Análise: Luís Castro mexe bem e Botafogo cresce no segundo tempo para bater o Coritiba 

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Análise: Luís Castro mexe bem e Botafogo cresce no segundo tempo para bater o Coritiba 
Vitor Silva/Botafogo

Em jogo de tempos distintos, o Botafogo precisou trabalhar até o final para chegar à vitória de 2 a 0 sobre o Coritiba. Depois de amargar 426 minutos sem marcar gols no Nilton Santos, o time lutou para voltar a vencer dentro de casa. As alterações do treinador Luís Castro no intervalo funcionaram e o time cresceu de produção no segundo tempo. O Glorioso chegou aos 34 pontos e pode olhar para cima com mais tranquilidade em busca de posições e sonhos mais altos no Brasileirão.

O Coritiba veio para o Rio como o pior visitante do campeonato. Até este sábado, foram dois empates e dez derrotas em 12 jogos – dois pontos em 36 possíveis – fora do Couto Pereira. O time havia marcado dez gols e sofrido 29 longe da capital paranaense. Oportunidade perfeita para o Botafogo melhorar o seu péssimo aproveitamento como mandante, o segundo pior da competição. Nos 13 jogos anteriores no Nilton Santos, apenas três vitórias, quatro empates e seis derrotas – 13 pontos em 39 disputados.

A aposta de Luís Castro para quebrar o jejum de três jogos dentro de casa sem marcar foi a entrada de Junior Santos na vaga de Victor Sá. O atacante não saiu do banco no último domingo contra o América, quando o treinador optou por fazer apenas duas substituições durante o jogo. Na partida contra os mineiros, Tiquinho Soares foi alvo de 25 passes, sendo 16 deles oriundos de jogadores da linha de defesa alvinegra. No estilo de jogo direto da equipe, ficou evidente a falta de companhia para o centroavante conseguir dialogar e não ter que forçar tantos passes em profundidade. Junior Santos entrou para ser mais uma referência para passes longos e cumprir essa função de aproximação com Tiquinho, partindo da ponta direita para a faixa central.

Análise Botafogo x Coritiba

Castro esperava um jogo de poucos espaços, com o adversário recuado marcando em linhas baixas. A entrada de Junior também procurou aumentar a presença alvinegra na área do Coritiba. Com frequência, o atacante juntou-se a Eduardo e Tiquinho aguardando cruzamentos e aos 19 minutos esteve perto de abrir o placar em boa jogada individual. Voltou a criar perigo aos 34 minutos do primeiro tempo, mais uma vez em iniciativa própria.  O Botafogo conseguiu ter posse (59%) e ótimo aproveitamento nos passes (91%) nos primeiros 25 minutos da etapa inicial, mas essa posse ficou concentrada no meio de campo, distante da área. Faltou velocidade na articulação das jogadas para conseguir criar chances de gol.

Defensivamente, Saravia foi eleito como o mapa do tesouro pelo Coritiba. Toda a estratégia da equipe consistiu em explorar situações de um contra um sobre o lateral, especialmente com Alef Manga. Embora seja o terceiro jogador com mais desarmes (53) no Brasileirão, o número maquia um defeito crônico em sua abordagem de marcação. O argentino tem dificuldades no posicionamento, na postura corporal e no tempo de bola, o que o faz ser batido constantemente por adversários que exploraram suas fraquezas. Apesar da atuação fraca do lateral, os paranaenses também não conseguiram ser eficazes no ataque. Abusaram dos cruzamentos, mas pararam nas atuações seguras de Adryelson e Cuesta na defesa da área.

Depois do início de controle da posse, o Botafogo perdeu força e permitiu que o Coritiba crescesse no jogo. Eduardo começou procurando muita movimentação, flutuando por diferentes setores do campo, mas não manteve a intensidade e cometeu muitos erros técnicos, terminando o primeiro tempo como o alvinegro que mais perdeu a posse de bola. Lucas Fernandes também não teve uma grande atuação. Foi o jogador que mais distribuiu passes (26) no primeiro tempo, mas produziu pouco a partir desses passes e teve dificuldades para encontrar seu lugar em campo. 

Análise Botafogo x Coritiba

Vaiado na saída para o intervalo, estava claro que eram necessárias mudanças no time para o segundo tempo. E Castro mexeu logo três vezes: Danilo Barbosa, Gabriel Pires e Victor Sá entraram nas vagas de Tchê Tchê, Lucas Fernandes e Jeffinho. Danilo entrou para aumentar o poder de marcação no meio-campo e melhorar a proteção a defesa, muito exposta aos contra-ataques. Gabriel Pires e Victor Sá foram escolhas técnicas para substituir jogadores em noites discretas. Rapidamente, os dois produziram mais que Lucas e Jeffinho fizeram em todo o primeiro tempo.

O jogo virou uma ‘briga de rua’ no começo da etapa final. Se no Botafogo as alterações deixaram o time mais agudo e vertical, o Coritiba voltou atento e esteve perto de chegar ao gol em contra-ataques bem armados que o sistema defensivo alvinegro não conseguiu impedir durante todo o jogo. No ataque, Victor Sá e Junior Santos acertaram a trave. O Glorioso passou a aproveitar melhor os cruzamentos e passes longos, o que possibilitou mais jogadas no terço final, próximas ao gol defendido por Gabriel. A trocação franca de lado a lado durou 15 minutos, até que o Alvinegro conseguiu voltar a se impor em campo.

Aos 28 minutos, o Botafogo abriu o placar explorando algumas das melhores características de dois dos seus melhores jogadores. Cobrança de falta perfeita de Marçal e antecipação esperta de Cuesta para cabecear para o gol. Terceiro gol do zagueiro no campeonato. Aos 33, a pressão alta que pouco havia funcionado até então deu resultado. Eduardo recuperou a bola e serviu Tiquinho, que empurrou para o gol vazio e marcou pela primeira vez com a camisa alvinegra.

Os números mostram como o time foi mais efetivo no segundo tempo. Foram nove finalizações, cinco cruzamentos certos, 53% de aproveitamento nos lançamentos e 100% de acerto nos dribles nos 45 minutos finais. Na primeira etapa foram quatro finalizações, um cruzamento certo, 37% nos lançamentos e 70% nos dribles.

Análise Botafogo x Coritiba

Por causa das datas FIFA, o Brasileirão para na próxima semana e o Botafogo volta a campo apenas na quarta-feira (28) fora de casa contra o Goiás. O Esmeraldino vem em boa fase na competição, com três vitórias e dois empates nos últimos cinco jogos.

Números do jogo: (Footstats)

Posse de bola – BOT 53% x 47% COR
Passes certos – BOT 327 (88%) x 274 (85%) COR
Finalizações – BOT 13 (6 no gol) x 15 (2) COR
Desarmes – BOT 10 x 12 COR
Interceptações – BOT 4 x 7 COR
Rebatidas – BOT 56 x 30 COR
Cruzamentos – BOT 6/15 (40%) x 5/32 (16%) COR
Lançamentos – BOT 15/34 (44%) x 11/32 (34%) COR
Viradas de jogo – BOT 4 x 1 COR
Dribles – BOT 13 x 4 COR
Perdas de posse de bola – BOT 28 x 29 COR
Faltas – BOT 12 x 17 COR
Cartões amarelos – BOT 2 x 4 COR

Fonte: Redação FogãoNET

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