Análise: mexidas ruins de Luís Castro desorganizam o time e Botafogo perde para o Avaí

52 comentários

Blog da Redação

Blog da Redação

Compartilhe

Análise: mexidas ruins de Luís Castro desorganizam o time e Botafogo perde para o Avaí
Reprodução/Premiere

Em noite melancólica, o torcedor do Botafogo voltou a presenciar cenas que todos pensavam fazer parte do passado. A derrota para o Avaí pelo placar de 1 a 0, com incrível gol de falta do ex-alvinegro Kevin, jogou a equipe na zona de rebaixamento do Brasileirão e provocou muitas vaias nas arquibancadas do Nilton Santos. O início de trabalho do treinador português Luís Castro tem encontrado mais dificuldades do que o esperado. O Glorioso voltou a apresentar problemas de organização e não foi capaz de pressionar o adversário em busca do empate.

Depois de três derrotas consecutivas e quatro jogos sem vitórias, o Botafogo chegou para o confronto com o Avaí à beira do Z4, e foi ultrapassado pelo próprio time catarinense. O campeonato ainda embolado no meio da tabela permitiria que o Glorioso alcançasse a oitava colocação na classificação com a conquista dos três pontos.

Apesar dos resultados ruins, Luís Castro seguiu buscando um padrão para o time, não promovendo revoluções na escalação da equipe titular. No confronto desta segunda-feira, foram apenas duas mudanças nos nomes que iniciaram a partida contra o Palmeiras, mas algumas diferenças de posicionamento. Desfeitas as improvisações e sem contar com Saravia (suspenso) e Lucas Fernandes (lesionado), Chay assumiu a função de armação no meio-campo, enquanto Erison voltou ao comando de ataque.

Análise Botafogo x Avaí

O duelo contra o Avaí colocou os botafoguenses diante de um velho conhecido, o treinador Eduardo Barroca. O estilo de posse de bola estéril e construção a partir de passes curtos pouco objetivos já foi alvo de muitas críticas na passagem de Barroca pelo Nilton Santos. Hoje, o Avaí tem a décima maior média de posse de bola do Brasileirão e o sétimo pior aproveitamento nos passes. Falta qualidade nos comandados do treinador para a execução ideal de sua proposta de jogo.

Nos primeiros dez minutos da partida, o Botafogo foi ativo na marcação, subindo linhas e pressionando a saída de bola adversária. A postura provocou erros de passe e situações ofensivas interessantes que não foram aproveitadas. Chay encontrou espaço entre as linhas de marcação e conseguiu receber passes fora da zona de pressão, com a possibilidade de dar prosseguimento nas jogadas. Com frequência, o camisa 14 caiu pelo lado esquerdo para buscar um jogo apoiado com Victor Sá e potencializar as características do ponta.

Mas tudo isso não durou mais que 10 minutos. Logo, o Botafogo baixou as linhas, tirou a pressão na saída de bola e permitiu que o Avaí ‘cozinhasse’ o jogo, tirando a velocidade e rodando a bola de lado-a-lado do campo. A posse dos catarinenses chegou próxima aos 60%, mas não se refletiu em finalizações no gol defendido por Gatito. Durante o período de maior posse do adversário, voltou a chamar atenção o fraco poder de desarme do sistema defensivo alvinegro. Foram apenas dois desarmes no primeiro tempo, contra sete do Avaí.

Os melhores momentos da equipe na etapa inicial surgiram de trocas de passes rápidos, jogadores saindo de suas posições e movimentações eficientes para criar desequilíbrios na hesitante defesa avaiana. Vinícius Lopes apareceu com destaque nos minutos finais encontrando boas soluções para a criação de jogadas do Glorioso. Aos 34 minutos, depois de passe de calcanhar do ponta-direita e ultrapassagem de Daniel Borges, Chay finalizou para grande defesa de Douglas. O lance reacendeu o ímpeto ofensivo e mostrou o caminho para envolver a defesa. Três minutos depois, uma grande jogada de Victor Sá e Vinícius terminou em finalização de Erison, na melhor chance da equipe no primeiro tempo.

