Se há claras limitações técnicas, a atuação coletiva do Botafogo foi animadora nessa estreia no Campeonato Brasileiro. Diante do badalado Palmeiras, que tem uma verdadeira usina de dinheiro à disposição, o Glorioso de Alberto Valentim foi valente, brigador, criou chances e, premiado pela ousadia de seu treinador, arrancou um empate – a derrota seria injusta.

Vindo de um título carioca conquistado da forma que foi e de uma vitória de virada no apagar das luzes na Sul-Americana, o Botafogo viu os 7 mil de sempre encararem uma segunda-feira fria e chuvosa para prestar seu apoio. Mas é aí que eu quero chegar. Às vezes, o que parece é que os maiores inimigos do Botafogo estão nas cadeiras do Nilton Santos. Somos nós mesmos.

Pouco mais de 7 mil torcedores pagaram ingresso na estreia (FOTO: Vitor Silva/SSPress)

Se quando estamos em minoria nossa voz de incentivo se faz presente e cala a maioria – como nos jogos contra Flamengo e Vasco (o último) no Carioca -, quando é um jogo de “torcida única” parece que o efeito se inverte. É muita gente colocando pressão, xingando a qualquer erro, crucificando meninos que podem ser a nossa salvação. Vide o caso com Igor Rabello, que errou (sim, decisivamente), mas é um garoto que merece nosso crédito.

É chover no molhado falar que o Botafogo tem um orçamento limitado e um time que financeiramente sempre estará atrás da grande maioria dos nossos rivais. Mas essa rapaziada que está aí merece um crédito maior. Podemos ver o Nilton Santos com mais gente, com mais apoio e incentivo. Para fazermos uma boa campanha, esse time aí terá sempre de jogar no limite, e para isso todas as energias positivas são fundamentais.

Com desfalques importantíssimos (João Paulo, Moisés, Renatinho e Luiz Fernando), o Botafogo fez um bom jogo e criou mais que o adversário. Valentim conseguiu encontrar soluções e colocar uma equipe batalhadora em campo, que marca firme e sai bem para o ataque. As decepções ficaram por conta de Leandro Carvalho (péssimo) e Leo Valencia (que até agora não rendeu o que se espera dele). Mas, repito: temos que abraçar esse time, de uma forma ou de outra.

O Botafogo é uma fortaleza, e sua torcida jamais se renderá.

Saudações alvinegras!