A notícia triste se espalhou rapidamente. Com elas as homenagens e mensagens de lamento e solidariedade pela morte de Nilton Santos. Jogadores, ex-atletas, ex-companheiros de clube, todos de luto pela despedida do ídolo do Botafogo e da seleção brasileira, que faleceu nesta quarta-feira aos 88 anos, após infecção pulmonar e longa luta contra o mal de Alzheimer. O ex-jogador estava internado desde sábado à noite na Fundação Bela Lopes, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, com complicações respiratórias. 

Nilton Santos será velado no Salão Nobre de General Severiano, na Zona Sul do Rio, com início previsto para as 20h. A sede está com a bandeira alvinegra a meio mastro e também exibe outra bandeira, com o rosto do ídolo, que é levada constantemente pela torcida para os jogos. A CBF decretou luto no futebol brasileiro e ordenou o cumprimento de um minuto de silêncio em jogos organizados pela entidade.

General Severiano Nilton Santos Botafogo (Foto: Vicente Seda)
Bandeira de Nilton Santos é exposta na sede de General Severiano (Foto: Vicente Seda)

 

Amarildo, companheiro de Nilton Santos no Botafogo entre 1958 e 1963, e com quem também dividiu a alegria do título mundial pela Seleção em 1962, estava inconsolável. O ‘Possesso’, como ficou conhecido, destacou não só a importância de Nilton para o futebol, como também a personalidade do ex-jogador.

General Severiano Nilton Santos Botafogo (Foto: Vicente Seda)]
Bandeira alvinegra a meio mastro em General Severiano (Foto: Vicente Seda)

– A perda do Nilton Santos é algo difícil de explicar. É uma perda enorme para o futebol mundial. Eu perdi um ponto de referência da minha carreira. Perdi um companheiro de cinco anos no Botafogo e na Seleção Brasileira. Ele é um modelo para todo jogador e todo esportista. Nunca vi um jogador como ele, com toda aquela classe e categoria. Não foi à toa que ele era chamado de ‘Enciclopédia’ e foi eleito o maior da sua posição. Essa notícia da morte dele me deixou muito amargurado. Ele era uma pessoa que eu só tinha o que agradecer, por ter jogado com ele e ter sido seu amigo.

O atacante Roberto Miranda, que jogou por quase dez anos no Alvinegro, começava sua carreira no clube quando Nilton Santos já estava em seus últimos anos como profissional. Aproveitou ao máximo a convivência com o craque e agora admite o vazio com a despedida.

– O Nilton Santos me ensinou muito, ele sempre me dava conselhos. Em 1962, eu ainda era juvenil, mas participei de alguns jogos da conquista do estadual daquele ano. Fui campeão ao lado dele. Ele era um cara único, jogava com muita classe e era muito respeitado por todos. Quando fui para as Olimpíadas de Tóquio, em 1964, ele me deu muitos conselhos, me orientou muito. No último jogo dele como profissional, eu tive a honra de marcar o gol da vitória (1 a 0 sobre o Flamengo). Com a morte dele vai ficar um grande vazio. Ele realmente foi a enciclopédia do futebol.

Mesmo quem não teve a possibilidade de dividir os gramados com a Enciclopédia se manifestou após o anúncio da morte. Tostão, que começou sua carreira em 1963, no Cruzeiro, um ano antes da aposentadoria de Nilton, não teve a chance de dividir com ele um lugar na seleção brasileira. Ainda assim, destacou a herança deixada pelo ídolo para as gerações futuras.

Nilton Santos nos sites (Foto: Reprodução)
Morte de Nilton Santos ganhou destaque na imprensa internacional (Foto: Reprodução)

– Foi o maior jogador de defesa brasileiro que eu vi jogar. Era um jogador extraordinário, era defensor, mas tinha talento, criatividade, habilidade. Isso em uma época em que os defensores não avançam. Então, ele abriu o caminho para os laterais modernos que vieram depois: Carlos Alberto, Júnior, Roberto Carlos… Estes grandes laterais todos se inspiraram no Nilton Santos.

A morte de Nilton Santos ganhou também repercussão internacional. Presidente da Fifa, Joseph Blatter se manifestou pela sua conta no Twitter:

– O futebol perdeu hoje uma lenda, Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol. Nilton Santos ganhou duas Copas do Mundo e reinventou a posição de lateral. 

Os principais jornais da Europa também noticiaram a morte do ex-jogador. O ‘AS’ estampou no título: “Morre Nilton Santos, o maior lateral-esquerdo da História”. O Gazetta dello Sport destacou os dois títulos mundiais conquistados pela Seleção com Pelé, assim como o “Mundo Deportivo”. Em todos os textos, no entanto, chamou a atenção o fato de só terem sido citadas as participações de Nilton Santos nas Copas de 1950, 1958 e 1962, esquecendo sua presença no mundial de 1954.

Fonte: Globoesporte.com