Análise: Botafogo sobrevive a primeiro tempo ruim e substituições de Luís Castro dão resultado na vitória sobre o Atlético-MG

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Blog da Redação

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Luís Castro em Atlético-MG x Botafogo | Campeonato Brasileiro 2022
Reprodução/SporTV

Por vezes é difícil explicar o sucesso do Botafogo como visitante no Brasileirão. Na noite desta segunda-feira, o time teve 34% da posse de bola, acertou somente 69% dos passes e duas finalizações na direção do gol. As duas finalizações certas foram o bastante para o Glorioso bater o Atlético-MG por 2 a 0 e chegar a nona vitória fora de casa na competição. O desempenho ruim do time no primeiro tempo parecia indicar um destino diferente para o final da partida, mas as substituições de Luís Castro foram fundamentais para a conquista dos três pontos.

Depois da atuação fraca contra o Cuiabá dentro de casa, o Botafogo tinha que dar uma resposta ao seu torcedor. Castro promoveu a entrada de Patrick de Paula no lugar de Victor Sá, fortalecendo o meio-campo e voltando ao 4-3-3. Chamou atenção a escolha por PK, uma vez que o jogador não foi uma opção do treinador entre as cinco substituições feitas na derrota da última terça-feira. Com a alteração, Junior Santos voltou a ocupar o lado direito do ataque e Gabriel Pires ganhou mais liberdade para chegar ao ataque.

Análise Atlético-MG x Botafogo

Se o Botafogo jogava para manter vivas as chances de classificação para a Libertadores, o Galo buscava entrar na zona de classificação direta para a fase de grupos da competição continental. Os donos da casa começaram o jogo com o controle da posse de bola e explorando o lado esquerdo do ataque, com Dodô, Nacho e Keno partindo para cima de Daniel Borges. Foi justamente por ali que aconteceu o primeiro lance de destaque aos 12 minutos de jogo. Uma inversão rápida encontrou Dodô com muito espaço contra Daniel. No cruzamento, Vargas cabeceou para o gol, que acabou anulado por impedimento na origem do lance.

Contudo, ficou evidente na jogada do gol anulado o desequilíbrio que se repetiria em todo o primeiro tempo na marcação do Glorioso. Mesmo com a tentativa de Castro em reforçar o setor de meio-campo, o time não conseguiu pressionar o homem da bola. Dessa forma, o Atlético acertou 21 lançamentos em 30 tentativas. Sem pressão, o adversário tem tempo e espaço para dominar, escolher a melhor jogada e executar o movimento técnico correto. O Galo aproveitou a marcação frouxa para usar bem a amplitude do campo e colocar a bola em seus jogadores de beirada em situações de um contra um.

Aos 16 minutos, o Botafogo perdeu Gatito em lance no qual precisou jogar como zagueiro na cobertura e terminou lesionando o ombro. E o time tinha outros problemas. Na primeira metade da etapa inicial trocou apenas 37 passes (67% de aproveitamento) com 29% d a posse de bola. Contra uma linha de defesa lenta, a velocidade de Jeffinho pareceu sempre a melhor alternativa de fuga ofensiva, mas o time produziu pouco a partir dessa – ou de qualquer outra – jogada. Muito espaçados em campo, os jogadores não conseguiram se encontrar para trabalhar a bola, o que tornou o time, mais uma vez, dependente apenas de uma inspiração individual.

O Glorioso até finalizou mais que o adversário no primeiro tempo, mas sem efetividade. Das cinco finalizações, quatro foram para fora e uma bloqueada. Só uma aconteceu dentro da área. Essa vantagem nas finalizações mostra que o Atlético, apesar do controle da posse e das ações do jogo, não conseguiu ser agudo para transformar o domínio em uma pressão real. O Galo não finalizou nenhuma vez depois da entrada de Lucas Perri.

Castro agiu no intervalo e colocou Lucas Fernandes no lugar de Patrick de Paula. Com a função de ser o terceiro homem na saída de bola, Patrick apareceu pouco devido a incapacidade do time reter a bola. A entrada de Lucas veio acompanhada também de uma tentativa de mudança de postura. O treinador quis ter mais peças para circular a bola no campo de ataque e manter o adversário longe do ataque. A ideia era clara, mas o desempenho seguiu aquém do esperado. Defensivamente, a equipe continuou com erros na marcação em profundidade, o que proporcionou uma boa chance de gol para o Galo que Perri evitou.

Aos 16 do segundo tempo, foi a hora de dar fôlego novo nas beiradas do campo. Victor Sá e Luis Henrique substituíram Junior Santos e Jeffinho, que deixaram o campo sem produzir muita coisa. Castro queria mais opções em torno de Tiquinho. O centroavante passou o jogo inteiro longe da área, buscando jogadas de pivô no meio do campo. A substituição não teve efeito imediato, mas funcionou aos 30 minutos, quando Marçal interceptou um passe e ligou rápido com Luis Henrique na esquerda. Eram quatro atacantes contra três defensores no contra-ataque alvinegro; quatro jogadores chegaram na área e Tiquinho encontrou Victor Sá para marcar o gol.

Com a vantagem no placar, o Botafogo forte como visitante ressurgiu. O Atlético perdeu concentração, forçou jogadas e o Glorioso cresceu. Oito minutos depois de abrir o placar, foi de novo pelo lado esquerdo que o time matou o jogo. Jogada de Marçal, Luis Henrique e Lucas Fernandes. Cruzamento que Tiquinho finalizou sem chances de defesa. Fundamental destacar a presença física do centroavante dentro da área, onde é sempre muito perigoso e deve ser mais acionado. Importante destacar também a noite feliz de Luís Castro na leitura da situação complicada e nas boas substituições que mostraram resultado. O treinador, que mandou mal em rodadas recentes, hoje foi importante para a vitória.

Análise Atlético-MG x Botafogo

O Botafogo volta a campo já na próxima quinta-feira (10), na última apresentação em casa da temporada. O adversário será o Santos, que tem 47 pontos no Brasileirão e uma campanha como visitante de quatro vitórias, seis empates e oito derrotas.

Números do jogo: (Sofascore)

Posse de bola – ATL 66% x 34% BOT
Passes certos – ATL 446 (84%) x 185 (69%) BOT
Finalizações – ATL 11 (1 no gol) x 8 (2) BOT
Finalizações dentro da área – ATL 8 x 3 BOT
Grandes chances criadas – ATL 2 x 1 BOT
Grandes chances perdidas – ATL 2 x 0 BOT
Desarmes – ATL 11 x 22 BOT
Interceptações – ATL 7 x 13 BOT
Cortes – ATL 9 x 23 BOT
Cruzamentos – ATL 6/29 (21%) x 3/8 (38%) BOT
Bolas longas – ATL 38/58 (66%) x 25/60 (42%) BOT
Dribles – ATL 12/23 (52%) x 7/11 (64%) BOT
Duelos ganhos – ATL 57 x 59 BOT
Duelos aéreos ganhos – ATL 16 x 20 BOT
Faltas – ATL 10 x 19 BOT
Cartões amarelos – ATL 2 x 5 BOT

Fonte: Redação FogãoNET

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