Realidade, Luís Castro, reforços, CT, possíveis saídas e mais: a íntegra da coletiva de John Textor no Botafogo

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Carlos Eduardo Sangenetto

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John Textor concede entrevista no novo vestiário do Botafogo no Estádio Nilton Santos
Vítor Silva/Botafogo

John Textor abriu o jogo e falou sobre diversos assuntos na tarde desta sexta-feira (22/7) no Estádio Nilton Santos. Com a sinceridade habitual, manifestou apoio ao técnico Luís Castro, comentou sobre reforços e possíveis saídas, deu pistas sobre CT e mostrou a realidade do Botafogo.

Após o empresário americano apresentar Luis Henrique e inaugurar novo vestiário, foi concedida uma entrevista coletiva para a imprensa no local. O FogãoNET traduziu e transcreveu todas as declarações.

💬 Leia abaixo:

Realidade do Botafogo

– Eu acho que todos nós temos uma alta expectativa. Quando nós começamos, fomos muito realistas sobre o que nós encararíamos esse ano. Eu gosto de usar a expressão “sonhamos de olhos abertos”. Eu quero sonhar com campeonatos, mas a realidade é um desafio. Expectativas começaram a ser construídas em dezembro, em janeiro, em fevereiro, até 11 de março, quando eu tive apenas 30 dias do fechamento da janela de transferências. Nós tivemos que montar um time. Não existiam formas de fazer isso antes do dia 11. Não havia dinheiro no clube. Então em 30 dias tivemos que montar um elenco. Poucos jogadores tinham experiência com a Série A e o técnico usava apenas três desses jogadores. Acho que para Série A temos que ter 32 jogadores treinando toda semana. Então tivemos que sair de cinco jogadores para 32 e fazer isso em um curto período de tempo. Foi um grande desafio. Não tínhamos técnico. Nós tínhamos um time, mas o desafio era elevar esses atletas a um nível mais alto. Nós achávamos que éramos capazes, mas em 30 dias, sem técnico, é um grande desafio. Então contratamos 12 , alguns eram novos, outros trouxemos de volta. Teve jogadores que foram trazidos com minha aprovação, com pedido do Freeland. Logo, passamos a ter 12 jogadores mais três ou quatro que já tínhamos aqui, porém ainda havia a necessidade de jogadores com experiência de Série A. Essa era a realidade quando começamos a temporada. Isso não quer dizer que você precisa trocar 15 jogadores, porque há jogadores mais jovens, como Jeffinho e Kayque, e outros que podem se provar e serem aptos para Série A. Vamos aprendendo semana a semana. O treinador fala sobre problemas. O desafio é bom. Agora temos que encontrar os outros. Alguns jogadores já demonstraram que podem fazer parte e atuar nesse nível. Quando encontramos alguém que vale a pena, colocamos nossos esforços.

Matheus Pereira

– Sobre Matheus Pereira, simplesmente não querem deixá-lo sair. Os torcedores dizem “não importa quanto, pague!”. Mas temos várias posições para preencher nesse time e não podemos simplesmente atender as demandas dos outros donos, especialmente quando esses donos não querem fazer negócio. Precisamos fazer negócio com clubes que estão dispostos a negociar e esse não é o caso do Matheus Pereira.

Martín Ojeda

– É um jogador fabuloso que se encantou pelo projeto do Botafogo. O agente dele está do nosso lado, nós falamos sempre com o presidente (do Godoy Cruz). Eu brinco que o jogador precisa parar de marcar gols (risos). Ele é muito importante para o time, precisam dele. Mas essa é uma negociação que podemos não ter sucesso, não pelo fato do jogador não querer vir. É o mesmo caso de outros jogadores que gostariam de vir. Mas o time quer realmente segurá-lo. Nós temos conversado, tentando ser razoáveis. Dinheiro não é um problema. O problema é o momento da equipe, não querem deixá-lo sair agora. E o contrato é longo, vai até 2024.

