Análise: de organizado e intenso no primeiro tempo a dominado e perdido na segunda etapa, Botafogo de Castro sucumbe em derrota para o Flamengo

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Análise: de organizado e intenso no primeiro tempo a dominado e perdido na segunda etapa, Botafogo de Castro sucumbe em derrota para o Flamengo
Vitor Silva/Botafogo

O Botafogo competiu com o Flamengo durante 45 minutos no Nilton Santos. Depois do intervalo, o time deixou o futebol no vestiário e foi controlado pelo adversário, que marcou o gol da vitória e cozinhou o restante do jogo. A queda brusca de desempenho entre as duas metades da partida acende um alerta sobre a capacidade de leitura do treinador Luís Castro para reagir prontamente ao que o jogo pede. Esse foi o quinto jogo sem vitória da equipe alvinegra, que somou apenas dois pontos dos últimos 15 disputados e vê o Z4 cada vez mais próximo.

O clássico colocou frente a frente treinadores em situações diferentes. O português Luís Castro assumiu o Botafogo em março e em 158 dias comandou o time em 27 jogos. Já Dorival Junior começou a comandar o Flamengo em junho e em 78 dias treinou a equipe em 22 jogos. O treinador português já relativizou as semanas cheias para treinamento, afirmando que preferia ter mais jogos para aumentar a competitividade do time. A verdade é que, sem comparar o potencial dos dois elencos, Dorival conseguiu em menos tempo corrigir problemas e dar padrão tático a sua equipe. Castro, que já sofreu com uma série de lesões e trabalha a montagem do grupo com o campeonato em andamento, ainda não foi capaz de definir a ‘cara’ do time e, muito menos, criar alternativas diferentes para as situações que os adversários oferecem.

Na busca por padrão tático e entrosamento, Castro conseguiu repetir pela primeira vez a escalação do time titular. Apesar da atuação insegura contra o Juventude, Adryelson foi mantido na zaga mesmo com o retorno de suspensão de Philipe Sampaio. Enquanto Rafael ainda busca aprimorar seu ritmo de jogo, Saravia também ganhou sequência na lateral-direita. Sem Matheus Nascimento e Tiquinho Soares fora por motivos médicos e Erison liberado para jogar no Estoril, Junior Santos foi a única opção entre os relacionados para o comando de ataque alvinegro.

Análise Botafogo x Flamengo

Com personalidade, o Botafogo entrou decidido a impor seu estilo de ocupação do campo de ataque e troca rápida de passes. Os 15 minutos iniciais foram de claro domínio alvinegro em campo. Com Lucas Fernandes atuando na base das jogadas, começando a construção dos ataques da equipe, Eduardo teve mais liberdade para avançar e pisar na área como mais uma opção de finalizador. O equilíbrio no meio-campo e a boa movimentação das peças ofensivas deram o tom do ataque alvinegro, que encontrou espaço na faixa central do campo onde a marcação rubro-negra era mais frágil. Junior Santos cumpriu bem o papel tático de arrastar a marcação, abrindo espaço para infiltrações dos companheiros. Embora a saída de Erison tenha gerado polêmica pela escassez de atacantes nesse momento, as primeiras atuações de Junior mostram maior capacidade de entendimento do jogo coletivo para gerar chances não apenas para si, mas para toda a equipe.

O ambiente de rivalidade do clássico fez bem para o Botafogo. O time entrou em campo ‘mordendo’, buscando retomar a posse ainda no campo de ataque. A preferência por Adryelson na última linha de defesa passa por esse desejo de Castro ver o time marcando alto. Com mais mobilidade que as outras opções do elenco, o zagueiro consegue defender o espaço em suas costas com mais competência. Os nove desarmes do time no primeiro tempo ilustram esse ímpeto pela recuperação da bola. Destaque para Saravia que conseguiu quatro desarmes na primeira etapa. O argentino fez um jogo de muita concentração nos duelos, mas acumulou oito erros de passe nos 21 tentados nos 45 minutos iniciais.

A partir dos 20 minutos, o Flamengo conseguiu equilibrar o jogo, ficar mais com a bola e diminuir o ritmo do Glorioso. O Botafogo também tirou o pé do acelerador, baixou as linhas de marcação bem organizado em um 4-4-2, com Eduardo e Junior Santos responsáveis pela pressão inicial. O time foi para o intervalo com menos posse de bola (46%), mas com mais finalizações. Contudo, seis das oito finalizações foram de fora da área, reflexo das dificuldades que a equipe ainda apresenta para criar grandes chances de gol.

