Análise: ritmo forte e padrão ofensivo levam Botafogo a importante vitória sobre o Fortaleza

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Análise: ritmo forte e padrão ofensivo levam Botafogo a importante vitória sobre o Fortaleza
Vitor Silva/Botafogo

Muitos cobram por maior evolução no desempenho do Botafogo nos últimos meses. E o time, enfim, respondeu no Castelão com uma grande atuação na vitória de 3 a 1 sobre o Fortaleza. A equipe mostrou melhor desempenho tático, técnico e físico para bater um adversário em melhor momento e garantir três pontos não tão prováveis. Chamaram a atenção o ritmo que o Glorioso conseguiu imprimir durante a maior parte do jogo e a repetição de padrões ofensivos que tornaram o time mais coletivo e menos dependente de brilhantismos individuais.

Com a estreia de Tiquinho Soares, o time escalado por Luis Castro para o jogo pareceu o mais próximo do que o treinador considera como ideal. A linha de defesa formada por Rafael, Adryelson, Cuesta e Marçal. O meio-campo com Tchê Tchê, Eduardo e Lucas Fernandes. E o ataque com Victor Sá, Jeffinho e Tiquinho. Claro que há jogadores que têm potencial para ganhar espaço na equipe. Gabriel Pires, em forma, pode contribuir muito na criação. Luis Henrique pode disputar a vaga com Victor Sá, caso reencontre o seu melhor futebol.

Neste domingo, todos os olhos estavam voltados para Tiquinho e o impacto que o centroavante pode causar no jogo alvinegro. O Botafogo começou a 25ª rodada como o quarto pior ataque do campeonato – empatado com o próprio Fortaleza, ambos com 22 gols. Dados do Sofascore apontam o time como o terceiro pior em criação de grandes chances de gol (28), à frente apenas de Cuiabá e Juventude. Tiquinho contribui com o tipo de jogo físico e de contato que Erison também praticava. Contudo, a vasta experiência do atacante no futebol europeu é um indício de sua inteligência tática e capacidade de leitura de jogo para somar ao jogo coletivo do time.

Análise Fortaleza x Botafogo

Se as duas equipes se equivalem nos números ofensivos, a defesa é chave para explicar a recuperação do Fortaleza e a dificuldade que o Botafogo estava encontrando em pontuar. O Tricolor vinha de cinco jogos sem sofrer gols no Brasileirão. Enquanto isso, o Glorioso sofreu gols em 80% dos jogos do campeonato, vazado em 20 dos 25 jogos. E logo no apito inicial, parecia que a história do jogo seguiria a lógica baseada no momento das equipes. Com somente 15 segundos de bola rolando, a defesa alvinegra deu o primeiro susto na recorrente dificuldade em defender cruzamentos. Marçal falhou e Romarinho por pouco não marcou um gol relâmpago.

Mas apesar do susto inicial, o Botafogo soube se comportar bem para sustentar a pressão inicial do adversário e não sofrer defensivamente. Ao mesmo tempo, o time mais uma vez teve Jeffinho como arma para desequilibrar e explorar as principais deficiências da defesa tricolor. A primeira boa jogada do ponta foi aos 14 minutos, quando retomou a posse e ligou contra-ataque rápido pela esquerda. A jogada que terminou em cabeçada perigosa de Tiquinho mostrou um padrão que tem se repetido com frequência no alvinegro: Lucas Fernandes aparece como suporte de um jogo apoiado, criando superioridade numérica na lateral, enquanto Eduardo se lança para área buscando finalização. Funções bem definidas que, aos poucos, vão criando uma identidade para a equipe.

A persistência de Eduardo em pisar na área e surgir como uma alternativa para a conclusão das jogadas rendeu frutos aos 18 minutos de jogo. O meia começou a jogada junto à linha do meio-campo, lançou Jeffinho na esquerda e disparou em velocidade para a área, ultrapassando a marcação e apresentando-se como uma opção para o cruzamento. Para além da cobrança por resultados, que são importantes, a expectativa do botafoguense é por esse tipo de desempenho coletivo do time, com padrões de jogadas e movimentações que ajudem a fluidez do ataque. Com tempo para trabalhar e segurança no cargo, Castro deve conseguir entregar o que se espera dele na medida em que os reforços ganhem entrosamento e atinjam o nível físico ideal.