Análise Botafogo x Avaí

As últimas semanas têm sido cruéis com a torcida alvinegra. Depois de sofrer dois gols de Pedro Raul na segunda-feira passada, agora foi a vez do lateral-direito Kevin assombrar o antigo clube. O jogador acertou cobrança de falta de rara felicidade no ângulo direito de Gatito, que nada pôde fazer. Um duro castigo para o Botafogo que havia voltado a levar perigo no ataque, mas não conseguiu marcar o gol. Para ser competitivo e voltar a somar pontos no campeonato, um ponto emerge como fundamental para o Alvinegro: o time precisa sofrer menos gols. A defesa é a segunda pior do campeonato e foi vazada em dez dos 11 jogos. Apenas na vitória sobre o Flamengo o Botafogo manteve o zero no placar.

O 1 a 0 levado para o intervalo adicionou ainda mais pressão sobre um time já instável mentalmente. Neste momento de cobrança em que a tolerância ao erro diminui drasticamente, Tchê Tchê e Oyama pareciam os menos capazes de dar a volta por cima e auxiliar o time. Tchê Tchê deixou o jogo para a entrada de Del Piage e ainda deve uma boa exibição com a camisa alvinegra. Burocrático, o volante não consegue ser uma peça chave na distribuição do jogo da equipe e tampouco chega ao ataque como elemento surpresa para finalizar. Oyama errou seis passes em 29 tentativas, foi desarmado em três oportunidades e pareceu sucumbir às vaias vindas da arquibancada. Foi substituído por Kayque no começo da segunda etapa.

O Botafogo não começou bem o segundo tempo. Aproveitando a instabilidade psicológica do Alvinegro, o Avaí criou oportunidades para ampliar a vantagem, mas não conseguiu finalizar as jogadas. Kayque voltou a entrar bem no meio-campo. O volante deu outra dinâmica ao time e melhorou a capacidade de combate do time. Se por suas características de jogo físico e vertical o jogador não parece o mais indicado para o modelo de Castro, o campo tem mostrado o volante mais útil para a equipe que as outras opções para a função. Desenvolver sua visão de jogo e habilidade de passe é o desafio para ser um jogador mais completo.

Longe do gol de empate, Luís Castro voltou a quebrar a cabeça para tentar melhorar o time. Colocou Matheus Nascimento no lugar de Daniel Borges, deslocando Vinícius Lopes para a lateral e Chay para a ponta. As opções questionáveis do treinador mais uma vez não deram certo. A mexida deixou Chay desconfortável, sem encontrar seu lugar na formação da equipe, e Vinícius subutilizado em uma posição desconhecida. Em resumo, a substituição e as mudanças táticas mataram o lado direito do time. Matheus procurou bastante o jogo, mas foi mais uma peça correndo desordenadamente em um time sem qualquer organização e poder de reação. O excesso de improvisações também deixa claro que o treinador não tem confiança em jogadores como Patrick de Paula e Lucas Piazon.

Análise Botafogo x Avaí

Terceiro pior mandante do Brasileirão, com apenas quatro pontos conquistados em cinco jogos, o Botafogo volta ao Nilton Santos na próxima quinta-feira (16), às 16h, para enfrentar o São Paulo. O Tricolor é o terceiro colocado do campeonato, vem de vitória sobre o América e não perde há nove rodadas.

Números do jogo: (Footstats)

Posse de bola – BOT 51% x 49% AVA
Passes certos – BOT 313 (88%) x 309 (85%) AVA
Finalizações – BOT 21 (8 no gol) x 7 (2) AVA
Assistências para finalização – BOT 14 x 6 AVA
Desarmes – BOT 15 x 11 AVA
Interceptações – BOT 4 x 5 AVA
Rebatidas – BOT 33 x 45 AVA
Cruzamentos – BOT 9/21 (43%) x 0/9 (0%) AVA
Lançamentos – BOT 9/39 (23%) x 10/33 (30%) AVA
Viradas de jogo – BOT 3 x 0 AVA
Dribles – BOT 10 x 1 AVA
Perdas de posse de bola – BOT 27 x 21 AVA
Faltas – BOT 20 x 22 AVA
Cartões amarelos – BOT 4 x 5 AVA
Cartões vermelhos – BOT 0 x 1 AVA

Fonte: Redação FogãoNET

Notícias relacionadas