Análise: sob sol a pino, Botafogo em baixa rotação sofre para buscar empate com o Juventude; Matheus Nascimento é boa notícia

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Análise: sob sol a pino, Botafogo em baixa rotação sofre para buscar empate com o Juventude; Matheus Nascimento é boa notícia
Vitor Silva/Botafogo

Em pleno Dia do Trabalhador, o Botafogo seguiu mostrando que será necessário muito trabalho de Luís Castro para a formação de um time forte para disputar os lugares mais altos da classificação. O Glorioso recebeu o Juventude no Nilton Santos, saiu com um empate em 1 a 1 e continua em busca da primeira vitória em casa no Brasileirão. Calor contribuiu para a atuação em baixa intensidade do Alvinegro, que abusou de individualidades e erros em tomadas de decisões. A entrada e bom desempenho de Matheus Nascimento foi a boa notícia no segundo tempo.

O treinador contou desfalques e retornos importantes para a montagem da equipe. Primeiro, no gol. Depois da atuação infeliz de Diego Loureiro contra o Atlético Goianiense, Gatito voltou à meta alvinegra. Na defesa, Kanu ficou fora devido a uma lesão na coxa esquerda e Victor Cuesta estreou como titular, formando dupla com Philipe Sampaio. No meio-campo foram duas mudanças. Lucas Piazon e Lucas Fernandes, discretos na partida em Goiânia, deram lugar a Patrick de Paula e Chay.

Análise Botafogo x Juventude

A escalação indicou o retorno ao desenho inicial em um 4-2-3-1. A volta de Chay ao time titular foi por dois motivos principais: o jogo entre as linhas do sistema defensivo do adversário e os deslocamentos para o lado esquerdo para a construção de um jogo apoiado com Victor Sá. Consolidado na lateral-esquerda, Daniel Borges fez poucas ultrapassagens e atuou mais por dentro, na base da jogada. Coube a Chay o trabalho de aproximação e criação de movimentos para ajudar o ponta-esquerda a encontrar espaços e conseguir profundidade no setor. A movimentação do camisa 14 para o lado esquerdo abriu espaço para o avanço de Patrick como elemento surpresa, mas o volante acabou aproveitando pouco as oportunidades.

Ainda sem vencer no campeonato, o Juventude sabia que não poderia vir ao Rio apenas para se defender. Os gaúchos tentaram tirar a velocidade do jogo, procurando boas saídas pelas laterais do campo, sobretudo do lado esquerdo. Ainda assim, o Botafogo conseguiu impor o ritmo do jogo e controlar as ações ofensivas. Saravia fez novamente uma boa apresentação, responsável pelo corredor direito, formando boa dupla com o canhoto Gustavo Sauer, que busca sempre o centro do campo e abre caminho para as descidas do lateral.

Apesar de ter começado melhor o jogo, o Glorioso teve problemas para criar chances de gol. Em jogada individual, Chay teve a primeira boa chance aos 13 minutos, batendo de fora da área. Somente aos 30 minutos, o Botafogo acertou o gol pela primeira vez, novamente com Chay chutando de longe. A partir da segunda metade do primeiro tempo, o Juventude subiu a marcação para dificultar a saída de bola alvinegra, o que complicou a construção ofensiva. O aproveitamento dos erros do adversário passou, então, a ser determinante para que os times chegassem ao ataque. O Botafogo conseguiu boas recuperações no campo de ataque, a partir de erros de passe dos gaúchos. Faltou capricho no último passe para que surgissem chances reais de gol.

A análise da queda do ritmo e do rendimento do Botafogo no decorrer da primeira etapa não pode ignorar o horário do jogo. Em um dia de céu claro no Rio de Janeiro, o sol a pino castigou os jogadores e inviabilizou o desempenho em intensidade mais alta. Foram seis finalizações e uma única na direção do gol no primeiro tempo. O aproveitamento ruim nas finalizações diz mais sobre a baixa produção ofensiva para a criação de chances claras que sobre a qualidade dos arremates.