Matheus Pereira e Martín Ojeda

– São situações diferentes, mas com algo em comum: os clubes não querem liberar seus jogadores. Os clubes gostam dos jogadores assim como nós gostamos e não querem liberá-los. É muito diferente do caso do Zahavi, que estava fazendo uma escolha de vida. O Cavani seria interessante, mas não era uma negociação tão realista. Já Matheus Pereira e Ojeda é algo mais realista. Realmente acreditamos que eles gostam do nosso projeto, nossa equipe, com Mazzuco, Brito, Luís Castro, mostraram bem como eles seriam parte disso. Mas eles são muitos úteis para o time deles (...) O que os dois têm em comum é que os clubes realmente não querem liberá-los. Isso é um desafio um pouco diferente do que estamos acostumamos a encontrar.

Gastos na 2ª janela de transferências

– Diante do que nós temos e na posição que estamos, da qualidade dos jogadores, e do que ainda podem se desenvolver, eu prefiro trazer três jogadores que custem 10 milhões de euros cada do que um que custe 30 milhões de euros.

Tiquinho Soares

– Eu sou fã do futebol dele, assim como todo mundo. Ele está jogando uma competição importante agora (Liga dos Campeões). Os donos estão se respeitando muito. Eles (Olympiacos) têm uma partida importante na semana que vem e nós esperamos que o clube converse com a gente no momento certo nos próximos dias. Sobre esse jogador especificamente, ele tem o perfil que o Botafogo está procurando. Todos nós vimos os jogos contra o América-MG, Atlético-MG e Santos, temos uma boa estrutura coletiva, construímos de trás. Fazemos o que bons times aplicam, marcamos firme e pressionamos. No começo da temporada o time não mantinha a bola muito na frente. Agora nós estamos priorizando a criação de oportunidades, mas precisamos de um nível de experiência, alguém certeiro, que crie chances de finalização. E jogadores como Tiquinho Soares são muito maduros e ficam à vontade na frente do gol. É isso que estamos procurando.

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Expectativa para o restante de 2022

Primeiro, nem tudo se trata de ter novos jogadores. É claro que teremos reforços. Eu quero que os torcedores vejam um pouco da forma que eu vejo. Eu chamo os botafoguenses de coproprietários. Agora é a hora deles pensarem e agirem como coproprietários. Eles têm que ver o que eu estou vendo. Eu sei que eles veem, nossos torcedores são espertos. Eles vão aos jogos. Eu vejo eles falando comigo no Twitter, suas opiniões… Mesmo com a paixão que eles têm pelo Botafogo, é necessário que não sejam apenas emotivos, precisam ser racionais, e eu sei que eles são. Eles verão como o futebol é construído e nosso time ganhando confiança e melhorando. Vão ver o número de jogadores que nós precisamos e as posições para que começamos a ter bons resultados. É o que esperamos agora. Eu espero que esse estilo de jogo e essa construção nos ajudem a começar a ganhar. Estamos adicionando algumas pecinhas para que centro do círculo seja tão forte quanto o entorno dele.

Botafogo Way

– Esse técnico e esse time estão fazendo exatamente o que eu pedi para fazer. Nós estamos falando sobre construir o Botafogo Way. E isso não acontece imediatamente. Tivemos que montar esse time em 30 dias. Esse técnico não teve nem uma pré-temporada, nem estava à beira do campo no primeiro jogo do Brasileirão. Antes da estreia, ele deu uma ajuda contra o Corinthians porque nós o tiramos do Al-Duhail. Jogamos contra o Corinthians, não foi fácil. Mas quando olhamos o estilo de jogo da última noite (Santos 2 x 0 Botafogo) e como tão frustrado ficamos, porque fomos tão bem e ainda assim não fizemos gol. Lembrem-se nós fomos bem. Esse é o técnico Luís Castro. É isso que eu pedi para fazer. Está acontecendo, está sendo construído. Sabemos que temos lacunas e queremos preenchê-las. Mas esse estilo de jogo, esse técnico e esse time vão vencer.

