O passado vive: dura realidade faz Botafogo insistir em contratações de velhos nomes para liderar o futebol

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Botafogo remete ao passado para escolher profissionais para comandar o futebol do clube
Vítor Silva/Botafogo | Depositphotos

“O Botafogo deve se profissionalizar”, “precisa de sangue novo”, “ideias modernas são necessárias”… Esse discurso vem de anos, um desejo antigo dos alvinegros, sobretudo os mais jovens, que não aguentam mais viver um eterno looping de novos velhos nomes em cargos de liderança no futebol do clube.

Se fizermos um pequeno recorte, de janeiro de 2018 para cá, ou seja, dos últimos três anos, foram raros os profissionais contratados para oxigenar o Glorioso. No início da gestão do ex-presidente Nelson Mufarrej, quem assumiu o time para substituir Jair Ventura, que já era um interino efetivado? Felipe Conceição, ex-técnico no sub-17. Ainda tivemos o retorno de Alberto Valentim, campeão carioca em 2018, para iniciar a temporada 2020, e de Eduardo Barroca, também ex-base e treinador em 2019, para apagar o incêndio irreversível neste fim de Brasileirão. No meio do caminho ainda testemunhamos Bruno Lazaroni, auxiliar permanente que foi alçado aos profissionais no meio do furacão, e Lucio Flavio, ex-camisa 10 do Glorioso, voltar ao Estádio Nilton Santos para integrar a equipe fixa da comissão técnica.

Quando olhamos para os cargos de chefia do departamento de futebol, quem chegou para substituir Antonio Lopes como gerente em 2018? Anderson Barros, dirigente da pasta de 2009 a 2012, na gestão de Mauricio Assumpção. A saída de Barros para o Palmeiras não teve uma reposição imediata. Sem dinheiro para ir ao mercado e precisando se blindar de críticas da torcida, o Botafogo passou a optar por pessoas identificadas com a história do clube, como foi o caso do saudoso Valdir Espinosa, campeão carioca com o Fogão em 1989 e que chegou para ocupar uma outra função, a de gerente técnico, ficando mais próximo dos jogadores.

A gerência deu lugar ao comitê executivo de futebol, formado por antigos dirigentes como Carlos Augusto Montenegro, presidente no título brasileiro de 1995, e Manoel Renha, ex-VP de futebol na gestão Bebeto de Freitas. Este comitê também foi responsável pela assinatura com outro profissional com identificação com a Estrela Solitária: Paulo Autuori, contratado para ser treinador em 2020, mas com voz ativa nas decisões da principal pasta de General Severiano. Montenegro e companhia se desligaram do clube em novembro, deixando Túlio Lustosa, o “Túlio Guerreiro” dos tempos de volante, como gerente de futebol. Vá anotando. Quantas novidades até agora? Nenhuma.

A gestão Mufarrej terminou no dia 4 de janeiro e a dura realidade financeira do Botafogo, virtualmente rebaixado para Série B, já começa a respingar nas primeiras ações de Durcesio Mello, eleito para o quadriênio 2021-2024. O novo presidente, que já contratou o fisiologista Altamiro Bottino, com passagem pelo BFR de 2007 a 2013, para ser coordenador científico em sua transição para o mandato, acertou nesta quinta-feira (21/01) com Eduardo Freeland para a direção de futebol. Sem experiência entre os profissionais, Freeland é outro novo velho nome, já que trabalhou anteriormente como coordenador técnico, gerente técnico e gerente geral da base alvinegra.

Esta coluna não é uma crítica direcionada à competência dos nomes citados, principalmente os que chegaram para iniciar um novo trabalho recentemente no clube. E sim à falta de reciclagem do Botafogo, que precisa olhar urgentemente para seu futuro cada vez mais preocupante.

E quando o Botafogo ‘saiu da caixinha’…

Marcos Paquetá, Zé Ricardo e Ramón Díaz foram “novos nomes” procurados pela diretoria do Botafogo nos últimos três anos (Fotos: Vítor Silva/BFR)

O Botafogo pensou “fora da caixa”, se é que podemos dizer assim, apenas três vezes nas últimas três temporadas, quando fechou com Zé Ricardo (2018/19), o mais longevo neste período no cargo de técnico (251 dias), Marcos Paquetá (2018) e o argentino Ramón Díaz (2020). Sendo que as últimas duas cartadas da diretoria fracassaram totalmente. Paquetá comandou o time em cinco jogos, sendo derrotado em quatro. Díaz, por problemas de saúde, foi demitido antes mesmo de começar seu trabalho.

Fonte: Redação FogãoNET

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