Análise: resiliente, Botafogo aguenta pressão e aproveita chance de garantir a vitória contra o São Paulo

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Análise: resiliente, Botafogo aguenta pressão e aproveita chance de garantir a vitória contra o São Paulo
Vitor Silva/Botafogo

Um visitante indigesto. Assim, o Botafogo de 2022 será lembrado. O time voltou a aprontar fora de casa batendo o São Paulo por 1 a 0 no Morumbi. Em partida marcada pela chuva, o Glorioso teve pouco a bola, trocou poucos passes, mas foi forte para disputar o jogo. Sinal da maturidade que o time vai conquistando, o resultado reflete a resiliência que torna a equipe difícil de ser batida mesmo quando não joga bem. O Glorioso conquistou 27 de seus 43 pontos fora do Nilton Santos.

A boa notícia na escalação do time titular foi a volta de Lucas Fernandes, recuperado de lesão muscular na coxa. Em condições normais, o meia é peça fundamental para o funcionamento do modelo de jogo de Luís Castro, não apenas na fase ofensiva, mas também no momento defensivo. O posicionamento, a visão de jogo, a qualidade de passe e a capacidade de pressão de Lucas oferecem uma dinâmica ímpar ao time. A outra mudança entre os titulares foi motivada pela suspensão de Jeffinho, que permitiu mais uma vez a escalação de Victor Sá pelo lado esquerdo do ataque alvinegro.

Análise São Paulo x Botafogo

Um personagem importante do jogo foi a chuva que caiu na capital paulista e castigou o gramado do Morumbi. O São Paulo pareceu mais adaptado ao campo alagado e conseguiu ser perigoso explorando jogadas de velocidade em cima de Rafael. Os donos da casa souberam identificar que o campo estava em melhores condições pelo lado esquerdo e focou suas ações por ali. Já o Botafogo, que tem Marçal como um dos cérebros da equipe, não conseguiu inverter o eixo principal das jogadas ofensivas para a direita e precisou vencer a defesa e as poças para avançar na esquerda. Desde o princípio da partida, o time abriu mão da saída de bola curta, buscando a ligação direta para o ataque.

O Tricolor teve a posse de bola (67% no primeiro tempo), mas não conseguiu dar trabalho para Gatito. Aos 17 minutos, o Glorioso finalizou primeiro, uma batida mascada Lucas Fernandes depois de boa jogada de Victor Sá. Os paulistas atacaram bem a linha de fundo, mas não concluíram bem os cruzamentos que surgiram dessas jogadas. O número de cortes executados pelas defesas mostram o trabalho que Adryelson, Cuesta e companhia tiveram no primeiro tempo: 18 do Botafogo contra apenas dois do São Paulo.

O Botafogo teve muita dificuldade para estabelecer seu jogo de troca de passes. Foram 49 erros de passe no primeiro tempo (65% de aproveitamento). Castro conseguiu consertar a marcação nas beiradas com a recomposição de Junior Santos e Victor Sá, mas isso custou ao time alternativas na saída de bola em transição rápida. Junior ainda comprometeu com erros técnicos e escolhas ruins de jogadas, desperdiçando algumas oportunidades de ataque. O passe longo procurando Tiquinho Soares como referência foi a melhor arma alvinegra no primeiro tempo. Como fazer essa bola chegar em boas condições para o atacante e como cercá-lo com movimentações para o desenvolvimento das jogadas foram os problemas que o treinador não conseguiu corrigir.

Aos 40 minutos do primeiro tempo, Rafael sentiu o campo pesado e o jogo físico e deixou o campo com uma fisgada na coxa. Sem Saravia no banco, a opção de Luís Castro foi pela entrada de Kanu, formando uma linha de três zagueiros. Como tentativa de tornar o lado direito do ataque mais efetivo, o treinador inverteu o posicionamento de Junior Santos e Victor Sá, com Victor atuando como um ala-direita. A mudança também buscou recuperar Junior Santos no jogo, com menos funções defensivas para ter perna – e cabeça – na hora de atacar.

O Botafogo voltou melhor no segundo tempo. Empurrado pela força no jogo aéreo, o time criou sua primeira jogada de perigo logo aos dois minutos. Se no primeiro tempo o Glorioso tentou um único cruzamento e errou, nos primeiros cinco minutos de bola rolando na etapa final acertou três cruzamentos e esteve perto do gol em cabeçada de Tiquinho. A equipe também encaixou a pressão defensiva para subir a marcação e deixar o São Paulo desconfortável com a bola.

Os donos da casa voltaram a crescer a partir dos dez minutos. Agora, os paulistas conseguiram criar finalizações e criar perigo para Gatito. Castro reagiu substituindo Lucas Fernandes por Danilo Barbosa aos 17 minutos. A alteração buscou dar mais força ao meio-campo alvinegro e melhorar a proteção da área. O volante entrou bem, ligado na defesa de bolas aéreas e firme nos desarmes. No entanto, o Botafogo não conseguiu voltar a se impor em campo, como na volta do intervalo. Com a subida de rendimento de Junior Santos e o time resoluto no enfrentamento da partida, o treinador optou por não fazer novas mudanças (Philippe Sampaio e Gabriel Pires entraram já nos acréscimos).

E o Botafogo tem sempre a força de sua bola parada como trunfo. Seja com os pés ou com as mãos. Em um “latereio”, Marçal encontrou Junior Santos dentro da área. O atacante desviou e a bola sobrou para Tchê Tchê ser derrubado dentro da pequena área. Depois de muita demora na consulta ao VAR, o pênalti foi marcado e Tiquinho Soares fez o gol da vitória. Quarto gol do centroavante em sete jogos com a camisa alvinegra.

Análise São Paulo x Botafogo

Quando falta futebol para o Botafogo conseguir melhores desempenhos e resultados, sobram foco e vontade para buscar as vitórias. A chegada de jogadores com qualidade e experiência internacional em grandes ligas, como Marçal e Tiquinho, acelerou o processo de maturação do grupo. Dias de desempenhos ruins acontecem e é fundamental ter a cabeça no lugar para enfrentá-los e sair vencedor.

Depois de dois jogos como visitante, o Botafogo volta ao Rio para enfrentar o Internacional no próximo domingo (16), às 18h. Vice-líder do Brasileirão, o Colorado tem a quarta melhor campanha como visitante e não perde há nove jogos.

Números do jogo: (Sofascore)

Posse de bola – SAO 67% x 33% BOT
Passes certos – SAO 407 (81%) x 166 (67%) BOT
Finalizações – SAO 8 (2 no gol) x 7 (1) BOT
Finalizações dentro da área – SAO 5 x 5 BOT
Grandes chances criadas – SAO 0 x 1 BOT
Desarmes – SAO 13 x 12 BOT
Interceptações – SAO 3 x 3 BOT
Cortes – SAO 9 x 35 BOT
Cruzamentos – SAO 7/28 (25%) x 3/9 (33%) BOT
Bolas longas – SAO 29/58 (50%) x 26/59 (44%) BOT
Dribles – SAO 11 x 9 BOT
Duelos ganhos – SAO 45 x 49 BOT
Duelos aéreos ganhos – SAO 13 x 13 BOT
Faltas – SAO 16 x 8 BOT
Cartões amarelos – SAO 3 x 2 BOT
Cartões vermelhos – SAO 1 x 0 BOT

Fonte: Redação FogãoNET

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