(Que história!) Jefferson revela furtos na adolescência: ‘Todos merecem 2ª chance’

Compartilhe:

Pouco antes de ceder seu goleiro à seleção brasileira para a Copa América, o Botafogo organizou uma excursão ao Degase (Departamento Geral de Ações Sócio Educativas), instituição que interna menores infratores no Rio de Janeiro. E o time levou o que tinha de melhor. Ídolo, competente, número um do Brasil no que faz e uma carreira altamente bem sucedida. Se não bastasse apenas o que todo mundo sabe para Jefferson ser referência aos adolescentes, uma declaração do goleiro, dada com exclusividade à reportagem da ESPN, mostra que ele pode ser um exemplo ainda maior.

“Eu tinha um amigo, o nome dele é Cristian, é praticamente meu irmão, graças a Deus ele se converteu hoje também. Mas antes a gente começou a andar em caminhos errados. Questão de furtar supermercados, entrar na casa dos outros e tudo mais. Um dia, na época ele já usava drogas, ele me mostrou a cocaína, coisa que eu nem conhecia. Ele foi me mostrar a cocaína e eu naquele dia tive um baque. ‘Ele é praticamente meu irmão, mas vou ter que seguir meu caminho’, pensei. Aí que tomei as decisões certas na minha vida”, confessou Jefferson.

O goleiro do Botafogo e titular de Dunga na seleção brasileira teve uma infância humilde como a maioria dos adolescentes que conheceu, a dele em Assis, interior de São Paulo. Cresceu e teve no futebol a grande chance da vida. Aproveitou. Por ter vivido os dois lados da moeda, opina com propriedade sobre as chances que os menores infratores podem ter.

“Todos merecem uma segunda chance. A gente tem que ir na raiz do problema, né!? Hoje, infelizmente, você vê criança de 12 anos já cometendo alguns crimes, furtos. Vai muito da sociedade, da família”, afirmou o goleiro alvinegro.

Além de Jefferson, a visita ao Degase, organizada pelo Departamento de Marketing do Botafogo, teve Renê Simões, treinador do time, e Gilberto, lateral direito. Juntos, fizeram uma pequena palestra para os internos, distribuíram camisas e brindes do clube e, por fim, organizaram uma pelada com alguns menores. Renê como Juiz. Jefferson e Gilberto como treinadores. Todo mundo saiu ganhando. Ainda mais em um momento importante onde a discussão sobre a redução ou não da maioridade penal está em pauta em Brasília.

“Eu acho que essa visita tem tudo a ver e é pertinente nesse momento em que a gente tem aquele assassinato trágico de um menor matando um médico que fazia um trabalho voluntário sensacional. Acho muito legal nós, a sociedade, virmos até eles e dizer ‘nós queremos adotá-los, não queremos matá-los, mas é preciso que vocês tenham responsabilidade’. É papel da sociedade toda, um movimento muito amplo. É a confraria do bem fazendo barulho. Nenhum deles nasceu com esse rótulo que vai ser do mal, não nascem com um gene do mal, a sociedade que os vai empurrando, como tentou me empurrar”, opinou Renê Simões, que contou aos adolescentes sobre sua infância pobre em Cavalcante, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro.



Fonte: ESPN.com.br
Comentários