“Pior do que eu imaginava”. Com esta frase, o novo presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, resumiu a preocupante situação financeira do clube. Com um dívida total de R$ 750 milhões, o Alvinegro precisaria juntar o dinheiro equivalente a toda a sua arrecadação de cinco anos para pagar o valor que está em débito.

Na conta hipotética, o Botafogo não poderia gastar nenhum centavo nesse período para zerar as dívidas, levando em consideração a receita bruta de 2013 no balanço divulgado pelo clube. Ano passado, o clube arrecadou R$ 154,4 milhões, montante que atingiria os R$ 750 milhões se for multiplicado por cinco. No orçamento feito pelo clube no início de 2014, a previsão é de que a arrecadação deste ano também seja nesta faixa de R$ 150 milhões.

No cenário real, no entanto, o problema para o pagamento deste valor é um problema muito mais complicado, já que as despesas alvinegras também são altas. Em 2013, por exemplo, foram R$ 234,7 milhões de despesas, o que fez o clube fechar o ano com um déficit de R$ 80,3 milhões.

Uma semana depois de vencer a eleição, Carlos Eduardo Pereira agora quebra a cabeça para tentar solucionar essa equação. A estratégia é negociar para que tudo seja pago parceladamente em um longo tempo, dando assim fôlego para que, paralelamente a isso, seja possível fazer investimentos no futebol.

A principal missão da nova diretoria é fazer o Botafogo entrar novamente no Ato Trabalhista e resolver questões com a Procuradoria Nacional da Fazenda, para fazer com que o clube tenha receitas desbloqueadas. Atualmente, por falta de pagamento de acordos de dívidas fiscais e trabalhistas, o Alvinegro está impossibilitado de receber rendas.

“(A situação) É pior do que eu imaginava, com certeza. Porque a gente acreditava que tivesse mais alternativas, principalmente na área trabalhista. Infelizmente não, vamos começar o Ato Trabalhista praticamente do zero. Será um caminho longo pra trilharmos. Será complicado, é importante que o sócio tenha isso em mente. Vamos trabalhar prioritariamente para resolver. Temos a expectativa da votação do Proforte que seria uma válvula de escape não só para o Botafogo, mas para todos os clubes”, afirmou, nesta segunda-feira, o presidente Carlos Eduardo Pereira.

“A dívida é estimada em R$ 750 milhões. Para essa questão de Refis, pela estimativa inicial devemos ter R$ 15 milhões bloqueados para fazer frente a um pagamento de R$ 6 milhões ou R$ 7 milhões. É bem suficiente o que tem lá para começar 2016 em outro patamar”, acrescentou.

Fonte: ESPN.com.br