Desde que o Mais Botafogo assumiu o clube, em 2015, o projeto era diminuir os custos e aumentar a receita com o futebol. Com elencos mais modestos, o Alvinegro, sob o comando de Carlos Eduardo Pereira, se manteve com salários em dia apesar do caos financeiro que assola o clube.

Isso só foi possível porque o Botafogo utilizou-se das luvas que recebeu por assinar novo contrato com a Globo. O dinheiro, no entanto, deveria durar até 2020, data final do contrato com a emissora. Não foi isso que aconteceu. Os R$ 17 milhões foram utilizados em três anos, o que criou um impasse para o próximo triênio.

Enquanto tudo esteve em dia, o Botafogo teve bons resultados em campo e não passou qualquer sufoco. Viveu bons momentos na Libertadores e no Brasileiro e uma esperança de dias melhores.

O problema foi quando o dinheiro acabou de vez, no fim de 2017. Nelson Mufarrej foi eleito e manteve o Mais Botafogo no poder. A estratégia era a mesma executada por Carlos Eduardo Pereira, mas sem as luvas da Globo. Nesse ponto, o Alvinegro não conseguiu fazer novas receitas e viu o laço apertar ainda mais.

A venda de atletas é o caminho mais fácil, ainda mais com jovens valorizados no mercado, como são os casos de Igor Rabello e Matheus Fernandes. Porém, nenhuma boa proposta chegou ao Alvinegro que vê o dinheiro dessas negociações como fundamental para fechar as contas no fim do ano.

Assim, a única renda vindo de fora foi a renovação com a Caixa. O Botafogo receberá no total R$ 10 milhões para o contrato que vai até fevereiro – o clube jamais retirou a marca dos uniformes. Ao regularizar sua situação na Justiça e conseguir a CND (Certidão Negativa de Débito), o Alvinegro oficializou a renovação da parceria.

“Assinamos o contrato com a Caixa, integral, no qual o banco nos pagará em função de sempre estarmos expondo a marca deles o ano inteiro. Isso já é uma grande vitória, conseguimos solucionar as partes burocráticas, das CNDs, e agora vamos priorizar o pagamento dos funcionários, deixando tudo em dia. Evidente que estamos sempre buscando outras receitas, não só de venda de jogador. Já sabíamos que este ano seria difícil financeiramente. Infelizmente não estamos disputando os primeiros lugares, mas vamos conseguir brigar pela Libertadores”, disse Nelson Mufarrej à Rádio Brasil.

O objetivo do Botafogo, agora, é simples. Primeiro colocar os salários em dia e não voltar a atrasar. Nesse meio tempo, a meta é blindar o futebol desse caos financeiro e manter o foco somente nas quatro linhas. Nesse ponto, o gerente de futebol Anderson Barros tem participação fundamental para lidar com o grupo de atletas.

Apesar de na teoria fazer sentido, sabe-se que a prática é totalmente diferente. Com salários atrasados, a cabeça dificilmente fica tranquila para o trabalho ser desempenhado. A diretoria sabe disso e tenta resolver tudo o mais rápido possível. Mas sem perder a confiança no grupo.

“A gente, desde o início, pensa em ficar em boa colocação na tabela, inclusive conseguir a vaga na Libertadores e ainda acreditamos nesse objetivo. Quanto ao rebaixamento, temos a preocupação, como todos têm que ter. Muitos times estão juntos, lutando para vencer, mas primeiro temos que vencer os jogos em casa. A preocupação existe para todo mundo. Tenho certeza que nós não vamos ser rebaixados. Nossa equipe é boa e dedicada. Vamos corrigir o que precisa”, completou o presidente do Botafogo.

Fonte: UOL