O Botafogo está a uma vitória de garantir o seu retorno à Série A do futebol brasileiro, e a partida deste sábado, contra o Criciúma, pode oficializar o acesso do Glorioso. Dentre os jogadores que vestiram a camisa alvinegra em 2014, apenas um foi poupado da ira dos torcedores no ano do rebaixamento. E ele é um dos heróis do time em uma campanha que vem sendo mais tranquila do que muitos esperavam: Jefferson.

Na atual temporada, o goleiro seguiu regular embaixo das traves e ajudou o time a conquistar resultados importantes. Com defesas seguras, ajudou o Alvinegro a ser a equipe que menos sofreu gols (25). Além disso, não deixou de ser chamado para a Seleção Brasileira e ainda atingiu novos recordes pelo clube de General Severiano – é o décimo jogador que mais vestiu a Estrela Solitária ao peito, e promete ultrapassar a marca de grandes ídolos alvinegros.

Em entrevista exclusiva para a Goal Brasil, o camisa 1 falou sobre os principais momentos da temporada; a saída de René Simões para a chegada de Ricardo Gomes; elogios a Willian Arão, o crescimento em seu papel de liderança e, claro, o otimismo para voltar a brigar por títulos em 2016. Confira!

Lá no início do ano, com toda a reformulação no elenco, você acreditava que a vantagem seria tão grande e tranquila para garantir o acesso à primeira divisão?

“Muitas pessoas tinham uma desconfiança pelo elenco que o Botafogo formou no começo do ano, pessoas dizendo que teríamos dificuldades para subir. Nós enfrentamos dificuldades, principalmente no meio da competição, mas o nosso grupo sempre esteve muito fechado.

Sabíamos que era o ano de nossas vidas, e graças a Deus estamos conseguindo fazer uma temporada muito boa. No Campeonato Carioca nós também fomos muito bem, campeões do primeiro turno e chegamos até a final. Acho que o ano do Botafogo está excelente. Agora, se Deus quiser vamos conseguir mais uma vitória e a classificação (para a Série A) e depois é pensar no título”.

E como está essa preparação para o título da Série B?

“Para o Botafogo é um novo início, um recomeço, uma nova era que o clube vai escrever. É um título muito importante e vamos atrás dele com certeza, sem menosprezo nenhum”.

Já pensando em 2016, acha que o Botafogo pode ter um ano tranquilo na Série A?

“O mais importante é reformular tudo para a Série A. Nós sabemos que o ano que vem será mais importante ainda para o Botafogo. É para juntar todo mundo, diretoria e jogadores, e se reforçar bem.

Temos aí o exemplo do Vasco, que contratou jogadores experientes, vividos, e está passando momentos difíceis, prestes a cair novamente. Então nós sabemos a dificuldade que é a Série A”.

Falando em reforços, uma das notícias deste fim de ano é a possível saída do Willian Arão. O elenco chega a fazer algum tipo de lobby para ele ficar, ou vocês ficam mais afastados destes assuntos?

“Estamos pensando só neste ano, jogo após jogo. Entendemos o jogador, que é profissional, e em nenhum momento a gente transfere essa decisão para ele.

É lógico que desejamos ver jogadores qualificados permanecendo, mas em nenhum momento opinamos. Até porque é uma decisão muito pessoal, para ser tomada junto da família, do empresário… nós respeitamos. O Willian Arão está em uma fase muito boa, e esperamos que ele tome a melhor decisão para ele e para o Botafogo”.

A saída do René Simões foi bastante criticada, e logo depois o clube anunciou a chegada do Ricardo Gomes. Muitos pensavam que haveria uma pequena crise, mas tudo acabou de forma bem tranquila para o Botafogo. Qual foi o papel dos jogadores nisso?

“É claro que naquele momento nós lamentamos a saída do René. Somos profissionais e obedecemos às ordens, mas o grupo sempre esteve focado no objetivo, independentemente de quem viesse. Veio o Ricardo Gomes, e está nos ajudando bastante. Estamos unidos e sem deixar que qualquer coisa extracampo nos atinja. Lamentamos a saída de um grande profissional como o René, mas automaticamente abraçamos o profissional que é o Ricardo Gomes e demos seguimento ao nosso objetivo, que é o acesso à Série A”.

Qual é o ponto alto do Ricardo Gomes, como treinador?

“Acho que é a experiência e a objetividade como ele trata o futebol. O futebol é simples, não tem como inventar muito. Ele é objetivo naquilo que ele faz, e os jogadores conseguem absorver muito fácil o que ele passa.

