Caso Vitinho: Traffic ‘rebate’ Assumpção e quer entendimento com o Botafogo

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No último fim de semana, em entrevista à Rádio Globo, o presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, deixou mais uma vez claro seu descontentamento com a maneira como Vitinho deixou o clube e foi para o CSKA, da Rússia. O principal alvo da ira do mandatário é a Traffic, empresa que representou o atleta nas negociações. Os russos levaram a revelação por 10 milhões de euros (cerca de R$ 31,6 milhões)

Assumpção chegou a declarar na entrevista que os atletas do elenco que ainda tiverem algum tipo de vínculo com a Traffic foram avisados que não ficam em General Severiano (atualmente Cidinho, Sassá e Daniel, do time juvenil). No caso de Vitinho, o meia já poderia ter saído do Bota, e sem lucro financeiro para o clube, já que o Alvinegro chegou a atrasar cinco meses de FGTS. 

Com um tom mais diplomático, Fernando Gonçalves, diretor executivo da empresa, deu sua versão sobre a saída de Vitinho. Ele relatou que desde o início do ano houve a tentativa de aumento salarial do meia e que o clube sempre ficou sabendo das sondagens que chegavam para o atleta.

– Desde o início do ano, quando percebemos o potencial do Vitinho, iniciamos uma aproximação com o departamento de futebol para dar suporte motivacional e psicológico a ele. Começaram as primeiras boas atuações. Ele iniciou a temporada ganhando R$ 6 mil e, depois destes bons jogos no Carioca, passou para R$ 15 mil. A multa foi R$ 12 milhões para R$ 30 milhões. Acreditávamos que, com o decorrer do ano, iríamos sentar e rediscutir. A medida que o tempo passou e a evolução foi flagrante, procuramos o Botafogo para equilibrar este acordo. Ele estava em um nível alto e com salário bem abaixo da média do elenco. Neste período já começaram a ter sondagens interessantes. O Udinese sinalizou com a possibilidade de pagar de 5 a 6 milhões de euros (cerca de R$ 15 a R$ 18 milhões). Tudo foi informado ao Botafogo. Uma possibilidade era o clube fazer um aumento mais agressivo, indo até R$ 60 ou R$ 70 mil e mudando a multa. Outra era aumentar para R$ 35 mil e manter a multa, que foi a escolha da diretoria – contou.

Vitinho, no entanto, não chegou a receber o salário de R$ 35 mil. Nos quatro meses antes de sua saída, a promessa não foi cumprida. Ao passo que se destacava cada vez mais, as sondagens se intensificaram e viraram propostas, inclusive no valor da multa rescisória, como no caso do CSKA. Na Rússia, Vitinho ganha cerca de R$ 500 mil mensais.

– Essa promessa (de R$ 35 mil) nunca se materializou, nos quatro meses seguintes não aconteceu. O Vitinho e o pai ficaram muito frustrados. A janela começava a se aproximar e as sondagens se elevaram, vieram de tudo quanto era lugar. Na véspera do jogo contra o Internacional, tínhamos conversas com CSKA e Galatasaray. Avisamos ao Botafogo, não foram pegos de surpresa. Na semana seguinte, as sondagens viraram propostas. Na véspera do jogo contra o Atlético-MG, avisamos novamente ao clube. Os números eram muito bons. Dissemos que não tínhamos falado com o Vitinho ainda por causa do jogo, mas que teríamos que conversar. Os clubes interessados sabiam do valor da multa. Tentamos marcar uma reunião, mas não foi possível e ela só aconteceu em Curitiba – relatou Fernando Gonçalves.

Neste encontro no Sul, já com conhecimento do risco de perder Vitinho, a diretoria do Botafogo chegou ao valor de R$ 200 mil. O meia, no entanto, estava insatisfeito com o tratamento recebido até aquele momento e não se empolgou. Fernando Gonçalves garantiu que havia a liberação para a saída da concentração em Curitiba para voltar ao Rio, ao contrário do que afirmou Maurício Assumpção na entrevista.

– O Botafogo fez uma proposta de R$ 150 mil e depois R$ 200 mil. Por causa do que já tinha acontecido, o Vitinho recebeu mal. Ali ele amadureceu a decisão dele. Mas nós pedimos calma e estimulamos que ele jogasse contra o Atlético-PR. Depois da partida, ele nos disse que gostaria de voltar para o Rio para conversar com a família. Foi falado com a pessoa responsável e a autorização foi concedida para ele sair da concentração. O que era 95% de certeza para o Vitinho, virou 100% quando ele retornou ao Rio.

Antes de tomar a decisão de ir para uma liga que não é uma das principais da Europa, o jovem meia foi orientado a conversar com pessoas de sua confiança para ter o maior número de informações possível. Mesmo com o risco de se “esconder” na Rússia, Vitinho resolveu apostar.

– Estimulamos ele a conversar com o maior número possível de pessoas que ele confiasse para amadurecer o processo. Mostramos casos de jogadores que deram certo e outros que não deram. O CSKA é excelente, tem um histórico de brasileiros, joga Champions League, mas claro que existem riscos.

Fernando Gonçalves disse entender o sentimento dos dirigentes quando não podem mais contar mais com um jogador importante, ainda mais lutando pelo título brasileiro. O diretor da Traffic lembrou que tudo foi feito dentro da legalidade e disse que gostaria de retomar uma relação de diálogo com o Botafogo.

Robben e Vitinho jogo Bayern de Munique contra CSKA (Foto: EFE)
Vitinho corre atrás de Robben no jogo entre CSKA e o Bayern de Munique (Foto: EFE)

– Toda vez que o clube perde é um estresse, e nós entendemos isso. O Fluminense perdeu o Conca, Alan, Maicon, o Vasco o Anderson Martins, o Grêmio achou que privilegiamos o Flamengo no caso do Ronaldinho… Quando há divergência, temos que sentar à mesa. O que nós fizemos de errado? Havia uma multa contratual, ninguém colocou o Botafogo contra a parede. O Vitinho comunicou oficialmente assim que amadureceu sua decisão e agradeceu por tudo. Espero que a diretoria reconheça isso e a gente volte a ter entendimento. Nós temos uma postura discreta, e imaginava que o bom senso fosse prevalecer, mesmo diante das declarações. Entendemos o estresse dos clubes em casos assim, mas lamentamos muito as declarações. Sempre fomos parceiros, não entendemos as críticas.

Por fim, o diretor da Traffic ressaltou que a empresa não tinha direitos econômicos de Vitinho e apenas prestou serviços de representação.

– Para ficar claro: a Traffic tinha zero de direitos econômicos, atuou exclusivamente como representante na negociação. Temos mais de 30 anos no mercado, grandes operações no Brasil e pessoas de comportamento reto. Não seria uma atividade de representação que iria mudar isso.

O Botafogo teve direito a 60% do valor total da negociação de Vitinho (R$ 18,6 milhões). Os outros 40% pertenciam ao Audax.

Fonte: Globoesporte.com

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