Análise: desapontante, Botafogo cede virada ao Goiás e liga o sinal de alerta para a sequência do campeonato

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Análise: desapontante, Botafogo cede virada ao Goiás e liga o sinal de alerta para a sequência do campeonato
Vitor Silva/Botafogo

Depois de dois jogos ruins como visitante, o Botafogo voltou ao Nilton Santos pensando em melhorar o nível de atuação e retomar o caminho das vitórias. O time alvinegro até saiu na frente, gol de Victor Cuesta, mas com requintes de crueldade viu o Goiás virar no segundo tempo com dois gols do ex-alvinegro Pedro Raul. O Glorioso perdeu a oportunidade de voltar ao G4 do Brasileirão e voltou a desapontar a torcida com uma atuação muito pobre do ponto de vista técnico e tático.

O fraco desempenho nas últimas semanas fez Luís Castro mexer bastante na escalação inicial. Foram quatro mudanças em relação ao time que começou o jogo contra o Coritiba. O lateral-direito Renzo Saravia sofreu muito defensivamente no último domingo e perdeu a vaga entre os titulares. Daniel Borges voltou a sua posição original e abriu espaço na lateral-esquerda para Hugo. No meio-campo, o treinador segue em busca de um trio capaz de oferecer dinâmica ofensiva para aumentar em quantidade e qualidade o número de peças no campo de ataque. Tchê Tchê e Lucas Fernandes entraram nas vagas de Del Piage e Chay. E após uma sequência de atuações discretas, Diego Gonçalves perdeu o lugar para Vinícius Lopes. Com a entrada do jovem atacante, Castro procurou mais velocidade e profundidade no lado direito do ataque, mantendo Victor Sá na ponta-esquerda.

A entrada de Lucas Fernandes foi justificada pela boa exibição do meia no segundo tempo do duelo contra o Coritiba. Durante 45 minutos, Lucas buscou o jogo, distribuiu bem a bola e executou boas movimentações de apoio ao jogo nas laterais. Essa é a intensidade buscada por Castro para criar situações de superioridade nas beiradas do campo e, também, envolver Erison em um tipo de jogo mais associativo, com o centroavante menos isolado na frente.

Análise Botafogo x Goiás

E a organização defensiva do Goiás de Jair Ventura demanda presença ofensiva para furar o bloqueio. Sem a bola, o Esmeraldino fechou-se em um 5-4-1 que manteve o ataque alvinegro longe da área. Luís Castro logo percebeu que seria necessário igualar essa linha de cinco para conseguir avançar no campo e trabalhar a bola próximo ao gol adversário. O treinador subiu Hugo na ponta-esquerda e Lucas Fernandes por dentro, mas o time continuou com muitas dificuldades na criação.

Na defesa, o Botafogo continuou com problemas para pressionar a posse de bola de maneira coordenada. O Goiás conseguiu algumas finalizações perigosas no primeiro tempo, fruto de uma transição ofensiva em velocidade que, em trocas de passes rápidas, encontrou muito espaço na defesa alvinegra. Mas o primeiro tempo foi marcado mesmo pela violência do Goiás. Foram 13 faltas nos 45 minutos iniciais. Sempre que o Botafogo conseguiu fazer a defesa goiana correr para trás, com as linhas desorganizadas, a jogada foi interrompida com falta.

Aos poucos, o Glorioso conseguiu crescer na partida e criar oportunidades de gol. Para isso, um lance foi emblemático: aos 42 minutos, Oyama fez uma ultrapassagem e, na sequência, apareceu na área para finalizar de cabeça um cruzamento de Hugo. A bola saiu à esquerda do gol de Tadeu, mas deu indicação de duas mudanças no Botafogo. Os jogadores entenderam a necessidade de pisar na área e o time passou a buscar um jogo mais direto, com passes mais rápidos e longos. A equipe terminou o primeiro tempo com sete viradas de jogo acertadas.

Análise Botafogo x Goiás

O gol que o Cuesta achou no apagar das luzes da primeira etapa nasceu de uma tentativa de jogo direto. Oyama recebeu no meio-campo e rapidamente verticalizou procurando Vinícius Lopes aberto na direita. O lançamento foi cortado pela defesa pela linha de fundo. Na cobrança de escanteio, Daniel Borges distribuiu mais um passe para gol ao colocar a bola na cabeça do “Patrón”, que marcou seu primeiro gol com a camisa alvinegra.

