Análise: Botafogo produz muito, não marca e os erros de sempre custam a derrota para o Santos

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Blog da Redação

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Elenco em Santos x Botafogo | Campeonato Brasileiro 2022
Reprodução/TV Globo

O Botafogo foi à Vila Belmiro enfrentar o Santos e perdeu por 2 a 0. Entre a frustração com mais uma derrota e a preocupação com a proximidade do Z4, o time apresentou seu melhor desempenho em muito tempo. Falhas individuais e incapacidade de converter as chances criadas em gols custaram um melhor resultado ao Glorioso. A equipe chegou ao quarto jogo seguido sem marcar um gol. Do céu ao inferno, Luís Castro foi bem na montagem da equipe, mas falhou nas substituições.

Botafogo e Santos se encontraram nesta quarta-feira em situação parecida no campeonato. Separados por um ponto na classificação, os dois times têm sofrido para conseguir atuações consistentes na temporada. No recorte dos últimos 30 dias, o Botafogo jogou sete vezes, perdeu seis jogos e conseguiu uma única vitória. Sofreu 12 gols e marcou apenas um. Com a quinta pior média de gols sofridos (1,29 por jogo) do Brasileirão, a defesa é o setor que mais causa dor de cabeça em Luís Castro. Vazado novamente esta noite, o sistema defensivo alvinegro só passou em branco em três dos 18 jogos disputados na competição.

Uma novidade no time titular prometia melhorar o balanço defensivo da equipe. O lateral-esquerdo Marçal chegou para assumir a posição, trazer sua experiência internacional em grandes ligas e reforçar a marcação pelas beiradas do campo. O Glorioso é o terceiro time que mais cede cruzamentos certos (5,65) por jogo no campeonato. Também recém-contratado, Eduardo começou entre os reservas. Depois de se destacar pela personalidade vindo do banco nas últimas partidas, Jeffinho ganhou sua primeira oportunidade entre os titulares. Outro que conquistou a chance de começar o jogo foi Matheus Nascimento, com o artilheiro Erison entre as opções no banco.

Análise Santos x Botafogo

O jogo

Mais uma vez, o Botafogo começou bem o jogo. Organizado defensivamente em um 4-1-4-1, a marcação bem encaixada sufocou o Santos. Somente nos primeiros vinte minutos de partida, a pressão resultou em oito desarmes. E as retomadas de posse de bola se transformaram em chances de gol. Tchê Tchê, Lucas Fernandes e Matheus Nascimento tiveram as primeiras boas chances de abrir o placar para o Glorioso. A dinâmica entre Tchê Tchê e Lucas foi um dos motivos do bom futebol praticado pela equipe. Buscando aproximação, invertendo posição com movimentações constantes e alternando chegadas ao ataque para finalizar, a dupla comandou o meio-campo e ditou o ritmo do jogo.

O espaço na faixa central apareceu também pelo jogo forte dos laterais. Ligado, Saravia começou com muita intensidade, aproveitando o corredor para atacar a profundidade na direita. Em dois momentos, faltou tranquilidade – e um tanto de qualidade técnica – para o lateral tomar a decisão certa e dar a sequência ideal à jogada. Em poucos minutos e toques na bola, Marçal mostrou como pode contribuir e participar ativamente do desenvolvimento da equipe. Com boa leitura e posicionamento defensivo e critério para subir ao ataque, o canhoto foi o jogador que mais tocou na bola no primeiro tempo.

Análise Santos x Botafogo

Aos 32 minutos, o Botafogo controlava o jogo, frustrava o adversário e criava chances de gol. Tinha 55% da posse de bola e oito finalizações. Acertou a trave e obrigou João Paulo a fazer grandes defesas. Criou, finalizou, mas não abriu o placar. Então, a péssima organização defensiva nas bolas paradas voltou a cobrar seu preço. Falta desnecessária de Kanu, bola levantada na área, dois erros de Saravia e gol de Léo Baptistão. O gol atordoou o time e destruiu o psicológico do time. Saravia, que fazia bom jogo até então, voltou a cometer erros de posicionamento e abordagem defensiva semelhantes aos dos últimos jogos.

Jeffinho ajudou o time a se reerguer nos minutos finais da primeira etapa. Lucas Fernandes e o goleiro adversário foram os melhores em campo no primeiro tempo. Apesar dos minutos de instabilidade após o gol, o Botafogo teve um ótimo desempenho. Foi para o intervalo com 13 chutes a gol e 13 desarmes. Com mais tempo de posse de bola, mais passes trocados e melhor aproveitamento nos passes, o time, que é o líder em perdas de posse de bola no campeonato, desperdiçou somente 11 posses. O melhor trato com a bola foi reflexo de um futebol coletivo, com funções bem definidas.

Análise Santos x Botafogo

Vinícius Lopes destoou dos companheiros de ataque e teve atuação discreta. Foi substituído por Lucas Piazon no intervalo. Com a troca de um atacante de lado por um ponta-construtor, Castro buscou aproveitar ainda mais os espaços que o time encontrou na faixa central. O Botafogo ocupou o campo do Santos, teve a maior parte da posse de bola no segundo tempo, mas não criou com a mesma intensidade.

Aos 13, Eduardo substituiu Oyama e fez sua estreia com a camisa alvinegra. O atacante entrou para jogar ao lado de Matheus. Lucas Fernandes recuou para jogar como um meia interior ao lado de Tchê Tchê. Dessa forma, o time ficou em um 4-2-4 com muita gente na frente e exposto atrás. Depois da mudança o Santos passou a ganhar todas as bolas no meio-campo. O time paulista aceitou o jogo de posse do Glorioso, baixou as linhas de marcação e explorou bem os contra-ataques, castigando com velocidade a desesperada transição defensiva alvinegra. Dessa forma, depois de falha de Kanu, matou o jogo com Marcos Leonardo aos 31 minutos.

Análise Santos x Botafogo

O Botafogo teve sua melhor atuação coletiva desde o jogo contra o São Paulo. Luís Castro teve o mérito de montar um time intenso, criativo e concentrado. O mesmo Castro foi mal na leitura de jogo, deslocando o principal jogador do time sua posição e expondo exageradamente a equipe no segundo tempo. Apesar da frustração de mais uma derrota, a chegada de reforços e o amadurecimento de jogadores como Lucas Fernandes e Jeffinho podem oferecer um horizonte para o restante do campeonato.

O Botafogo fecha sua participação no primeiro turno do Brasileirão em casa, no próximo sábado (23), às 21h, contra o Athletico Paranaense. Em 19 jogos sob o comando de Luiz Felipe Scolari, o Furacão foi derrotado apenas duas vezes.

Números do jogo: (Footstats)

Posse de bola – SAN 37% x 63% BOT
Passes certos – SAN 207 (85%) x 478 (93%) BOT
Finalizações – SAN 14 (7 no gol) x 22 (11) BOT
Assistências para finalização – SAN 10 x 16 BOT
Desarmes – SAN 18 x 19 BOT
Interceptações – SAN 7 x 3 BOT
Rebatidas – SAN 24 x 23 BOT
Cruzamentos – SAN 6/16 (37%) x 3/19 (13%) BOT
Lançamentos – SAN 10/30 (33%) x 12/33 (36%) BOT
Viradas de jogo – SAN 3 x 3 BOT
Dribles – SAN 15 x 11 BOT
Perdas de posse de bola – SAN 24 x 27 BOT
Faltas – SAN 15 x 18 BOT
Cartões amarelos – SAN 2 x 2 BOT

Fonte: Redação FogãoNET

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