foi o escolhido para substituir Victor Cuesta com o objetivo de reforçar a defesa nas bolas aéreas e também devido à má fase de Kanu. Já Danilo foi a tentativa do treinador dar mais peso ao setor de meio-campo, aumentando o poder de marcação e protegendo a defesa das perigosas investidas em contra-ataque do adversário.

Análise Botafogo x Internacional

E o objetivo do Internacional ficou claro desde os primeiros minutos: baixar as linhas de marcação, fechar o setor central para forçar o jogo alvinegro para as beiradas e explorar a transição em velocidade. O Botafogo começou o jogo com toda a intensidade, encontrando trocas de passes rápidas no campo do adversário sempre em progressão. Logo aos três minutos, Tiquinho conseguiu a primeira finalização perigosa de fora da área. Aos poucos, conforme os gaúchos encaixavam a marcação, o Alvinegro teve dificuldades para acertar passes verticais na intermediária ofensiva. Assim, o time passou a rodar a bola de lado a lado do campo com a jogada terminando, invariavelmente, em uma tentativa de drible frustrada (quatro dribles certos em 11 tentativas no primeiro tempo).

A necessidade de criar espaços em uma defesa fechada exigiu bastante movimentação não apenas dos jogadores de frente, mas também daqueles que chegam de trás. Tchê Tchê, acostumado a jogar na base da construção das jogadas, precisou aparecer em zonas agudas do campo de ataque para ser mais uma opção de passe em um jogo apoiado. Danilo também apareceu no campo de ataque. Além da força física, o volante tem uma boa qualidade de passe e visão de jogo para ajudar o time na fase ofensiva. Contudo, nenhum dos dois pisaram na área para aparecer como mais uma opção de finalização na primeira etapa. Eduardo terminou sobrecarregado como peça de maior mobilidade no meio-campo alvinegro.

Depois de um início de maior posse e pressão sobre o adversário, o Botafogo terminou o primeiro tempo com 48% da posse de bola. Como reflexo da dificuldade de trabalhar a bola no terço final do campo, das sete finalizações do time, cinco foram de fora da área, e só uma acertou o gol. Com o baixo aproveitamento nos dribles e a dependência da equipe nesse tipo de iniciativa individual para gerar desequilíbrios na defesa, a entrada de Jeffinho começou a parecer uma boa solução para explorar o corredor esquerdo. No entanto, Castro optou por manter o time para a segunda etapa.

O treinador procurou corrigir o problema das poucas alternativas ofensivas estimulando os movimentos verticais de Tchê Tchê. Nos primeiros quatro minutos de bola rolando, duas finalizações do meia bem posicionado para definir as jogadas. Mais uma vez, o Botafogo não conseguiu manter o ritmo e pressionar o adversário por mais de dez minutos. Logo, os pedidos vindos da arquibancada pela entrada de Jeffinho voltaram a ecoar. Aos 12 minutos o ponta veio para o jogo no lugar de Victor Sá, que voltou a decepcionar jogando em sua posição preferida.

Ainda que não tivesse exigido trabalho por parte de Gatito, o Inter já havia criado algumas jogadas agudas na área alvinegra desde o início do jogo. Mano Menezes enxergou a possibilidade de vencer o jogo e colocou sangue novo em campo. As mexidas melhoraram o time colorado e não tardaram em dar resultado. Aos 22, com apenas quatro minutos em campo, o argentino Braian Romero abriu o placar depois de uma troca de passes que envolveu o sistema defensivo alvinegro.

E o Botafogo não teve resposta para voltar ao jogo. Logo após o gol, foi o Inter quem seguiu imprimindo velocidade e ameaçando no ataque. Em desvantagem, Castro trocou Danilo e Junior Santos por Matheus Nascimento e Luis Henrique. Depois de entrar bem em alguns jogos e ganhar minutos nas últimas rodadas, chamou atenção a opção por manter Gustavo Sauer no banco. Luis Henrique, de volta após dois meses fora, não entrou bem, muito disperso e excessivamente individualista. Matheus também não conseguiu envolvimento com o jogo da equipe.

Nenhuma alteração de Castro resultou em melhorias no futebol praticado pelo Botafogo. A última delas, a entrada de Sauer no lugar de Adryelson, lançou a equipe em uma espécie de 3-3-4 confuso e pouco produtivo, com alguns jogadores aparentando pouca familiaridade com a função designada. O time não conseguiu sequer estabelecer uma pressão final para buscar o gol de empate.

Análise Botafogo x Internacional

Pela 33ª rodada do Brasileirão, o Botafogo tem pela frente o clássico contra o Fluminense no próximo domingo (23), às 16h, no Maracanã.

Números do jogo: (Sofascore)

Posse de bola – BOT 51% x 49% INT
Passes certos – BOT 408 (84%) x 375 (79%) INT
Finalizações – BOT 12 (3 no gol) x 11 (1) INT
Finalizações dentro da área – BOT 5 x 8 INT
Grandes chances criadas – BOT 0 x 1 INT
Desarmes – BOT 18 x 23 INT
Interceptações – BOT 19 x 11 INT
Cortes – BOT 15 x 26 INT
Cruzamentos – BOT 7/19 (37%) x 2/11 (18%) INT
Bolas longas – BOT 23/44 (52%) x 17/48 (35%) INT
Dribles – BOT 9/24 (38%) x 6/16 (38%) INT
Duelos ganhos – BOT 53 x 57 INT
Duelos aéreos ganhos – BOT 14 x 14 INT
Faltas – BOT 15 x 13 INT
Cartões amarelos – BOT 3 x 4 INT

Fonte: Redação FogãoNET

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