Demitido do Botafogo junto com Bolívar, Emerson Sheik e Júlio César, Edilson está a caminho do Corinthians. Embora cauteloso, a negociação com o Timão está bem encaminhada e apenas alguns detalhes separam o lateral-direito do clube paulista.

Conversei com o jogador, que mostrou personalidade, não fugindo de nenhuma pergunta. Na entrevista abaixo, ele fala do desejo de jogar pelo Corinthians, avisa a Fiel que dá sorte na Arena e analisa detalhadamente o rebaixamento do Botafogo: “Poderia ter sido diferente”.

Portella – Você está treinando no Corinthians. Podemos dizer que continuará em São Paulo ano que vem?

Edilson – Ainda não tem nada certo, mas há uma conversa com o Bruno Paiva e o clube (empresário Edilson). Acho que daqui a uma semana teremos uma definição.

Mas você quer assinar com o Corinthians?

Edilson – Tomara que dê certo. Seria um sonho. Já pensou ouvir a torcida cantando o meu nome? Encanta qualquer um. Não param de empurrar o time. A estrutura aqui é fantástica. Eles dão um tratamento profissional a todos os atletas. Quando fui mandado embora do Botafogo, ainda estava machucado e o Corinthians abriu as portas. Fui bem recebido. Sou muito grato por isso. Espero poder ajudar o clube.

Esse ano o Timão está na Libertadores….

Edilson – É uma competição que todo jogador gosta de jogar…De muita raça, a minha característica. Estou ansioso e esperando o desfecho.

Como você acompanhou o rebaixamento do Botafogo?

Edilson – Senti muita tristeza, principalmente pela torcida e meus companheiros. Não deixei de acompanhar. Torci muito para o time, mesmo de longe. O menos culpado é o torcedor, por tudo o que aconteceu. Sempre mostraram amor pelo clube, desde o início do ano, na Libertadores.

Você manteve contato com os demais jogadores após a demissão?

Edilson – Tentei me afastar um pouco, mas sempre acontece uma troca de mensagens. Ninguém ficou satisfeito com a nossa saída. Muitos ficaram indignados. Eles sabiam da nossa importância para o grupo. Ficaram abatidos.

Você acredita que, se vocês (Edilson, Emerson Sheik, Júlio César e Bolívar) tivessem permanecido no clube, o rebaixamento não teria acontecido?

Edilson – Poderíamos ter ajudado a escapar. Não posso dizer que o Botafogo não seria rebaixado. Mas com quatro jogadores importantes a situação poderia ter sido bem diferente. Muitos atletas novos tiveram que atuar em um momento complicado. Eles não têm culpa. No momento difícil, acho que nós seríamos importantes.

O seu contrato já foi rescindido? Chegou a receber alguma quantia após a demissão?

Edilson – Sim, foi rescindido. Mas não pagaram nada. Não teve acordo nenhum. Eles disseram para entrar na Justiça. Fui obrigado a fazer isso para receber. O clube não tem dinheiro. Foi uma falta de respeito!

Falta de respeito do clube?

Edilson – Não. Do presidente que fez isso tudo e agora saiu. Fui mandado embora machucado. Esta é a minha maior mágoa. Isso não se faz com um profissional. Recebi apoio de gente que precisa muito mais do que eu. Não vou esquecer daquele dia… No corredor para o vestiário do Engenhão, três funcionários me pararam. Gente humilde, mas de coração grande, sabe? Aqueles que não aparecem. Um deles, veio até em minha direção e disse, quase chorando: “Edilson, não acredito que ele (ex-presidente Mauricio Assumpção) tá fazendo isso. Vou pedir minha demissão também”. Eu me dava muito bem com os funcionários mais simples. Todos ficaram incrédulos.

Como você recebeu a notícia?

