Com dois meses de salários atrasados, a diretoria do Botafogo tentará emplacar mais uma operação de empréstimo para antecipar receitas. O tema será votado em reunião do Conselho Deliberativo do clube na próxima terça-feira (a informação foi dada primeiro aqui no FOGÃONET, no Boletim do C.E.).

Na convocação não há uma descrição específica a respeito de qual contrato será usado para antecipar receitas, mas o Botafogo tem o acordo com a TV como única origem de receita robusta o suficiente para viabilizar antecipação.

Em julho, o clube recorreu a esse mesmo expediente de antecipar valores referentes a anos futuros. A reunião que selou o assunto, inclusive, teve invasão de torcedores. Segundo o presidente Nelson Mufarrej, a verba foi usada para quitar parcelas do Profut que estavam em atraso para obter a Certidão Negativa de Débitos que viabilizou o recebimento da verba de patrocínio da Caixa (R$ 10 milhões).

A nova movimentação por antecipação de receitas gera desconfiança por parte da oposição.

– É triste ver que um grupo político que tanto bateu nas antecipações recorre às mesmas práticas para tocar o clube. Falta coerência. Mas às vezes é a única saída. Não quero ter uma posição incendiária. Há uns três meses, foi feita a primeira antecipação desse mandato. Na ocasião, eu me abstive. Por quê? Porque negar naquele momento seria fatal. Não tinha como. Mas falei naquele momento que, se o clube não começasse a construir meios para combater essa prática, daqui a pouco iria antecipar de novo. E é o que acontece – afirmou Marcelo Guimarães, candidato derrotado na última eleição presidencial do Botafogo.

O fato de haver poucos esclarecimentos no edital de convocação também é um ponto atacado pelos opositores da gestão Mufarrej.

– Isso cria para nós uma arapuca. Vamos votar sobre o empréstimo que não sabemos qual é, qual o valor, em qual contrato. É um rolo compressor. Eles têm sempre maioria, apresentam na hora e aprovam. Qual a capacidade que se tem de refletir sobre a antecipação? – completou Guimarães.

Como há dois meses de salários atrasados no Botafogo, o clube poderá ficar sujeito a pedidos judiciais de rescisão unilateral do contrato por parte dos jogadores.

Fonte: Panorama Esportivo - O Globo Online