Análise Fortaleza x Botafogo

A palavra para definir a atuação alvinegra no primeiro tempo foi ritmo. Apesar de alguma dificuldade na marcação pelo lado direito da defesa, primeiro com Rafael e depois com seu substituto improvisado Lucas Mezenga, o Botafogo não permitiu que o Fortaleza tivesse volume de jogo e também conseguiu impor o seu ritmo e sua velocidade no confronto. Tiquinho foi parte importante disso. Encontrou espaço para receber bolas na intermediária e se colocar em condições de finalização. Foram duas de fora da área no primeiro tempo: na primeira, obrigou Fernando Miguel a fazer boa defesa; na segunda, a bola foi desviada e saiu pela linha de fundo. Na cobrança de Marçal, Victor Cuesta desviou na primeira trave e Eduardo concluiu para marcar seu segundo gol no jogo.

A vantagem confortável que o time levou para o intervalo poderia ser colocada em risco no início da segunda etapa, quando Mezenga cometeu pênalti bobo aos sete minutos. Gatito recordou seus melhores momentos e defendeu cobrança de Robson, impedindo um evento que poderia mudar a história do jogo. Embora o Fortaleza tenha aumentado a pressão e a presença no campo de ataque, o Glorioso conseguiu manter a eficiência na transição ofensiva em velocidade para seguir competindo na partida.

Análise Fortaleza x Botafogo

Um exemplo de como o Botafogo seguiu vivo e buscando gols para garantir a vitória foi a jogada do terceiro gol aos 18 minutos do segundo tempo. Em lance de lateral no lado direito de ataque, oito jogadores buscaram se aproximar do setor da bola, inclusive o lateral Marçal, que apareceu por dentro. No rebote, o canhoto teve liberdade na entrada da área para dominar, ajeitar o corpo e acertar um lindo chute no canto direito do goleiro.

O Fortaleza diminuiu aos 24 minutos. A tabela e jogada de infiltração que o time tanto tentou funcionou envolvendo o lado direito da defesa alvinegra. Para garantir a vitória e reforçar a defesa, Castro mexeu na estrutura da equipe, colocando mais um zagueiro em campo, com a entrada de Kanu no lugar de Jeffinho. Gabriel Pires, Piazon e Junior Santos também entraram para renovar o fôlego na marcação. Apesar da linha de cinco, o Botafogo tentou não recuar exageradamente as linhas para não chamar o adversário para perto de seu gol. Os defensores nessa última linha alvinegra procuraram encaixes e perseguições individuais para evitar espaços na entrada da área. O Fortaleza ensaiou uma pressão, mas o sistema defensivo cumpriu seu papel e não cedeu chances claras de gol.

Análise Fortaleza x Botafogo

O Botafogo vai receber no Nilton Santos o América-MG, algoz na Copa do Brasil, na manhã do próximo domingo (11). Sem perder há sete jogos, os mineiros ocupam o oitavo lugar no Brasileirão com 35 pontos conquistados.

Números do jogo: (Footstats)

Posse de bola – FOR 56% x 44% BOT
Passes certos – FOR 314 (85%) x 200 (81%) BOT
Finalizações – FOR 15 (4 no gol) x 14 (8) BOT
Desarmes – FOR 14 x 21 BOT
Interceptações – FOR 3 x 3 BOT
Rebatidas – FOR 35 x 62 BOT
Cruzamentos – FOR 5/19 (26%) x 10/15 (67%) BOT
Lançamentos – FOR 15/39 (38%) x 17/39 (44%) BOT
Viradas de jogo – FOR 0 x 1 BOT
Dribles – FOR 6 x 7 BOT
Perdas de posse de bola – FOR 31 x 36 BOT
Faltas – FOR 15 x 13 BOT
Cartões amarelos – FOR 1 x 2 BOT

Fonte: Redação FogãoNET

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