Edilson – Estava em casa jogando vídeo-game com o meu sobrinho. Quando meu agente ligou, dizendo que eu estava fora. Não entendi nada. Fiquei muito chateado, sem acreditar no que estava acontecendo. Nem comentei com a minha família. Fui ao clube no dia seguinte e veio a confirmação. O Mauricio (ex-presidente do Botafogo) não foi homem. Não aparecia há quatro meses. Em momento algum ligou ou olhou na cara da gente pra dizer o que pensava. Até hoje não temos uma resposta concreta do que realmente aconteceu. Ele se precipitou e foi orgulhoso. Prejudicou o Botafogo.

Além de vocês, outro que liderava o grupo é o goleiro Jefferson, considerado ídolo e principal jogador do elenco. Por que ele não foi mandado embora junto com o quarteto?

Edilson – Jefferson é um ótimo profissional. Sempre me dei bem com ele. Não foi mandado embora porque é o goleiro da Seleção Brasileira, né? Aí ele (Mauricio Assumpção) não poderia dar a desculpa que deu, quando falou que era pela parte técnica. Eu estava machucado! Como poderia ser pela parte técnica? Além disso, eu vivia um bom momento, fazendo gols e com apoio dos torcedores.

Você acredita que o Mancini (treinador) e o Gottardo (Diretor de Futebol) tiveram influência nas dispensas?

Edilson – Acho que o Mancini não teve influência. Aliás, tenho absoluta certeza. Estávamos fechados. Continuei torcendo por ele. Já o Gottardo… não sei. Acredito que não, mas não sei…

O ex-presidente colocou a parte técnica como razão principal da demissão. Mas você não vinha jogando. Afinal, pra você, qual teria sido o motivo? Alguém traiu vocês?

Edilson – Olha, não sei dizer. Pode ter acontecido, sim. Mas prefiro não acreditar nisso. Me dava bem com quase todo mundo. Se houve uma traição, realmente não sei dizer. Como falei, ele (ex-presidente) não ia há 4 meses no clube e de repente aconteceu isso…Não entendi nada! Ninguém entendeu. Eu e meus companheiros fomos demitidos. Mas o Botafogo foi rebaixado e onde ele está agora? Saiu, né?

Você teve problema com algum integrante da diretoria?

Edilson – Tive uma discussão com o Gottardo (diretor de futebol), que acabou sendo resolvida. Conversamos. Não concordei com ele, mas o respeitei. Faltava gelo e cobrei. Eu achava que estava certo. E também comprei remédio do próprio bolso. Só queria o melhor para o grupo.

O grupo respeitava o Gottardo?

Edilson – Olha, sinceramente, a situação já estava muito complicada quando ele chegou. Gottardo errou em alguns momentos por não ter colado com o grupo. Às vezes, ele queria bater de frente, como foi comigo e com o Jefferson. Acho que foi desnecessário. Não é meu amigo, mas também não o considero inimigo. Respeito a história dele como jogador, mas já acabou. Está na hora dele se preparar para lidar as pessoas.

Você negou ter proposta do Flamengo para sair. Mas teve outro clube carioca atrás de você…

Edilson – É verdade. Quem me procurou foi o Vasco, no meio do ano. Foi uma sondagem. A crise financeira era grande no Botafogo e os três meses sem receber permitiriam que eu assinasse com outro clube. Mas estava bem no Botafogo e jamais abandonaria o barco. Sobre o Flamengo, fiquei muito irritado com a história. Em nenhum momento, ninguém de lá me procurou.

Como foi o contato com os botafoguenses após a demissão?

Edilson – Todos que me viram na rua pediam que eu voltasse. Mas eu explicava que queria mas não dependia de mim. A torcida do Botafogo me abraçou. Vivi momentos maravilhosos. O Botafogo sempre estará no meu coração. Vi aquele Maracanã lotado na Libertadores e foi uma experiência emocionante. É um clube sensacional. Este novo presidente parece ser um cara sério. Estou torcendo pela recuperação do clube, que tem uma história linda.

Fonte: Blog Sem Firula - Fox Sports