‘Seedorf’ na Ásia, Fellype Gabriel ainda tem fé no Botafogo

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A tranquiliade de ser o principal jogador do Sharjah, dos Emirados Árabes Unidos, não faz com que Fellype Gabriel se esqueça do Botafogo. No coração do meia, que deixou o clube no meio do ano rumo ao Sharjah, ainda brilha a estrela solitária. De longe, ele manda apoio aos ex-companheiros, especialmente no dia em que o Alvinegro tem um clássico de suma importância, contra o Fluminense.

– Tenho acompanhado os jogos sim. Coloquei um canal que passa alguns jogos do Campeonato Brasileiro e acompanho os noticiários pela internet. Ainda estou na torcida – diz ele, em entrevista ao LANCE!Net, ressaltando ainda acreditar no título e cobrando um certo presentinho:

– Quando fui embora, disse que iria ficar na torcida e que queria minha medalha se o Botafogo fosse campeão.

No Oriente Médio, Fellype precisou se adaptar a um novo estilo de vida dentro e fora de campo. Tendo a confiança do técnico brasileiro Paulo Bonamigo, ele tem tirado proveito da convivência com Seedorf no Botafogo para colocar em prática a liderança que o holandês exerce no lado de cá do oceano.

– O começo foi um pouco complicado por causa da língua e do calor, hoje estou mais adaptado a tudo isso. Dizemos que aqui hoje eu faço a função que o Seedorf faz no Botafogo – explica o meia.

Nesta entrevista ao L!Net, Fellype Gabriel falou mais sobre a vida nas Arábias e como tem visto o desempenho botafoguense. Veja abaixo a entrevista completa.

IS: Tem conseguido ver os jogos do Botafogo? O que acha do time, mesmo com as mudanças?
FG: Acho que estão fazendo uma boa campanha, principalmente pelas perdas que o time teve ao longo do ano. Isso é fruto do trabalho do Oswaldo, junto com a comissão técnica e aos jogadores, que são muito unidos.

IS: E o título brasileiro? Ainda dá?
FG: Estou na torcida por isso. Quando fui embora falei que iria ficar na torcida e que queria minha medalha se o Botafogo fosse campeão (risadas), pois tive o prazer de fazer parte desse grupo do Botafogo.

IS: Oswaldo disse que a campanha do Botafogo não é milagre. Você também considera o mesmo?
FG: Também não acho milagre, pois conheço bem o profissional e a capacidade que o Oswaldo tem, além disso os jogadores são muito unidos e sabem que precisariam superar o momento que o clube vive fora de campo. Tenho muito orgulho de ter feito parte desse grupo, falo isso para todos os meus amigos.

IS: Você pediu algum conselho ao Oswaldo sobre o Sharjah, já que o seu ex-treinador trabalhou aí na década de 80?
FG: Ele me falou que a cidade era boa, que já havia trabalhado aqui e que eu iria gostar muito da vida por aqui. Hoje está tudo diferente do que era quando ele trabalhou no clube, o futebol vai evoluindo e o país também.

IS: Houve alguma mudança tática no seu posicionamento com relação aos tempos de Botafogo?
FG: Houve sim. O Paulo Bonamigo me pediu para ficar mais próximo ao gol, pois temos jogadores muito rápidos pelos lados do campo exatamente na função que eu fazia no Botafogo. Dizemos que aqui hoje eu faço a função que o Seedorf faz no Botafogo. Hoje tenho oito jogos pelo clube, fiz sete gols, sendo que em cinco amistosos fiz quatro gols e em três jogos oficiais fiz três gols. Mas o mais importante é ver o crescimento da equipe.

IS: Como é para um brasileiro ser capitão em um time cheio de árabes? Dá para falar alguma coisa, instruir?
FG: Não pensava em ser capitão. Meu relacionamento com todos aqui é muito legal e de muito respeito. A gente vai aprendendo, perguntando como se fala… Logo estarei bem no Inglês e até falando alguma coisa em árabe, pois se aprendi um pouquinho do japonês que não é fácil…(risos).

IS: Você passou pelo Japão e agora está nos Emirados. Uma diversidade e tanto de culturas. O que você tira de bom de cada uma delas?
FG: Quando você está fora do seu país, você acaba dando valor a um monte de coisas que quando está aí vc acaba não dando. As culturas por onde passei são bem diferentes. A que parece mais com o Brasil é Portugal, mas Japão e Emirados são bem diferentes. Tento tirar o melhor de cada cultura e cada país para passar para meus filhos. A qualidade de vida nesses lugares onde passei é muito boa.

IS: Como é sua relação com os donos do clube e dirigentes?
FG: É muito boa. Não é sempre que eu vejo o Sheik, mas todas as vezes que estive com ele conversamos bastante e foi muito bom. Ele está muito confiante que podemos fazer um bom trabalho este ano. Com os dirigentes tem sido muito legal. Conversamos diariamente e agora que meu nível de inglês vai melhorar, pois vou começar a fazer aulas da língua. Nosso relacionamento vai ser ainda melhor.

IS: E a participação dos torcedores? Eles vão aos estádios? Te reconhecem na rua?
FG: Estamos resgatando os torcedores. O Sharjah já foi um dos grandes clubes na região e sempre teve torcedor. Como nos últimos anos o clube oscilou muito, o torcedor acabou não indo tanto. Aqui os estádios não costumam ficar lotados, mas o time começou o ano bem e o torcedor começou a comparecer novamente. Falam comigo mais na saída do estádio, principalmente as crianças.

IS: Ainda tem algum sonho para realizar na carreira? Quais os planos para o futuro?
FG: Tenho 27 anos e acho que estou chegando ao auge da minha forma e maturidade. Espero conquistar algum título pelo Sharjah, voltar a colocar o clube entre os três melhores dos Emirados e um dia, quem sabe, voltar a vestir a camisa da Seleção Brasileira. O futebol é muito dinâmico e não dá para você se programar muito, mas penso em voltar ao Brasil, dar continuidade ao que eu vinha fazendo, continuar a conquistar títulos e ser lembrado na Seleção novamente.



Fonte: Lancenet!
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