Análise Botafogo x Flamengo

Além da vontade de ganhar, a organização foi um ponto de destaque do Botafogo no primeiro tempo. Foi possível identificar funções e movimentações bem definidas em diferentes setores. Por exemplo, com marcação dobrada na beirada de campo, Jeffinho mostrou boa leitura para flutuar para o centro e receber no espaço às costas de Vidal e Diego. Já na direita, Victor Sá foi um extremo bem aberto para aproveitar a vantagem que estava conseguindo nos duelos com Ayrton Lucas. O ponta distribuiu cinco passes decisivos durante o jogo.

É importante destacar a organização porque o Botafogo acumula números incômodos no campeonato. Por depender demais de iniciativas individuais, é o segundo time que mais busca o drible no Brasileirão (média 9,7 vezes por jogo) e tem o pior aproveitamento neste fundamento (68%). Somando a isso o oitavo pior aproveitamento no passes do campeonato (89,4%), temos o time que mais desperdiça posses de bola (30,5 por jogo). Potencializado por um bom jogo coletivo do primeiro tempo, a equipe registrou 100% de aproveitamento nos quatro dribles tentados, 91% de acerto nos passes e apenas 12 perdas de posse de bola (contra 19 do Flamengo).

Na segunda etapa, o Flamengo reorganizou seu time em campo, sempre com peças bem abertas e com quatro, por vezes cinco, jogadores atacando a última linha alvinegra. O Botafogo não conseguiu responder a essa mudança e não foi capaz de voltar a impor sua proposta de jogo. Aos 11 minutos, as entradas de Everton Ribeiro e Pedro deixaram o cenário ainda mais complicado. Com o centroavante, o adversário ganhou uma referência para passes longos e cruzamentos na área. O Glorioso, acuado, perdeu poder de marcação e não conseguiu mais encontrar o rival em campo. O gol rubro-negro, aos 12 do segundo tempo, foi resultado disso. A defesa alvinegra bem fechada defendendo a faixa central enquanto o adversário aproveitou toda a amplitude do campo para encontrar espaço e acionar sua referência na área. A dificuldade na marcação de bolas aéreas voltou a aparecer e o principal atacante rubro-negro apareceu livre na área para escolher a melhor definição da jogada.

Análise Botafogo x Flamengo

O Botafogo sentiu o gol e substituições eram necessárias. Nervoso, os erros de passe e as escolhas ruins do time tornaram-se mais frequentes. Castro respondeu somente aos 22 minutos com as entradas de Luís Henrique e Gabriel Pires nos lugares de Victor Sá e Eduardo, que caíram muito de produção como toda a equipe. Depois, entraram Kanu, Danilo Barbosa e Lucas Piazon. As alterações não mudaram a forma de jogar e não melhoraram o time. Já sem a mesma organização e concentração, sem conseguir criar oportunidades de gols, sobraram cruzamentos errados (1/10 no segundo tempo) e finalizações de fora da área (quatro das cinco na segunda etapa).

Análise Botafogo x Flamengo

O Botafogo vai enfrentar o Fortaleza no próximo domingo (4), às 16h, no Castelão. Em campanha de recuperação no campeonato, o Tricolor do Pici venceu os últimos cinco jogos, abandonou a luta contra o rebaixamento e já ocupa a 12ª colocação.

Números do jogo: (Footstats)

Posse de bola – BOT 47% x 53% FLA
Passes certos – BOT 337 (89%) x 402 (90%) FLA
Finalizações – BOT 13 (4 no gol) x 6 (2) FLA
Finalizações dentro da área – BOT 4 x 4 FLA
Desarmes – BOT 16 x 10 FLA
Interceptações – BOT 3 x 0 FLA
Rebatidas – BOT 43 x 49 FLA
Cruzamentos – BOT 2/18 (11%) x 4/15 (27%) FLA
Lançamentos – BOT 13/23 (56%) x 15/49 (31%) FLA
Viradas de jogo – BOT 2 x 2 FLA
Dribles – BOT 5 x 2 FLA
Perdas de posse de bola – BOT 29 x 35 FLA
Faltas – BOT 20 x 14 FLA
Cartões amarelos – BOT 3 x 2 FLA

Fonte: Redação FogãoNET

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