Mudança. Essa é a palavra que melhor define o atual momento do Botafogo. Em período de transição após a eleição do novo presidente Carlos Eduardo Pereira, o clube já tem uma linha a ser seguida para a próxima temporada. Carlos Alberto Torres, capitão da seleção brasileira no tricampeonato mundial de 1970, terá papel fundamental na nova diretoria – será nomeado ministro do esporte no Botafogo, responsável por buscar novos parceiros financeiros.

“O Carlos Alberto vai nos ajudar, pois tem prestígio internacional. Temos que negociar patrocínio, material esportivo e na captação de recurso para o Engenhão com naming rights, por exemplo. Muitas coisas a fazer. Carlos Alberto Torres e outros nomes serão importantes”, disse Carlos Eduardo em sua primeira coletiva.

O capitão do tri, no entanto, não será a única novidade no Botafogo. Apesar de ainda ter chances matemáticas de permanecer na primeira divisão em 2015, o Alvinegro já planeja a próxima temporada contando com o rebaixamento. A missão de tirar o clube da segunda divisão não será do técnico Vagner Mancini. O treinador ficará à frente da equipe nos dois jogos finais e não terá o contrato renovado.

Além do trabalho de qualidade questionável, Vagner Mancini viu sua relação com os jogadores se desgastar nesta reta final de Campeonato Brasileiro. Para alguns atletas, o treinador adota postura que o deixa em situação confortável quando a culpa pelo provável rebaixamento, deixando o peso exclusivamente nas costas do elenco e diretoria.

Situação bem parecida vive o diretor de futebol Wilson Gottardo. O ex-zagueiro ainda terá uma conversa com membros da nova diretoria para saber se há um entendimento para sua permanência. Entretanto, a discussão via imprensa com o goleiro Jefferson enfraqueceu o diretor, que tem sua saída apontada como provável por fontes ligadas ao novo presidente.

Jefferson, por sua vez, é tratado como prioridade para o Botafogo. Apesar de o goleiro ter contrato com o clube até o fim de 2015, sua permanência é cada vez mais colocada em xeque. Para que isso ocorra, o Alvinegro terá que ter uma receita maior do que a esperada para que o alto salário do atleta (R$ 360 mil) não impeça a montagem de um elenco qualificado e equilibrado. Assim, o capitão está mesmo próximo do adeus.

Até o momento, Carlos Eduardo Pereira confirmou apenas Domingos Fleury como novo vice jurídico. Nesta quarta-feira, o presidente se reunirá para definir novos cargos. Segundo apuração do UOL Esporte, Antônio Carlos Mantuano assumira a vice-presidência de futebol, Márcio Padilha deverá ser o vice de comunicação e Gustavo Noronha terá função administrativa no futebol, auxiliando o gerente executivo Aníbal Rouxinol Segundo, que deverá permanecer no Alvinegro.

Em meio a um caos financeiro, o Botafogo prevê um 2015 delicado, mas projeta que após uma temporada, a situação possa melhorar. “Nossa dívida está em torno de R$ 750 milhões. Parte está equacionada no Refis. Já as 340 ações trabalhistas, serão resolvidas com o ao trabalhista. Se resolver isso, o clube vai no caminho certo. O ano de 2015 será muito difícil, mas estaremos de volta em 2016”, concluiu o novo presidente.

Fonte: UOL