Análise: em mais uma derrota em casa, Botafogo mostra muita luta e pouco futebol contra o Atlético-MG

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Análise: em mais uma derrota em casa, Botafogo mostra muita luta e pouco futebol contra o Atlético-MG
Vitor Silva/Botafogo

Com o elenco despedaçado por lesões e suspensões, o Botafogo foi derrotado por 1 a 0 pelo Atlético Mineiro no Nilton Santos. Com todas as limitações táticas, técnicas e físicas do time, o Glorioso disputou a partida com garra e deixou o campo apoiado pela torcida. A bronca sobrou para o treinador Luís Castro novamente. Essa foi a quinta derrota da equipe em oito jogos em casa no campeonato, a terceira pior campanha como mandante da competição.

As duas equipes entraram em campo pressionadas por melhores desempenhos e resultados. Até este domingo, o Botafogo havia perdido oito dos últimos 11 jogos, contando Brasileirão e Copa do Brasil. O Galo acumula atuações pouco convincentes e derrotas em momentos chave da temporada, como na eliminação da última quarta-feira contra o Flamengo. Por isso, os dois treinadores entraram pressionados para conseguir os três pontos. Antonio Mohamed teve a maior parte de suas principais estrelas. Já Luís Castro precisou de criatividade para escalar o time titular.

Com 12 desfalques, o Botafogo mandou a campo um arremedo daquilo que o treinador imagina como a equipe ideal. Os desfalques por lesão e suspensão poderiam formar um time completo: Gatito, Daniel Borges, Carli, Cuesta e Carlinhos/Hugo; Breno, Kayque e Patrick de Paula; Rafael, Diego Gonçalves e Victor Sá. Dessa forma, Douglas Borges, o terceiro goleiro, assumiu o gol após indisposição de Gatito. DG, a quarta opção para a lateral-esquerda, fez sua estreia como titular.

Análise Botafogo x Atlético-MG

Entre as estatísticas do Glorioso no campeonato, uma pode ser explicada pelas mudanças constantes na equipe: o time lidera com folga em perdas de posse de bola. O excesso de desperdício de bola (média de 31,6 por jogo) passa diretamente pela falta de padrão coletivo e entrosamento dos jogadores. Sem o domínio da ocupação de espaços e movimentações treinadas para abrir defesas, o time fica dependente de soluções individuais para problemas coletivos. Uma tabela de Lucas Fernandes, um drible de Sauer, uma chance de gol criada na marra por Erison. Sem um sistema estabelecido que potencialize essas individualidades, acontece uma sucessão de erros na fase ofensiva.

Neste domingo, foi a partir dos esforços de Lucas Fernandes que o Botafogo equilibrou a partida no Nilton Santos. O meia foi a referência da equipe na organização e distribuição do jogo alvinegro. Nos primeiros 20 minutos, o time errou muitos passes (70% de aproveitamento) e, por isso, não conseguiu ter a posse (35%). Uma boa organização e atitude defensiva fizeram a equipe melhorar e competir no jogo. No decorrer do primeiro tempo, a pressão da marcação na saída de bola do Atlético encaixou e o Botafogo conseguiu algumas retomadas de bola no campo ofensivo. Erison também ganhou destaque levando a melhor contra a defesa na base da força.

Apesar dos problemas, o Botafogo fez um jogo digno nos primeiros 45 minutos. Quando a pressão na frente funcionou, o time foi competitivo e teve bons momentos. Mas quando o Galo escapou da pressão inicial, a passividade da marcação alvinegra voltou a causar dificuldades para o time. Turco Mohamed abriu Eduardo Vargas no lado direito e achou espaços no setor defendido por DG e Vinícius Lopes. Luís Castro gritou, berrou, clamou, mas não conseguiu organizar o posicionamento da linha comandada por Oyama e Tchê Tchê. A dupla fez um jogo abaixo dos companheiros e deu muito espaço para os adversários na intermediária. Luís Oyama cometeu quatro faltas, errou três passes em 11 tentativas e foi desarmado duas vezes.

Análise Botafogo x Atlético-MG

Em um primeiro tempo de poucas chances, o Galo teve as duas melhores oportunidades. O Botafogo não conseguiu chutar em direção ao gol. Com os volantes sumidos no jogo, Gustavo Sauer visivelmente fora de ritmo e Vinícius Lopes muito comprometido com as funções defensivas, as opções ofensivas estavam limitadas. Com pouquíssimas opções no banco, o Botafogo precisaria continuar atuando no limite de entrega para seguir competindo. O natural seria sucumbir a uma equipe com mais talento disponível em campo e no banco de reservas.

É possível explicar a queda de rendimento do Botafogo no segundo tempo comparando as substituições dos dois times. No lado do Glorioso, Jeffinho, Lucas Mezenga, Del Piage, Piazon e Matheus Nascimento. No Atlético, Nathan Silva, Otávio, Ademir, Keno. Com o elenco dilacerado por lesões e jogadores contratados que ainda não entregaram o esperado, o Botafogo pode mirar no rival desta noite para planejar a formação de um elenco vencedor em longo prazo.

O Galo marcou o gol aos nove minutos da segunda etapa. Em marcha lenta, Sauer perdeu a bola dentro da área e viu Zaracho ‘cruzar’ para dentro do gol. Douglas Borges também poderia ter feito melhor no lance. A jogada evidenciou a necessidade de mudanças no time. Jeffinho substituiu Sauer e voltou a mostrar personalidade, mas foi mais um a tentar criar exclusivamente a partir de dribles e ações individuais. DG cumpriu a cota de lesionado do jogo e, sem outras opções para a lateral-esquerda, deu lugar a Lucas Mezenga.

Apesar da vantagem no placar e do time mais talentoso, o Atlético não conseguiu controlar e matar o jogo. O Botafogo mostrou superação para disputar a partida. Disputar é a palavra. Faltou talento, organização, tática, mas não faltou disputa. Sem grandes alternativas criativas, o time cruzou 18 bolas na segunda etapa com apenas quatro acertos. Ainda assim, na base da pressão, foram nove finalizações na etapa final. O time também melhorou o aproveitamento nos passes (89%) e teve mais posse de bola (42%) em comparação ao primeiro tempo.

Análise Botafogo x Atlético-MG

O Botafogo volta a campo na próxima quarta-feira (20), às 21h30, contra o Santos na Vila Belmiro.Sem treinador após a demissão do argentino Fabián Bustos, o Peixe ocupa a nona colocação do Brasileirão com 22 pontos.

Fonte: Redação FogãoNET

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