Mas houve também alguns bons destaques no jogo alvinegro nos primeiros 45 minutos. Os 92% de aproveitamento nos passes são o retrato de uma equipe que cuida e circula bem a bola. Outra indicação da boa circulação da bola são as viradas de jogo. Foram sete inversões corretas, com destaque para Daniel Borges que acertou duas. Destro jogando pela esquerda, o posicionamento do corpo favorece o passe cruzado do lateral. Quando verticalizou o jogo com bolas longas, o Botafogo teve sucesso com sete acertos em 11 tentativas de lançamento. Três acertos foram de Gatito, mostrando desempenho competente com os pés.

Análise Botafogo x Juventude

Luís Castro não mexeu no intervalo e o time voltou apresentando as mesmas dificuldades do primeiro tempo. Pouca criatividade no campo de ataque e muita dependência de individualidades, o que potencializa os erros em tomadas de decisão. Erison foi quem mais falhou na hora de escolher o destino das jogadas. Aos 14 minutos, Tchê Tchê veio para o jogo no lugar de PK. A mudança procurou melhorar a dinâmica da distribuição da bola e a chegada no campo de ataque.

Mas o sistema defensivo alvinegro dormiu e quatro minutos depois o Juventude abriu o placar. Guilherme Parede conduziu pelo lado direito sem receber pressão da marcação, situação de bola “descoberta” que os treinadores procuram sempre evitar, e encontrou bom passe em profundidade para Pitta. Desatento na linha de defesa, Philipe Sampaio acompanhou o centroavante adversário mantendo-o em posição legal. O zagueiro alvinegro ainda levou um corte do atacante antes da finalização cruzada que venceu Gatito.

Em desvantagem, Diego Gonçalves e Matheus Nascimento substituíram Sauer e Chay. As trocas aumentaram a presença alvinegra no ataque, favorecendo uma pressão em busca do empate. Ainda que não tenha resultado em uma retomada do controle e crescimento do Botafogo em campo, a mexida deu resultado. Matheus recebeu fora da área, fez boa jogada e encontrou espaço para a finalização. O chute parou na mão do zagueiro gaúcho e o árbitro apontou o pênalti. Na cobrança, Diego deslocou o goleiro e deixou tudo igual no placar aos 37 minutos da segunda etapa.

Análise Botafogo x Juventude

O gol mudou a atmosfera do Nilton Santos, que ferveu para empurrar o time para a vitória. O Botafogo teve grande chance de virar o jogo em cobrança de escanteio que encontrou a cabeça de Philipe Sampaio, mas a bola passou rente à trave esquerda do goleiro César. Na base do “abafa” e do apoio vindo das arquibancadas, o time acelerou o jogo de forma atabalhoada e não foi capaz de chegar ao segundo gol. Foi o Juventude quem teve a melhor chance de sair com os três pontos, em lance aos 51 minutos.

O Botafogo agora começa a preparação para o clássico contra o Flamengo no próximo domingo (8), às 11h. Depois de longa indefinição sobre o local do jogo, o estádio Mané Garrincha, em Brasília, foi definido como o palco do encontro.

Números do jogo: (Footstats)

Posse de bola – BOT 56% x 44% JUV
Passes certos – BOT 310 (91%) x 204 (85%) JUV
Finalizações – BOT 15 (3 no gol) x 8 (4) JUV
Assistências para finalização – BOT 13 x 5 JUV
Desarmes – BOT 15 x 11 JUV
Interceptações – BOT 6 x 6 JUV
Rebatidas – BOT 61 x 29 JUV
Cruzamentos – BOT 4/23 (17%) x 2/19 (10%) JUV
Lançamentos – BOT 9/22 (41%) x 9/31 (29%) JUV
Viradas de jogo – BOT 8 x 1 JUV
Dribles – BOT 10 x 3 JUV
Perdas de posse de bola – BOT 32 x 25 JUV
Faltas – BOT 14 x 17 JUV

Fonte: Redação FogãoNET

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