Campeão da Copa da Superliga Argentina com o Tigre no último dia 2, o meia Montillo (35) relembrou como foi sua rápida passagem pelo Botafogo, que durou apenas seis meses em 2017. O argentino elogiou o técnico Jair Ventura, comandante do Fogão na época, e deu detalhes da sua recuperação física assim que saiu do clube há dois anos. Segundo o jogador, a volta por cima foi “simples”, deixando a entender que os profissionais alvinegros não conseguiram encontrar a solução para o seu problema.

Após enaltecer Cuca, com quem conviveu no Cruzeiro e no Shandong Luneng, da China, Montillo destacou Jair como um dos treinadores com quem mais gostou de trabalhar na carreira.

– Sabe com quem eu gostei de trabalhar? Não foi o melhor porque trabalhei pouco tempo com ele. O Jair Ventura. Falei para ele: “Você é muito novo, mas trabalha muito bem”. É de falar com o jogador, falar sempre na cara. No Botafogo, ele foi assim e era a primeira experiência que ele tinha como treinador. Gostava muito do jeito de ser e de trabalhar na semana. E é um cara novo, tem muito para aprender ainda – disse, em entrevista ao programa Bola da Vez, da ESPN Brasil, exibido na noite deste sábado.

Assim que assinou contrato com o Tigre, em janeiro de 2018, o ex-camisa 7 do Glorioso disse que ouviu de um especialista que ele teve um “estiramento malcurado” e afirmou que o Botafogo não conseguiu lidar com a questão, rapidamente solucionada no país vizinho.

– Eu cheguei lá na Argentina, conheci o “fisio” de lá e foi uma coisa tão simples que aqui não conseguimos ver. Lá tem uma “medicina” que se chama MEP (Eletrólise Percutânea), tipo uma acupuntura, mas passa calor na cicatriz que você tem. Dói pra caramba, mas… (risos). Aqui eu corria errado, compensava com a perna esquerda e me machucava. Aí fui lá, o cara viu e em uma semana eu estava bem de novo. Eu falei para ele: “Cara, eu não quero que aconteça de novo o que aconteceu lá” (…) Aí eu falei “Pô, tem isso aqui que dói e não me deixa treinar”. Aí ele: “Não, isso aí é coisa boa”. Fui lá com um ultrassom e o cara viu. Ele disse que foi um estiramento malcurado aqui e eu fiquei com pressa de voltar. Aí fiz esse bagulho da agulha. Eu disse: “Se você vai para o Brasil com isso aí, vai virar milionário” – brincou o hermano.

Confira abaixo outros temas abordados na entrevista de Montillo à ESPN Brasil:

EMOÇÃO NA DESPEDIDA DO BOTAFOGO

– Eu joguei pouquíssimo. Eu sempre tento ter uma boa relação, não só com os jogadores, mas com os funcionários que trabalham no clube. Eu acho que eles são iguais ou mais importantes que os jogadores. Roupeiros, qualquer um. Todo mundo esperava que jogasse muita bola lá e eu não consegui. Por isso foi muito emocionante, porque todo mundo queria que eu ficasse. Mas eu não podia ficar só esperando para jogar. Não estava dando certo. Não é minha maneira. Como eu disse, na vez que me despedi de todo mundo lá, eu gosto de ganhar dinheiro em campo, jogando domingo, fazendo gol, assistência, jogando bola. Ganhar dinheiro numa maca, esperando o que vai acontecer? Não.

TENTOU ABRIR MÃO DO SALÁRIO?

– Eles (dirigentes do Botafogo) disseram que não podia por causa de um imposto, não conseguiam. Então eu disse que ia para minha casa. “Vou embora, não quero ganhar dinheiro assim”. Não sou assim. Eu tentei, foram quatro lesões seguidas. Contusões, estiramentos…

SE VIU COMO APOSENTADO QUANDO SAIU DO BOTAFOGO?

– Sim, nesses seis meses (pós-Botafogo). Eu fiquei treinando porque eu gosto de estar bem e em forma. Tentei me cuidar. Eu parei de jogar em junho aqui. Em setembro/outubro, o treinador do Tigre me ligou: “Se cuida que vou tentar te trazer em janeiro”. Eu estava morando aqui no Rio. Eu contratei um preparador físico para fazer um planejamento para se algo acontecesse. Aí fiquei treinando com ele três meses sozinho, na praia, correndo na rua, até voltar em janeiro.

CALENDÁRIO ‘MUITO LOUCO’ DO FUTEBOL BRASILEIRO

– Eu lembro que cheguei ao Botafogo dia 6 e no dia 18 era o primeiro jogo do Estadual. Você não tem como em 12 dias se preparar. A gente tenta se preparar fisicamente para chegar bem e ter a ideia do treinador. Não tem tempo para treinar. Na Argentina, não tem Estadual. Você tem 1 mês e meio de pré-temporada e já começa a ter uma ideia de jogo. Pode dar certo, pode não dar certo. Mas aqui você tem que fazer isso em uma semana. O preparador físico tenta fazer com que ninguém se machuque e todos cheguem certinho no primeiro jogo. Além disso tudo, tem que jogar bem. É muito difícil, aqui tem 70 jogos por ano. Na Argentina, você joga 45 no máximo. Na Europa, se você disputa a Champions, você joga 60. Aqui é muito louco.

Fonte: Redação FogãoNET e ESPN Brasil