Análise: mesmo no pior desempenho sob o comando de Luís Castro, Botafogo é competitivo para buscar o empate com o América-MG

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Blog da Redação

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Elenco (jogadores) em América-MG x Botafogo | Campeonato Brasileiro 2022
Reprodução/Premiere

Na noite fria de Belo Horizonte o fogo custou a acender. O Botafogo teve muitos problemas no confronto com o América-MG que terminou empatado em 1 a 1. Depois de um péssimo primeiro tempo, a segunda etapa do Alvinegro foi marcada pela resiliência, a capacidade de manter-se vivo na partida mesmo com pouca coisa funcionando na equipe. E mais uma vez ‘El Toro’ Erison balançou as redes e garantiu um ponto importante para o Glorioso no Brasileirão.

Para o confronto como visitante, Luís Castro procurou mexer pouco na equipe. A única mudança em relação ao time que venceu o Fortaleza no último domingo foi a entrada de Patrick de Paula no lugar de Lucas Fernandes. O treinador segue em busca do melhor equilíbrio no setor de meio-campo e apostou na polivalência de PK para encorpar o time. Formando uma trinca com Oyama e Tchê Tchê, coube ao camisa oito o papel de buscar aproximação com os jogadores de frente.

Outra posição que ainda não parece definida por Castro é a do lado direito de ataque. Desde a lesão de Gustavo Sauer, Diego Gonçalves fez o seu terceiro jogo seguido como titular, alternando momentos nas duas pontas. Atuando pela direita, Diego ainda procura melhor adaptação e perde duas de suas principais características: o drible curto no um-contra-um e a diagonal buscando a finalização com o pé direito. Lucas Piazon, outra opção para a posição, ainda não justificou em campo sua escalação.

Análise América-MG x Botafogo

Com a bola rolando, o Botafogo teve dificuldade para impor seu jogo no Independência. O trio de meias não funcionou como o treinador pretendia e o time ficou muito espaçado no primeiro tempo, dificultando a interação e a troca de passes em progressão. O resultado foi uma transição ofensiva muito lenta e dependente de jogadas individuais devido à falta de opções de construção coletiva. O América também começou com problemas de criação, mas começou a encontrar brechas por dentro do sistema defensivo alvinegro a partir dos 25 minutos e começou a finalizar bastante. Foram dez finalizações do Coelho contra apenas uma do Glorioso na primeira etapa.

Um dado do primeiro tempo evidenciou a falta de padrão no ataque alvinegro, que fez a equipe jogar de forma aleatória: apesar da posse de bola equilibrada (BOT – 52% x 48% – AME), o Botafogo perdeu a posse 23 vezes contra apenas 12 do adversário. Diego Gonçalves, com cinco, Erison e PK, com quatro, lideraram a equipe nos desperdícios de bola. O índice de acerto de passes esteve dentro da média do time no campeonato (90%) e os lançamentos funcionaram (54%), o que reforça a tese de que as perdas de posse ocorreram pelo excesso de individualismo provocado pela falta de uma ideia clara sobre o que fazer com a bola. O jogo com poucas interações e associações dificultou muito o trabalho dos jogadores do ataque alvinegro.

Análise América-MG x Botafogo

Aos 37 minutos, o América abriu o placar em um lance em que o Botafogo foi incapaz de pressionar o homem da bola desde a saída na cobrança de tiro de meta até a finalização de Aloísio. Além do erro coletivo do sistema defensivo que pouco incomodou a progressão do ataque adversário, três erros individuais estenderam o tapete vermelho para o Coelho. Victor Cuesta e Daniel Borges escorregaram na marcação, enquanto Saravia deu o passe para o autor do gol.

A solução de Castro para fazer a equipe mais presente no campo de ataque foram as entradas de Del Piage e Vinícius Lopes. Tchê Tchê não conseguiu ser efetivo na distribuição de jogo e deixou o campo. A aposta por Vinícius buscou mais profundidade pelo lado direito, o que Diego Gonçalves não vem sendo capaz de oferecer. O Botafogo mostrou outra postura, passou a rondar mais a área adversária com o posicionamento mais avançado de PK e Del Piage, mas continuou com sérias dificuldades de finalizar no gol defendido por Jaílson.

Mas o Botafogo seguiu sofrendo com erros técnicos de alguns de seus principais jogadores. Daniel Borges, Patrick de Paula, Victor Sá e Erison sucumbiram ao jogo coletivo ruim da equipe e não conseguiram brilhar como em outras atuações. Daniel saiu para a entrada de Hugo, Patrick deu lugar a Matheus Nascimento. O jovem atacante entrou para formar dupla de ataque com o Toro e aumentar a presença de jogadores alvinegros na área do adversário. O América fez o oposto, trocou atacante por volante e recuou muito as linhas de marcação para diminuir os espaços no seu campo de defesa.

Análise América-MG x Botafogo

O recuo excessivo do time da casa fez o Botafogo crescer em campo, mesmo em um dia técnica e taticamente ruim. Em busca do empate, Luís Castro colocou Lucas Fernandes no lugar de Saravia, deslocando Oyama para a lateral. Vinícius não mudou o jogo, não fez grandes jogadas, mas mudou a dinâmica do ataque com novas possibilidades de jogo pela direita. Dos pés dele saiu uma finalização errática que terminou em escanteio para o Glorioso. Lucas cobrou e Erison – sempre ele – empatou o jogo para o Glorioso. Quinto gol do centroavante no Brasileirão.

Na base do abafa, o Botafogo foi para cima e ainda teve chances de sair com a vitória em lances que Erison e Victor Sá obrigaram Jaílson a fazer boas defesas. No final, o empate pareceu um bom resultado para a equipe, diante do desempenho ruim em Belo Horizonte. O Glorioso chegou aos 12 pontos e se manteve no G4 do campeonato.

Análise América-MG x Botafogo

O próximo desafio do Alvinegro será como visitante mais uma vez. O time viaja até Curitiba para enfrentar o Coritiba no próximo domingo (29), às 16h. O Coxa vem de derrota para o Atlético-GO, mas venceu os três jogos que fez no Couto Pereira no Brasileirão.

Números do jogo: (Footstats)

Posse de bola – BOT 57% x 42% AME
Passes certos – BOT 395 (90%) x 238 (83%) AME
Finalizações – BOT 8 (5 no gol) x 10 (3) AME
Assistências para finalização – BOT 5 x 6 AME
Desarmes – BOT 19 x 15 AME
Interceptações – BOT 3 x 2 AME
Rebatidas – BOT 41 x 30 AME
Cruzamentos – BOT 2/23 (9%) x 6/16 (37%) AME
Lançamentos – BOT 21/40 (52%) x 14/41 (34%) AME
Viradas de jogo – BOT 3 x 5 AME
Dribles – BOT 6 x 1 AME
Perdas de posse de bola – BOT 45 x 27 AME
Faltas – BOT 9 x 19 AME

Fonte: Redação FogãoNET

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