Análise: sem Eduardo e Marçal, Botafogo cria pouco e vê Corinthians ganhar em erro individual

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Lucas Mezenga em Corinthians x Botafogo | Campeonato Brasileiro 2022
Vítor Silva/Botafogo

O Botafogo sentiu a falta de seus principais jogadores contra o Corinthians e saiu de Itaquera com a derrota por 1 a 0. O desempenho coletivo instável mostra o impacto da chegada dos recém-contratados Eduardo e Marçal, e o peso de suas ausências em questões técnicas e mentais do jogo. O Glorioso sofreu para criar oportunidades de gol e viu o adversário marcar após erro de Mezenga.

Era sabido que enfrentar o vice-líder fora de casa seria tarefa dura para o Alvinegro. O Corinthians terminou o primeiro turno como o melhor mandante do Brasileirão. Conquistou 21 dos seus 35 pontos na Neo Química Arena. Em nove jogos, foram seis vitórias e três empates em seus domínios, com treze gols marcados e apenas três sofridos. O Botafogo foi o quarto melhor visitante da primeira metade da competição, com 14 pontos conquistados longe do Nilton Santos.

O Corinthians também é o time que menos finaliza no campeonato. O único que fechou o primeiro turno com média inferior a dez chutes por jogo (9,16). O Botafogo finaliza em média 13,1 vezes por partida. Considerando o número de gols marcados por cada equipe, é possível ter ideia da eficácia do time paulista no ataque. Enquanto o Glorioso anota um gol a cada 13 finalizações, o Corinthians precisa, em média, de apenas sete chutes para balançar as redes.

Depois de superar uma seca de quatro jogos sem vitórias, o Botafogo voltou a jogar bem e vencer no último sábado, contra o Athletico-PR. O excelente desempenho da equipe fez o treinador Luís Castro optar pela manutenção do time titular. Eduardo, um dos destaques do time no último jogo, foi o desfalque. O jogador sentiu um mal-estar no vestiário e foi vetado. Patrick de Paula entrou para compor o meio-campo com Tchê Tchê e Lucas Fernandes.

Mas logo aos 12 minutos o Glorioso perdeu outro jogador importante. Marçal sentiu uma lesão na coxa direita, pediu para sair e foi substituído por Hugo. O lateral de 33 anos fazia seu terceiro jogo com a camisa alvinegra e mais uma vez aparecia com destaque nos minutos iniciais. Antes de estrear pelo Botafogo, há pouco mais de uma semana, o jogador não disputava uma partida há mais de três meses. A entrada de Hugo na lateral-esquerda fez daquele setor um foco dos ataques corintianos, explorando a velocidade de Gustavo Silva no um contra um.

O Botafogo não conseguiu imprimir a mesma dinâmica ofensiva do último jogo. A ausência de Eduardo deixou Lucas Fernandes sozinho na função de dar criatividade na construção ofensiva. Com características diferentes, Patrick de Paula não conseguiu dar velocidade a bola na transição ou aparecer na frente com regularidade. Sem a mesma movimentação, as linhas de passe não apareceram com a mesma fluidez, a tomada de decisão tornou-se mais difícil e o time não conseguiu criar. Lucas Fernandes ficou sobrecarregado, Piazon errou muitos passes e Jeffinho tentou forçar jogadas individuais contra a defesa bem posicionada. Erison pouco tocou na bola.

Se uma exibição coletiva forte potencializa atuações individuais, um coletivo instável também expõe algumas fragilidades. Como o time não conseguia se estabelecer no ataque, a bola começou a queimar nos pés de alguns jogadores. Aos 26 minutos, o Corinthians abriu o placar depois de uma sequência de erros de Lucas Mezenga. O zagueiro errou dois passes em sequência e foi mal na ação defensiva contra Gustavo Silva na arrancada que terminou em gol. Além do prejuízo técnico, a saída de Marçal também pareceu diminuir a confiança do time, especialmente a dos jogadores mais jovens como Mezenga.

A atuação do Botafogo no primeiro tempo não foi ruim. Faltou criatividade para chances de gol, mas o time foi organizado e competiu bem defensivamente. Apenas nos 45 minutos iniciais, a equipe conseguiu sete desarmes e sete interceptações. A pressão alta não funcionou tão bem e deixou o sistema defensivo exposto em algumas situações, o que fez a equipe marcar em um bloco médio. O Corinthians até tentou explorar o espaço nas costas da defesa alvinegra com passes em profundidade, mas a última linha de marcação esteve ligada, especialmente Philipe Sampaio, que conseguiu oito rebatidas para afastar o perigo.

A primeira alteração de Castro foi aos 11 minutos da segunda etapa. Luis Henrique entrou no lugar de Patrick de Paula. A alteração deslocou Piazon para a faixa central, com Luis Henrique aberto pelo lado direito. O primeiro efeito da mudança foi negativo. O meio-campo formado por Tchê Tchê, Lucas Fernandes e Piazon perdeu em combatividade e viu o Corinthians acumular chances de gol a partir de transições rápidas contra a defesa desprotegida. Num segundo momento, o Botafogo foi capaz de valorizar a posse de bola no campo de ataque, acertar a compactação e, enfim, envolver Erison no jogo. O centroavante finalizou pela primeira vez aos 18 minutos do segundo tempo.

Contudo, a dificuldade em criar chances reais de gol persistiu. A posse de bola do Botafogo na segunda etapa esteve próxima aos 60% do tempo de jogo. Com as entradas de Matheus Nascimento e Vinícius Lopes a equipe passou a um 4-2-4, procurando ter mais gente dentro da área. Recuado, Lucas Fernandes tentou, buscou o jogo a todo momento, mas não conseguiu receber a bola fora da zona de pressão para acionar os companheiros. Tentou até os 46 minutos, quando roubou a bola e criou a única chance de gol da equipe em todo jogo, em cabeçada de Matheus Nascimento que terminou numa boa defesa de Cássio. O time ainda tentou uma pressão final, mas não teve forças e saiu com a derrota por 1 a 0.

O Botafogo vai receber o Ceará no próximo sábado (6), às 16h30. O Vozão vem de duas derrotas seguidas no Brasileirão e vai enfrentar um duelo eliminatório contra o São Paulo pela Copa Sul-Americana durante a semana.

Números do jogo:

Posse de bola – COR 47% x 53% BOT

Passes certos – COR 399 (86%) x 419 (90%) BOT

Finalizações – COR 16 (4 no gol) x 10 (3) BOT

Assistências para finalização – COR 11 x 6 BOT

Desarmes – COR 22 x 12 BOT

Interceptações – COR 6 x 11 BOT

Rebatidas – COR 44 x 41 BOT

Cruzamentos – COR 2/11 (15%) x 1/15 (6%) BOT

Lançamentos – COR 10/31 (32%) x 10/32 (31%) BOT

Viradas de jogo – COR 3 x 4 BOT

Dribles – COR 4 x 6 BOT

Perdas de posse de bola – COR 29 x 41 BOT

Faltas – COR 6 x 6 BOT

Cartões amarelos – COR 0 x 0 BOT

Fonte: Footstats

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