O 1 a 0 no placar no intervalo foi fundamental para desfazer o clima de apreensão que emanava das arquibancadas, trazer a torcida para o jogo e encher os jogadores de confiança. A vantagem também deixou o adversário em situação desconfortável em manter a proposta inicial para o restante do jogo. Na zona de rebaixamento, o Goiás teria que mudar para ter mais opções ofensivas em busca de pontos no Nilton Santos e, consequentemente, oferecer mais espaços para o ataque alvinegro.

De fato, o Botafogo voltou melhor no segundo tempo. Com espaço no ataque, movimentação e muitas trocas de passes, os jogadores pareciam ainda motivados pelo gol e o calor das arquibancadas. O time controlou o meio-campo com o bom aproveitamento nos passes e ocupou o campo de ataque, frustrando as saídas em contra-ataque do adversário. Contudo, o time seguiu criando poucas finalizações e oportunidades de gol.

Análise Botafogo x Goiás

Depois da pressão e controle inicial do Glorioso, o Goiás voltou a encontrar espaço no ataque com velocidade na transição. Jair Ventura usou o banco para renovar o fôlego do time e encontrar novas opções na frente. E do banco vieram as jogadas dos gols. Primeiro, aos 28, Fellipe Bastos, com muito espaço, cruzou de trivela e encontrou Pedro Raul na segunda trave para empatar o jogo. Mais uma vez, a defesa falhou em pressionar o homem da bola, permitindo o cruzamento para a área. Dez minutos depois, um contra-ataque pegou a defesa alvinegra exposta e Vinícius encontrou de novo Pedro Raul, que fez o segundo dos visitantes.

Castro colocou Saravia, Patrick de Paula, Diego Gonçalves e Chay no campo, mas as alterações não mudaram o curso do jogo. Diego foi quem teve mais tempo em campo e voltou a desapontar. Os outros três entraram já com a equipe coletivamente em frangalhos e sucumbiram ao desespero que tomou conta do Botafogo. Bolas para a área sem qualquer critério foram a única alternativa de resposta do time no final do jogo. Patrick de Paula foi vaiado desde o primeiro toque na bola e toda a equipe deixou o campo sob vaias após o apito final.

Análise Botafogo x Goiás

Em vias de entrar em uma fase mais complicada da tabela, quando vai enfrentar mais equipes da parte de cima da classificação, o Botafogo patinou e deixou pontos importantes no caminho. Esse ainda é o início de um trabalho pensado para acontecer em longo prazo, por isso, são comuns deslizes e percalços no caminho. O torcedor quer sempre ver o time vencendo e, se possível, jogando bem. As vaias após uma derrota em casa são comuns. Cabe à gestão do futebol alvinegro a análise cuidadosa sobre alguns jogadores que não estão rendendo e possíveis reforços para dar profundidade ao elenco.

Na próxima quinta-feira (9), às 19h, o Botafogo vai encarar o Palmeiras no Allianz Parque. Depois do empate em 0 a 0 com o Atlético-MG no último domingo, o Alviverde é vice-líder da competição e registra duas vitórias, dois empates e uma derrota nos cinco jogos como mandante no Brasileirão.

Números do jogo: (Footstats)

Posse de bola – BOT 54% x 46% GOI
Passes certos – BOT 388 (90%) x 207 (81%) GOI
Finalizações – BOT 15 (5 no gol) x 11 (5) GOI
Assistências para finalização – BOT 11 x 7 GOI
Desarmes – BOT 7 x 14 GOI
Interceptações – BOT 7 x 6 GOI
Rebatidas – BOT 21 x 57 GOI
Cruzamentos – BOT 3/33 (9%) x 5/15 (33%) GOI
Lançamentos – BOT 10/28 (36%) x 13/31 (42%) GOI
Viradas de jogo – BOT 11 x 2 GOI
Dribles – BOT 5 x 4 GOI
Perdas de posse de bola – BOT 29 x 22 GOI
Faltas – BOT 11 x 22 GOI

Fonte: Redação FogãoNET

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