O orçamento 2018 do Botafogo previa receitas classificadas pelo conselho fiscal em seu parecer como “extremamente otimistas”, de baixa probabilidade de realização. Ao longo do ano, as preocupações se materializaram. As receitas orçadas não se realizaram ao nível das despesas e o Alvinegro se viu obrigado a buscar empréstimos para se manter funcionando.

Diante dessa situação, seria normal que para o ano seguinte o orçamento fosse mais “pé no chão”, para evitar grandes divergências entre a previsão e a realidade. Mas não foi o que aconteceu.

Lançado na última semana, o orçamento de 2019 novamente baseia-se em metas “extremamente otimistas”, aumentando ainda mais o valor daquelas receitas consideradas de baixa probabilidade de realização. Com isso virou motivo de crítica da oposição. Desta vez, entretanto, o novo conselho fiscal não demonstrou preocupações com essas estimativas.

A diretoria, por exemplo, espera que o Botafogo, atual lanterna do Grupo C da Taça Guanabara, conquiste uma vaga na próxima Libertadores. Mirar alto não é o problema, mas contar com esse dinheiro parece uma decisão precipitada.

Outro ponto é arrecadar R$ 16 milhões com patrocínios. Vale ressaltar que o principal parceiro do clube, a Caixa, que investe R$ 8 milhões, não deverá seguir no futebol, como sinalizou o ministro da Economia Paulo Guedes.

Além disso o Botafogo espera faturar R$ 40 milhões com vendas de atletas. Igor Rabello e Matheus Fernandes, considerados os mais valiosos do elenco, renderam juntos R$ 30 milhões após serem negociados com Atlético-MG e Palmeiras, respectivamente.

“O orçamento do Botafogo tornou-se um item de fantasia nas gestões Carlos Eduardo Pereira e continua agora com Nelson Mufarrej. Eles sonham no papel e a realidade nos atropela, obrigando o clube a realizar adiantamentos e empréstimos para fechar o ano. E nem assim eles conseguem”, disse Thiago Pinheiro, integrante do grupo de oposição Botafogo Sem Medo.

“O Conselho Fiscal, que deveria ser um órgão independente e zelar pelas contas e saúde financeira do clube, aprovou por 8 a 1 uma proposta de orçamento que prevê R$ 40 milhões em vendas de jogadores e R$ 37 milhões em placas publicitárias. Apenas o conselheiro de oposição, Carlos Godinho, votou contra esta vergonha e apresentou questionamentos e voto em separado. Se nem o Conselho Fiscal se preocupa com as contas do Botafogo, o que fazer?”, completou Pinheiro.

A situação do Botafogo, claro, é delicada. Enquanto o clube vende o almoço para comprar o jantar, os irmãos Moreira Salles realizam um estudo para viabilizar uma nova gestão do clube. O modelo ainda será proposto e é votado para haver uma definição nesse sentido. Até lá, porém, a oposição cobra mais responsabilidade na forma de administrar o Alvinegro.

“A impressão que dá é que a atual diretoria do Botafogo reza dia e noite para os irmãos Moreira Salles assumirem o clube e se livrarem do fardo que é muito maior do que a sua capacidade: gerir o nosso Botafogo”, finalizou Thiago Pinheiro.

Procurado pela reportagem para um posicionamento sobre as críticas, o presidente Nelson Mufarrej não atendeu ou retornou as ligações.

Fonte: UOL