Análise: Botafogo cria e desperdiça bons ataques, flerta com perigo, mas busca vitória sobre Bragantino

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Análise: Botafogo cria e desperdiça bons ataques, flerta com perigo, mas busca vitória sobre Bragantino
Vitor Silva/Botafogo

Depois de acumular duas derrotas em sequência como mandante, o Botafogo voltou a ganhar no Nilton Santos nesta quarta-feira. A vitória por 2 a 1 sobre o Red Bull Bragantino levou a equipe aos 47 pontos e mantém vivo o sonho da classificação para a Libertadores da América. O Glorioso teve uma boa atuação, especialmente no primeiro tempo, mas teve dificuldade em converter as chances criadas em gol, o que poderia ter custado os três pontos. Depois de ser alvo de críticas no clássico do final de semana, Luís Castro voltou a usar pouco o banco. Contudo, o treinador teve boa leitura para melhorar o time no segundo tempo.

A notícia da lesão que vai tirar Eduardo do restante da temporada pegou a todos de surpresa uma hora antes da bola rolar. Na divulgação da escalação, Victor Sá foi o escolhido para substituir o meia. No campo, Junior Santos foi quem jogou centralizado, com Sá aberto pelo lado direito. O Botafogo foi a campo organizado em um 4-2-4 no momento ofensivo, com Tchê Tchê e Gabriel Pires no meio-campo.

Análise Botafogo x Red Bull Bragantino

Sem o camisa 33, Castro escolheu mudar por dois motivos: porque não tem outro jogador que exerça a mesma função de ligação entre o meio-campo e ataque, capaz de baixar para ajudar na construção e chegar na área para finalizar; e também é importante destacar que, com ou sem Eduardo, o treinador precisaria encontrar uma forma de tornar o time mais intenso, criativo e vertical como mandante para criar mais oportunidades de gol.

E não existe uma solução, essencialmente, certa ou errada no futebol. É a velha história do cobertor curto, em que escolher é sempre se expor de alguma maneira. O começo do jogo pareceu complicado para o Botafogo. Sem elos entre os setores, havia um latifúndio a ser coberto pelos meias que pouco conseguiram impactar no jogo. Dessa forma, dois blocos isolados de quatro jogadores tentavam se encontrar em ligações diretas.

Mas logo o Glorioso conseguiu adaptar-se às condições da partida e contornar a falta de ligação. A partir dos 12 minutos, o time encontrou o caminho pelas laterais com as subidas de Daniel Borges e Marçal formando situações de superioridades pelas beiradas. A equipe achou o encaixe para ser intensa no ataque. A intensidade aqui não pode ser confundida com correria voluntarista. Pelo contrário, é a capacidade de criar e executar ações ofensivas com fluidez, naturalidade e de forma coletiva. Com um jogo direto, buscando colocar a bola rapidamente nas laterais para explorar superioridades numéricas, posicionais e situacionais, o Botafogo atingiu essa tão falada intensidade.

Entre o minuto 12 e o minuto 17 da primeira etapa, o Alvinegro finalizou com perigo cinco vezes no gol defendido por Cleiton, acertou cruzamentos e retomou a posse de bola no campo de ataque. A blitz atordoou o adversário e terminou com o gol de Gabriel Pires. Apesar de não conseguir manter a mesma pressão durante os 45 minutos, o time manteve a intensidade e teve chances de ampliar o placar, mas esbarrou em decisões ruins em contra-ataques que deveriam ter sido melhor finalizados. O Botafogo teve 43% da posse de bola no primeiro tempo e finalizou dez vezes contra apenas duas do Bragantino. Dessas dez finalizações, seis foram dentro da área.

No segundo tempo, o Glorioso seguiu superior, trabalhando bem a bola no campo de ataque e finalizando mais que o adversário. No entanto, a pressão na bola e o ímpeto para a retomada rápida da posse já não eram os mesmos. Aos 16, depois de longa posse rodando a bola de lado a lado, o zagueiro do Bragantino teve muito espaço para avançar no campo e cruzar sem qualquer contestação. Um desvio de Adryelson matou toda a defesa alvinegra e Luan Cândido apareceu completamente livre na segunda trave para empatar o jogo. Em 34 jogos no Brasileirão, o sistema defensivo alvinegro saiu de campo sem sofrer gols em apenas nove.

O Botafogo não reagiu bem ao gol. Jeffinho ainda encontrou uma boa finalização que exigiu boa defesa do goleiro, mas o time parecia sem forças para buscar o segundo gol com a formação inicial. Castro leu bem a perda de fôlego que permitiu ao Bragantino tomar conta do meio-campo. O treinador tirou Victor Sá e colocou Patrick de Paula em campo, formando uma trinca de volantes/meias. A alteração encorpou e deu mais mobilidade ao setor de meio-campo alvinegro. A presença de PK liberou Gabriel e Tchê Tchê a avançarem mais no ataque.

Se o time não voltou a jogar com a mesma intensidade do primeiro tempo, a formação com três jogadores no meio reestruturou a equipe. Três minutos depois da entrada de Patrick, o volante levantou a bola na área e viu o lance terminar com Tchê Tchê finalizando para marcar o segundo gol. Na jogada, cinco alvinegros ocupavam a grande área, incluindo Tchê Tchê e Gabriel Pires, um reflexo direto da substituição de Castro.

Patrick tem todas as características técnicas para ser o jogador que Castro busca para ser o “farol” da equipe. A peça capaz de iniciar jogadas fugindo da pressão, queimando linhas defensivas e acertando passes verticais para conectar seus companheiros. É bom ver o jovem ganhando espaço novamente e mostrando que pode ser útil no elenco.

Análise Botafogo x Red Bull Bragantino

O Botafogo volta ao Nilton Santos na próxima terça-feira (1), às 19h, para enfrentar o Cuiabá. Na luta contra o rebaixamento, os matogrossenses perderam cinco de seus últimos oito jogos.

Números do jogo: (Sofascore)

Posse de bola – BOT 42% x 58% RBB
Passes certos – BOT 260 (80%) x 360 (81%) RBB
Finalizações – BOT 18 (8 no gol) x 5 (1) RBB
Finalizações dentro da área – BOT 10 x 2 RBB
Grandes chances criadas – BOT 3 x 2 RBB
Grandes chances perdidas – BOT 2 x 1 RBB
Desarmes – BOT 15 x 11 RBB
Interceptações – BOT 9 x 7 RBB
Cortes – BOT 24 x 19 RBB
Cruzamentos – BOT 4/17 (24%) x 1/16 (6%) RBB
Bolas longas – BOT 25/45 (56%) x 29/49 (59%) RBB
Dribles – BOT 9/13 (69%) x 7/14 (50%) RBB
Duelos ganhos – BOT 47 x 39 RBB
Duelos aéreos ganhos – BOT 11 x 10 RBB
Faltas – BOT 12 x 12 RBB
Cartões amarelos – BOT 1 x 4 RBB

Fonte: Redação FogãoNET

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