Análise: com lado direito frágil, Botafogo não tem reação ao atropelo do Athletico-PR

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Análise: com lado direito frágil, Botafogo não tem reação ao atropelo do Athletico-PR
Vitor Silva/Botafogo

Não deu! No último jogo da temporada, o Botafogo entrou com altas expectativas, mas perdeu por 3 a 0 para o Athletico-PR e viu o sonho de voltar à Libertadores da América ser adiado. Depois de um primeiro tempo com altos e baixos, o Glorioso foi engolido na etapa final e não teve reação aos gols dos donos da casa. A equipe terminou o campeonato com 53 pontos, na 11ª colocação, classificada para a Copa Sul-americana de 2023.

A crença no resultado que classificaria o Botafogo para a principal competição do continente passava diretamente pelo desempenho do time como visitante. Os 57,4% de aproveitamento fora do Nilton Santos permitiram que os alvinegros sonhassem com mais uma vitória longe de casa. O Athletico teve um final de ano com as atenções divididas entre Brasileirão e Libertadores, com uma nítida queda de rendimento nos três meses finais da temporada. Desde setembro, os paranaenses conseguiram apenas três vitórias no campeonato, todas em Curitiba.

A confiança na equipe não exigiu surpresas na escalação de Luís Castro. Patrick de Paula substituiu o suspenso Gabriel Pires. Patrick começou o jogo mais adiantado em relação a Tchê Tchê, com a função de ligação e aproximação do ataque. O grande reforço foi o retorno do lateral-esquerdo Marçal – apontado pela crítica como um dos melhores do campeonato – depois de cumprir suspensão automática.

Análise Athletico-PR x Botafogo

Se em vitórias recentes como visitante o Botafogo teve menos posse de bola desde os primeiros minutos (31% e 33% nos primeiros tempos contra Atlético-MG e São Paulo, respectivamente), o confronto contra o Athletico apresentou outro cenário. O Furacão gosta do jogo em transição com passes diretos e lançamentos e é o terceiro time que menos fica com a bola na competição (em média, 43,9% da posse nos jogos). Na primeira metade da etapa inicial, o Glorioso teve 56% de posse de bola e precisou articular as jogadas de ataque contra a defesa rubro-negra bem postada em seu campo defensivo. O time produziu pouco e conseguiu apenas duas finalizações de fora da área, com Lucas Fernandes e Tiquinho Soares.

O Botafogo manteve o controle da posse e a segurança do sistema defensivo até os 20 minutos. Quando os donos da casa subiram e aumentaram a pressão na marcação, o Alvinegro passou por momentos difíceis. Pelas beiradas do campo, Vitinho e Terans começaram a levar a melhor sobre Daniel Borges e Marçal, enquanto o volume de jogo do Athletico crescia perigosamente. Depois de conseguir a primeira finalização apenas aos 29 minutos, os paranaenses terminaram o primeiro tempo com nove finalizações, com direito uma bola na trave do uruguaio Terans e uma grande chance desperdiçada por Vitor Roque.

Alguns jogadores tiveram um desempenho muito discreto na etapa inicial. Com Tiquinho caindo bastante pelo lado esquerdo do campo, faltaram alternativas ofensivas pelo lado oposto. Daniel Borges e Patrick de Paula chegaram poucas vezes ao campo de ataque, deixando Junior Santos isolado e o corredor direito alvinegro improdutivo. Ao fim dos primeiros 45 minutos, o atacante deixou o campo como o alvinegro que menos tocou na bola (17 ações) e com o segundo pior aproveitamento nos passes (73%). Esse cenário explicita o peso da ausência de Eduardo, com sua movimentação e capacidade de circulação da bola que ajudam a conectar os companheiros e torna o time mais equilibrado.

Análise Athletico-PR x Botafogo

Sem alterações no intervalo, o segundo tempo continuou com os donos da casa melhores em campo. Com a necessidade de buscar a vitória para garantir vaga na fase de grupos da Libertadores, o Athletico passou a ter mais a bola, procurando ocupar o campo de ataque e empurrar a última linha de defesa alvinegra. O Botafogo teve chances em contra-ataques, mas parou em decisões ruins e erros técnicos de Junior Santos e Jeffinho. Aos seis minutos, Daniel Borges e Junior Santos, os dois piores em campo, foram protagonistas do lance que deu origem ao primeiro gol dos paranaenses. O atacante perdeu a bola e o lateral foi facilmente batido na jogada do escanteio que terminou em gol contra de Adryelson.

Uma característica recorrente do Botafogo em 2022 é a forma como o time sente e reage aos gols sofridos. Não é incomum a equipe ruir e ser engolida pelo adversário quando em desvantagem. Aos dez minutos, depois de falha bizarra de Daniel Borges, o Athletico marcou o segundo, mas o VAR anulou o gol por impedimento. O Furacão parecia jogar sozinho e o segundo gol era questão de tempo. Castro tentou colocar o time de volta no jogo com as entradas de Victor Sá e Matheus Nascimento nos lugares de Junior Santos e Patrick de Paula. Aos 16, três minutos depois das mudanças, Terans fez o que quis no meio da defesa alvinegra e a bola sobrou para Vitor Roque ampliar.

A exibição terrível de Daniel Borges terminou aos 23 minutos. Luis Henrique entrou em seu lugar, com Victor Sá improvisado na lateral-direita. Um dado resume a atuação dos dois titulares do lado direito alvinegro: juntos, Daniel e Junior Santos estiveram envolvidos em 18 disputas de bola na partida e foram batidos 13 vezes. O Botafogo conseguiu colocar a bola no chão e voltar ao jogo, embora o adversário tenha estado sempre mais próximo do terceiro gol. Lucas Perri foi o melhor jogador do Glorioso no jogo, com oito defesas, sendo seis no segundo tempo. Aos 31 minutos, Adryelson teve a melhor chance do time no jogo em cobrança de falta de Marçal, mas parou em grande defesa de Bento.

Análise Athletico-PR x Botafogo

Completamente batido e entregue em campo, o Botafogo ainda sofreu o terceiro gol no último lance do jogo, em jogada de absoluta falta de concentração do sistema defensivo. O Athletico finalizou incríveis 15 vezes no segundo tempo, 12 delas dentro da área.

Números do jogo: (Sofascore)

Posse de bola – ATH 41% x 59% BOT
Passes certos – ATH 204 (75%) x 347 (83%) BOT
Finalizações – ATH 25 (10 no gol) x 9 (4) BOT
Finalizações dentro da área – ATH 18 x 5 BOT
Grandes chances criadas – ATH 3 x 1 BOT
Grandes chances perdidas – ATH 2 x 1 BOT
Desarmes – ATH 22 x 20 BOT
Interceptações – ATH 6 x 6 BOT
Cortes – ATH 15 x 17 BOT
Cruzamentos – ATH 7/20 (35%) x 1/10 (10%) BOT
Bolas longas – ATH 19/45 (42%) x 25/46 (54%) BOT
Dribles – ATH 7/18 (35%) x 4/6 (67%) BOT
Duelos ganhos – ATH 51 x 53 BOT
Duelos aéreos ganhos – ATH 10 x 10 BOT
Faltas – ATH 19 x 13 BOT
Cartões amarelos – ATH 1 x 1 BOT

Fonte: Redação FogãoNET

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