Ele já foi jogador, entende a cabeça do jogador, então a filosofia dele é muito fácil de se entender. Isso facilita. Transmite muito bem para nós, sem a necessidade de ficar gritando e dando esporro. Ele fala de maneira objetiva, e o pouco que ele fala, os jogadores já absorvem muito fácil. É o que o futebol precisa, e graças a Deus está dando resultado”.

Se você tivesse que escolher o seu melhor momento nesta temporada, qual seria?

“Esse foi um ano muito importante para mim, eu sabia que a pressão era grande e a minha regularidade teria que ser muito boa, a responsabilidade. É difícil citar uma partida, mas um momento da competição crucial foi quando perdemos vários jogadores – Bill, Marcelo Mattos, Pimpão. Nós sentimos muito, e, com a experiência adquirida no futebol, consegui conversar com os jogadores, dar força para que todos continuássemos acreditando que era possível. No começo do ano, eu disse: não podia ser reconhecido aqui no Botafogo só por aquilo que eu fiz, mas também pelo que estou fazendo”.

No seu início de carreira e durante ela, você chegou a ficar marcado por ser um cara bem calmo e quieto em campo. De uns tempos pra cá, passou a exercer mais visivelmente essa liderança: orientando muito, cobrando dos jogadores… como aconteceu essa evolução?

“Cada jogador tem uma personalidade. Desde as categorias de base, no Cruzeiro, eu sempre fui capitão. Quando eu vim para o Botafogo cheguei acuado, mas acho que um líder é sempre um líder, e é preciso colocar isso pra fora. A partir de um momento no qual o Botafogo passou a exigir mais essa participação como capitão, essa liderança saiu automaticamente.

Não foi nada forçado, nada combinado. Já estava ali, eu só mostrei a pessoa que sou: líder, positivo, disposto a dar sempre o melhor; cobro bastante em treinos, jogos, e faço tudo isso em prol do clube, pelo time. Não é nada de vaidade, nada pessoal. Sei da importância que eu tenho, e mostrando esse lado eu só tenho a crescer”.

Você já é considerado, por muitos, um dos maiores ídolos da história do Botafogo. Qual é a sensação de entrar em uma lista que tem nomes de peso no futebol mundial?

“Vou ser sincero. Como ainda estou jogando, é difícil saber a dimensão disso, a importância que é estar ao lado de grandes nomes do futebol brasileiro. Ser reconhecido, ter a foto ali do lado de Garrincha, Nilton Santos… a ficha ainda não caiu. Até porque é perigoso. Quando cai essa ficha o jogador, às vezes, pode perder um pouco da noção, do chão.

O objetivo é continuar trabalhando, jogando, ajudando o Botafogo. Quando eu parar de jogar, todas essas lembranças vão ficar, e eu fico muito feliz. A maior recompensa eu acredito que seja essa. Mesmo após eu parar de jogar futebol, poder voltar aqui com a minha família, ver fotos no mural, reconhecimento dos torcedores… isso não tem preço”.

E você já faz planos para o que fazer quando se aposentar como jogador?

“A princípio eu não penso em ser treinador, empresário ou algo do tipo. É claro que nunca podemos dizer ‘nunca’, mas a princípio eu quero jogar futebol, cuidar dos meus negócios, da minha família… aproveitar os momentos, já que ficamos muito tempo longe da esposa e dos filhos. Assim que eu parar de jogar futebol quero passar mais tempo com a minha família”.

Qual jogador de linha mais te impressionou neste Botafogo de 2015, e qual você acha que mais evoluiu?

“Vários jogadores evoluíram muito, mas a Série B é muito diferente. Acho que o jogador que mais jogou e evoluiu foi o Willian Arão. Eu já conhecia ele de jogos do Corinthians, mas neste ano ele amadureceu muito e está preparado para crescer na carreira, com certeza”.

Você começou a ser titular do Botafogo em um ano no qual o clube retornava à elite após um rebaixamento. A próxima temporada vai ser mais parecida com aquele 2004, com luta contra o rebaixamento, ou há espaço para mais otimismo?

“Vai ser melhor, até porque nós não podemos jogar fora aquilo que o Botafogo fez de 2010 até 2013, quando estivemos sempre na briga na parte de cima da tabela, nos classificamos para a Libertadores…

É claro que vai depender também das contratações, o teto salarial vai ter que subir um pouco também, não tem como mudar. Os jogadores que vierem pra cá, precisarão ser brigadores, como neste ano, para representarem o Botafogo. Creio que 2016 vai ser um ano vitorioso, se Deus quiser. Um ano para brigar por títulos”, finalizou o capitão, que após a partida contra o Criciúma vai se apresentar para a Seleção Brasileira, pra jogos válidos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.

Fonte: Goal.com