O Conselho Deliberativo do Botafogo se reuniu na noite desta terça-feira, na sede de General Severiano, e a principal pauta foi o item B da reunião: Informes do Conselho diretor sobre o ‘Projeto Investidores’, que envolve a transformação do futebol do clube em empresa.

Convidado pelo VP de Finanças, Luis Felipe Novis, para participar do processo de captação de investidores, Laércio Paiva foi quem falou do projeto aos botafoguenses presentes. Laércio explicou etapas do processo desde o estudo encomendado pelos irmãos Moreira Sales. Segundo ele, a previsão é entorno do dia 14 de outubro para a conclusão do Business Plan (Plano de negócios), o que seria a primeira parte do projeto. A segunda fase já com a captação de investidores pode entrar em ação em meados de dezembro.

“Esperamos que em 14 de outubro a gente possa concluir. Nesse momento, estamos Pegando o estudo anterior e fazendo toda a análise, todo o detalhamento que precisa ser feito para que se possa criar um objeto de desejo para alguém colocar um centavo dentro do clube”, explicou Laércio.

Durante a reunião, alguns conselheiros pediram a palavra. O clima foi de tranquilidade apesar de a segurança particular ter sido reforçada em virtude da ameaça de manifestação dos torcedores. Um grupo de aproximadamente 40 colaboradores participa do projeto. Com ele pronto, deverá ser convocada uma reunião extraordinária para votação e, sendo aprovado, à adequação do Estatuto do clube. Já existem possíveis investidores interessados, mas não há nomes definidos.

Luis Felipe Novis falou sobre o andamento do projeto.

– É claro que existem acordos de confidencialidade, principalmente com as empresas que estão sendo contratadas ou já foram contratadas e estão trabalhando. Estes acordos têm que ser respeitados. Isso tem um capital intelectual envolvido, inclusive, são coisas estratégicas. O que eu posso dizer é que o objetivo principal agora é gerarmos uma quantidade de informações que efetivamente demonstre ao mercado que o futebol do Botafogo, dentro do mercado esportivo, é algo viável, que fica de pé. Quando eu digo, e as palavras não são minhas, que o problema hoje do Botafogo não é exatamente de gestão, não significa que nós não chegamos a esse ponto sem que o problema tenha sido de gestão. Claro que foi de gestão, mas neste momento não adianta trazermos uma equipe de gestores de primeira linha se não vierem junto os recursos necessários, porque nós temos uma dívida muito grande. Essa dívida dificilmente será paga em tempo razoável com os resultados operacionais do Clube. O clube pode ser superavitário por muito tempo, mas não vai conseguir pagar as dívidas, principalmente as de curto prazo – explicou Novis.

– Então, o que está se buscando aqui, são dados suficientes para irmos ao mercado para poder despertar o interesse de investidores que venham para cá. Estes investidores, na verdade, é que vão montar a SPE ou a estrutura que eles acharem mais adequada. A SPE é uma sugestão que foi dada no estudo. Mas no fundo pode ser outra coisa qualquer. Quem vai definir isso é quem achar que tem um bom negócio na mão e vai efetivamente aportar o capital necessário. É claro que isso tem que ser feito de uma forma que garanta ao clube receber daqui a 30 anos o Botafogo em condições melhores do que está entregando. Ou seja, não somente a dívida paga, mas a performance esportiva do futebol seja boa. Estamos entregando o Clube na Série A, temos que garantir que não vamos receber numa Série C, por exemplo. Mas são detalhes que ainda vão ser discutidos.

– O fato é que nesse momento, o produto do trabalho nesta primeira fase é um business plan, que permita mostrar a investidores nacionais ou estrangeiros, que temos um bom negócio. Se tem interesse em aportar o dinheiro e implementar um modelo de gestão, a contrapartida é o pagamento da nossa dívida. É simplesmente isso.

Business plan

— Na verdade, a entrega do business plan encerra uma primeira etapa. A segunda etapa virá com uma rodada já de captação de investidores. O ideal é que ocorresse até o final do ano, ou seja, do início de outubro até o final do ano, para que a gente já pudesse em 2020 já ter essa coisa mais formatada, mais consolidada. Essa é a expectativa.

Possibilidade de aporte em 2019

— Tem essa possibilidade sim. Não é certo. Isso seria interessante porque, na verdade, resolveria dois problemas: o futuro, mas resolveria já o problema presente, que é fechar o ano bem. Esse trabalho pode gerar uma expectativa, um otimismo, que quem vier a aportar já comece a fazer uma ponte para um novo modelo. Isso é possível.

Fonte: Rádio Tupi