Pitacos: Botafogo contratou um ‘diretor esportivo’ ao trazer Luís Castro; está faltando resultado como técnico

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Pitacos: Botafogo contratou um ‘diretor esportivo’ ao trazer Luís Castro; está faltando resultado como técnico
Vitor Silva/Botafogo

* Ao contratar Luís Castro, o Botafogo – sob a liderança de John Textor – trouxe uma espécie de diretor esportivo. As atribuições do português e as expectativas eram – e são – muito além das de um treinador. É alguém para fortalecer estrutura, uniformizar procedimentos entre profissional e base, ajudar a fazer o clube crescer. Só tem um problema: a parte de técnico não pode ser deixada de lado.

* E é onde Luís Castro está devendo. Dependendo do ponto de vista, é possível falar em evolução nos últimos jogos e em não evolução. A torcida se divide. Mas há algo que é unânime e prático: a distância para a zona de rebaixamento está caindo e chegou a apenas dois pontos.

* O técnico português não tem as condições ideais. E sabia que não teria. Mas tem muito mais que o Botafogo e seus treinadores tiveram nos últimos anos. Tem salários em dia, voos fretados, bons hotéis, reforços com qualidade, elenco encorpado, não convive com penhoras, não perde jogadores para outros clubes facilmente. O que está em falta são os resultados.

* Castro e sua comissão técnica recebem bem para encontrar soluções dentro de campo. Mas o time segue estacionado, com evolução a passos de formiga. O Botafogo passa uma falsa sensação de domínio, por ter qualidade para rodar a bola, manter a posse trocando passes no meio-campo. Mas pouco agride ou ameaça o adversário. Seja com jogo trabalhado ou em cruzamentos, a equipe precisa de um esforço enorme para fazer um gol. E, quando é pressionada, facilmente leva gols.

* Foi a tônica do clássico com o Flamengo. É verdade que o Botafogo fez um primeiro tempo de controle, dando poucas chances aos reservas do rival. Mas só controle não basta. Parece óbvio, e é, mas o objetivo do futebol não é trocar passes no meio-campo, é fazer gol. Nos momentos em que o Botafogo é superior, precisa forçar até encontrar o gol. Porque quando é inferior no jogo, rapidamente sofre o gol. Como o de Vidal, pouco após a entrada de Pedro.

* As semanas cheias de Luís Castro não dão resultado. Ele já errou a mão em escalações e substituições, não tem estratégias de acordo com o adversário, não se protege contra os pontos fortes dos rivais e nem tem soluções ofensivas. Parece que o Botafogo joga em ritmo de treino, pensando apenas em melhorar seus próprios números a cada jogo, não em vencer o adversário.

* Castro já errou bastante também em declarações. Já passou um tom de arrogância, já criticou estrutura, elenco, “jogadores de Série B”, pediu reforços, já “reclamou” de semanas cheias sem jogo, já “reclamou” de falta de tempo para treinar em sequência de jogos, já disse que “não olha para baixo”. Já até mesmo falou em tom de “ameaça” sobre sair, mais de uma vez. Enfileira desculpas, mas precisa de dar também resultados.

* Outro ponto que chama a atenção é que cabe ao técnico melhorar jogadores. Luís Castro parece desistir facilmente de alguns, como Chay, Luís Oyama, Kanu, Patrick de Paula e Erison. Já fez com Tchê Tchê também. Jogadores saem de titulares para última opção, param de entrar nos jogos. E, de repente, precisam voltar e dar resposta, mesmo sem ritmo. No clássico com o Flamengo, foi Kanu que voltou. Quem evoluiu com o técnico português? Apenas Jeffinho.

* O maior problema de Castro pareceu ser desconhecer o futebol brasileiro, o Botafogo e os adversários. Ele próprio precisava de um período de adaptação. Mas já teve. Agora, até pelo pouco tempo que resta no Campeonato Brasileiro, tem que obter resultados.

* Na prática, é possível. O Botafogo está mais estruturado, encorpado, com opções de elenco e com a esperança de Tiquinho Soares dar peso ao ataque. Os problemas com lesão, que tanto atrapalharam, parecem estar passando. A tabela aponta os próximos jogos contra Fortaleza, América-MG, Coritiba e Goiás. Mais do que nunca, a hora de reagir é essa. Não dá mais para adiar nem dar desculpas. Até porque todo o restante para o qual Luís Castro foi contratado depende também da permanência na Série A.

Fonte: Redação FogãoNET

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