Análise: em jogo de muita organização e pouca inspiração, Botafogo busca talento no banco para vencer o Goiás

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Blog da Redação

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Del Piage em Goiás x Botafogo | Campeonato Brasileiro 2022
Reprodução/TV Globo

Organização, concentração e suor foram as principais virtudes do Botafogo na vitória de 1 a 0 sobre o Goiás no Estádio da Serrinha. O toque de talento que o time precisou para conquistar os três pontos saiu do banco, com as entradas de Jeffinho e Del Piage no segundo tempo. O primeiro adicionou alguma imprevisibilidade à equipe. O segundo, vontade e confiança. O Glorioso chegou a marca de quatro jogos sem perder, alcançou os 37 pontos e terminou a 28ª rodada na nona colocação do Brasileirão.

Castro precisou lidar com algumas ausências importantes para escalar o time titular. Gatito convocado pela seleção paraguaia, Eduardo cumprindo suspensão automática pelo terceiro cartão amarelo e Lucas Fernandes que teve uma lesão muscular na coxa. Por isso, o goleiro Lucas Perri fez sua estreia na meta alvinegra. No meio-campo, Gabriel Pires assumiu a função de articulador e Lucas Piazon com a responsabilidade de chegar ao ataque. Outra novidade foi a saída de Jeffinho da equipe. Depois de alguns jogos discretos da jovem promessa, o treinador escalou Victor Sá pelo lado esquerdo em busca de mais consistência. Destro, o extremo parece mais confortável na faixa esquerda do campo, com a possibilidade de, não somente buscar a linha de fundo, mas também explorar as diagonais em direção ao gol.

Análise Goiás x Botafogo

O Goiás não contou com seu principal jogador, o atacante Pedro Raul, autor de 15 gols no campeonato (metade dos gols do time) e velho conhecido do torcedor alvinegro. O time de Jair Ventura e seu futebol reativo é o que menos fica com a bola no Brasileirão, com média de 43% da posse de bola. Como o Esmeraldino baixou as linhas para pressionar a bola apenas na própria intermediária, o Botafogo conseguiu ficar com a bola e trocar passes no campo de ataque, especialmente pelo lado esquerdo com Marçal orquestrando as ações com Victor Sá e Piazon. O lateral foi o jogador com mais ações com a bola (116) e passes certos no primeiro tempo (29).

Aos 20 minutos de jogo, o Glorioso já registrava cinco finalizações – nenhuma na direção do gol – e 55% da posse de bola. Apesar de recuado, o Goiás cedeu muito espaço para o sistema ofensivo alvinegro. Victor Sá conseguiu boa finalização aos sete minutos. Aos 15, boa chance na jogada mais perigosa que o Botafogo é capaz de criar: a bola parada. Escanteio muito bem cobrado por Marçal e cabeçada de Adryelson que levou perigo ao gol defendido por Tadeu. Tiquinho foi o primeiro a acertar o gol em finalização aos 27 minutos que obrigou o goleiro a fazer ótima defesa. O Botafogo terminou o primeiro tempo com nove finalizações – duas no gol – contra apenas uma do adversário.

O Glorioso encontrou espaço para finalizar, teve bom aproveitamento nos passes, mas faltou capricho na definição das jogadas no terço final do campo. Em um jogo em que ambas as equipes buscavam a verticalidade a todo momento, o Botafogo pecou nas tentativas de passes decisivos nas imediações da área adversária. A atuação pouco inspirada dos jogadores de beirada também contribuiu para a dificuldade na criação de chances reais de gol. Victor Sá e Junior Santos tiveram dificuldade em dar sequência em algumas jogadas. Junior apareceu com destaque apenas aos 43 minutos, quando flutuou para a faixa central e conseguiu tabela com Piazon.

O Botafogo foi organizado na primeira etapa, mas pouco inspirado. Foi o dia abaixo da média no quesito técnico que impediu um jogo de maior controle da parte do Alvinegro. Piazon procurou executar a mesma função de Eduardo, mas não foi capaz de dar a mesma velocidade na bola, seja no passe ou na arrancada, o que prejudicou a dinâmica ofensiva da equipe. Sem criatividade para gerar situações de gol, sobraram cruzamentos pouco aproveitados para tentar o gol (dois acertos em 13 tentativas). O time goiano teve uma única alternativa ofensiva, o passe longo buscando Nicolas no embate com a defesa. Com a função de colar no centroavante e disputar a primeira bola, Adryelson foi imbatível com 100% de aproveitamento nos 11 duelos contra o ataque adversário. A dupla formada com Cuesta voltou a mostrar muita segurança defensiva.

A primeira alteração de Castro foi aos 11 minutos da segunda etapa. Jeffinho foi para o campo no lugar de Victor Sá. Apesar do foco das ações ofensivas pelo lado esquerdo, Sá não fez um bom jogo, levando a pior na maior parte das disputas em que esteve envolvido. Jeffinho foi a aposta do treinador pelo drible que pode desequilibrar uma defesa. Jair Ventura mexeu no intervalo corrigindo o espaçamento da marcação esmeraldina que possibilitou tantas finalizações no primeiro tempo. Mais compacto, o Goiás foi capaz de ser mais perigoso no ataque, conseguindo sua primeira finalização na direção do gol.

O Botafogo recuperou a organização e voltou a finalizar no gol de Tadeu (foram sete na segunda etapa, quatro na direção do gol). Na tentativa de mudar as coisas no ataque alvinegro, Sauer e Del Piage entraram nas vagas de Junior Santos e Lucas Piazon. Sauer aproveitou bem o espaço na intermediária para finalizar com perigo de fora da área. Del Piage, depois de dois meses fora, decidiu o jogo para o Glorioso. Em jogada com Jeffinho pela esquerda, o meia finalizou cruzado da entrada da área para vencer o goleiro adversário. No fim, se as substituições de Castro não transformaram o futebol da equipe, elas foram fundamentais para o Glorioso conseguir sua sexta vitória fora de casa.

Análise Goiás x Botafogo

O Botafogo volta a campo na segunda-feira (3), quando recebe o líder Palmeiras no Nilton Santos. Invicto como visitante no Brasileirão (oito vitórias e seis empates), o alviverde sustenta um impressionante aproveitamento de 71%, com 19 gols marcados e apenas oito sofridos fora do Allianz Parque.

Números do jogo: (Footstats)

Posse de bola – GOI 46% x 54% BOT
Passes certos – GOI 242 (86%) x 324 (90%) BOT
Finalizações – GOI 5 (1 no gol) x 17 (6) BOT
Desarmes – GOI 18 x 12 BOT
Interceptações – GOI 2 x 1 BOT
Rebatidas – GOI 54 x 42 BOT
Cruzamentos – GOI 2/14 (14%) x 4/27 (15%) BOT
Lançamentos – GOI 17/50 (34%) x 13/45 (29%) BOT
Viradas de jogo – GOI 2 x 0 BOT
Dribles – GOI 5 x 4 BOT
Perdas de posse de bola – GOI 31 x 27 BOT
Faltas – GOI 16 x 14 BOT
Cartões amarelos – GOI 4 x 4 BOT

Fonte: Redação FogãoNET

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