A lista de erros para explicar o rebaixamento do Botafogo é enorme, mas para entender um pouco mais desempenho tão pífio dentro de campo basta olhar o planejamento totalmente equivocado da diretoria alvinegra. Do time que conseguiu a vaga na Libertadores em 2013, apenas Jefferson e Gabriel se mantiveram como titulares em um elenco que teve 53 jogadores atuando em pelo menos um jogo em 2014.

Encabeçada por Seedorf no início da temporada, a debandada teve inúmeros motivos, desde venda, passando por litígio na Justiça. O caso mais notório foi a dispensa de Bolívar, Julio Cesar e Edilson — junto com Emerson Sheik, que chegou no meio do ano — por divergências com o ex-presidente Maurício Assumpção.

Mas a enorme rotatividade não se limitou somente às principais peças. Dos 30 nomes inscritos na Libertadores, 13 já não fazem mais parte do grupo. O número aumenta para 20 se forem levados em conta outros atletas que não integravam a lista para a competição.

Com tantas saídas, restou ao Botafogo contratar. Mas, em grave crise financeira, os nomes escolhidos para reforçar o elenco no segundo semestre foram mais modestos e se mostraram de pouca qualidade. Até mesmo o problemático Jobson foi reintegrado para tentar dar mais força a um grupo tecnicamente fraco. E outro grave problema da direção que deixou o clube no início da semana foi a péssima visão do mercado.

São vários os exemplos de contratações que não deram certo. Os gêmeos Anderson e Alex jogaram poucas partidas e foram afastados por deficiência técnica. Jorge Wagner chegou no início do ano e foi embora por não receber, Ferreyra sumiu do clube após problema de saúde e Ramírez foi liberado na semana passada por falta de comprometimento. A lista ainda tem o uruguaio Mario Risso, que disputou um jogo, João Gabriel, que não entrou em campo uma só vez, e Maykon, estreante na penúltima partida.

Com um planejamento (ou seria a falta?) desse nível, não é difícil entender como o Botafogo, que sonhava com a Libertadores, terminou o ano rebaixado e com 35 derrotas, mais que o dobro de vitórias (17) em 64 partidas.

ELES SE FORAM!

NEGOCIADOS

Dória, Lodeiro e Elias

EMPRESTADOS

Lima, Sassá, Henrique, Mario Risso e Octávio

LIBERADOS OU AFASTADOS

João Gabriel, Jorge Wagner, Renato, Ferreyra, Ramirez, Renan, Alex e Anderson

DISPENSADOS

Julio Cesar, Emerson, Edilson E Bolívar

LIBERAÇÃO NA JUSTIÇA

Lucas

MUDOU QUASE TUDO

Quanta diferença!

A diferença é brutal do time que estreou na pré-Libertadores, contra o Deportivo Quito, e o que jogou contra o Santos, domingo, pelo Brasileiro. Na derrota que decretou o rebaixamento à Série B, muitos jogadores eram, pelo menos, a terceira opção no elenco durante o ano.

Início do ano

Jefferson, Edilson, Bolívar, Dória e Julio Cesar; Marcelo Mattos, Rodrigo Souto, Gabriel (Wallyson), Jorge Wagner (Renato) e Lodeiro; Ferreyra (Elias).

Téc: Eduardo Hungaro

Fim do ano

Jefferson, Régis, Dankler, André Bahia e Junior Cesar; Airton, Gabriel, Andreazzi (Murilo) e Ronny (Gegê); Yuri Mamute e Bruno Corrêa (Maikon)

Téc: Vagner Mancini

Fonte: O Dia Online