Como torcedor, estou muito infeliz. Como dono, estou muito feliz. Esse projeto é um desafio, construir algo sustentável. Está acontecendo diante dos nossos olhos, como torcedores não estamos conseguindo os resultados. É doloroso. Eu vejo jogadores que os torcedores reclamaram seis semanas atrás, como Lucas Fernandes. Mas nenhum torcedor reclama dele hoje. OK, o sistema está em curso, os jogadores estão à vontade com isso. Como torcedor é doloroso, mas como dono é isso que eu queria.

Centro de treinamento

– Da última vez que eu estive aqui, eu esperava anunciar aluguel de um pequeno centro de treinamento, que daria uma melhor condição para o time principal. Esse lugar ainda é uma possibilidade, mas nas últimas semanas estou procurando uma propriedade que seja muito mais próxima do Lonier. Eu gostaria de deixar claro que quero o time principal, o time B e o sub-20 trabalhando muito perto. Talvez tenhamos encontrado um terreno perto do Lonier que possamos adquirir. Assim, parte das equipes treinaria no Lonier, dos irmãos Moreira Salles, ficando próximo.

– Comecei a procurar por locais que poderiam ser alugados, mas realmente quero começar os campos e ter uma solução definitiva. Por sorte, existe este terreno muito próximo ao Lonier que está disponível. Então, eu acho que vamos comprar um terreno. Foi a primeira vez que eu vi a oportunidade de ter todos os times juntos. Isso é algo que estamos tentando resolver.

– Se você compra um terreno, você precisa ter as autorizações, limpá-lo e isso leva muito tempo. Eu acho que provavelmente ainda precisaremos um outro local. Mas isso não vai ter um impacto imediato na atual temporada. Porém espero que possamos ter algo em breve para mostrar aos torcedores a nossa ideia para o futuro. Muito em breve.

Permanência de Luís Castro

– De novo, a minha mensagem para os torcedores: os torcedores veem os resultados, eles veem o time, os jogadores. Esse técnico é um professor, um construtor, um manager, um vencedor. Ele conhece esse jogo. Ele não tem armas para lutar. É um ótimo treinador. Os torcedores precisam agir como donos, não como torcedores quando há esse tipo de decisão. Gostaria que meus coproprietários tivessem mais paciência com o projeto porque Luís Castro não vai a lugar nenhum.

Deixem eu ser mais direto. Luís Castro está fazendo um grande trabalho. As pessoas estão falando, falando, mas ele está fazendo um grande trabalho. Ele não pode entrar em campo no meio do jogo e chutar a bola para o gol. Eu acho que isso não é permitido aqui no Brasil ou em lugar nenhum. São os jogadores que precisam finalizar e colocar a bola no fundo da rede, não o técnico. O treinador pode ter feito substituições boas ou ruins, eu vi as trocas no último jogo e pensei: “Boa troca!”. O jogador entrou, mas não atuou como da última vez. Esses jogadores são seres humanos. Esse técnico está fazendo um grande trabalho e estou feliz com ele. Eu peço para que os torcedores analisem isso como coproprietários. Não podemos simplesmente descartar técnicos, dirigentes e donos atrás do outro. Isso não vai acontecer. Precisamos ter cuidado e prestar atenção no processo.

Jogadores fora dos planos

– É um caso de todas as equipes de futebol. No momento estou esperando por essas respostas, porque quando trazemos novos jogadores, precisamos dar oportunidade para que outros joguem. Então podemos emprestar alguns jogadores. Eu já ouvi alguns nomes porque alguns clubes já entraram em contato conosco. Nós temos jogadores neste time que podemos ceder. Outras equipes da Série A nos consultaram sobre empréstimos. É um momento um pouco confuso porque nós estamos nos esforçando para trazer reforços e podemos criar situações com outros jogadores. Então, nos próximos dias, enquanto eu estiver aqui, o técnico vai começar a falar comigo. Alguns nomes podem me surpreender e alguns eu já imagino. Isso deve acontecer nos próximos dois ou três dias.

📺 Assista ao vídeo abaixo com a entrevista comentada:

Fonte: Redação FogãoNET

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