Análise: Botafogo e Fluminense usam e abusam das laterais

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O caminho das pedras era pelas laterais. Fosse pelo lado esquerdo ou direito, por mais que uma das faixas do campo tenha sido mais utilizada. O Fluminense, por exemplo, explorou muito as jogadas pela esquerda com Biro Biro, pegando Edílson de surpresa. O Botafogo, por outro lado, viu no improviso de Rafinha na lateral direita uma mina de ouro. Mesmo com a insistência das duas equipes que deu certo no setor, o clássico desta quarta-feira, no Maracanã, não saiu do 1 a 1 pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro.

No lado tricolor, a jogada se repetia a cada vez que Diego Cavalieri tinha a posse da bola: o goleiro mandava lançamentos longos sempre inclinados a parar na direção de Wagner, muitas vezes na esquerda. O meia encontrava uma saída de acionar Biro Biro, que, por sua vez, tabelava com Rafael Sobis ou Jean. Assim saiu o primeiro gol, logo aos dois minutos, em bom passe do volante.

– O Biro Biro sabe como fazer gol. Ele dá uma canseira no pessoal no treino. Agora estou ensinando os atalhos. Com o corpão que ele tem, não dá para ficar perto do zagueiro, tem que criar espaço com sua habilidade e velocidade. É preciso ficar de lado, para poder dominar e negociar o espaço com o defensor, fugir do pontapé. Ele não pipoca, é abusado. Gostei da maneira que ele enfrentou o Edílson – explicou Vanderlei Luxemburgo.

No tabuleiro de xadrez que se tornou o gramado do Maracanã, Oswaldo de Oliveira também mexeu suas peças. Por mais atordoado que estivesse com o golpe inicial, o Botafogo sabia que poderia encontrar espaços pelo lado direito da defesa tricolor. Sem os laterais de origem Bruno e Igor Julião, Luxa escalou o volante Rafinha improvisado. Por ali, saiu até gol de Rafael Marques, no segundo tempo, bem anulado pelo assistente: Julio Cesar estava em posição irregular antes do cruzamento. O gol que valeu, no entanto, foi em uma bola parada, que terminou em finalização sem querer de Bolívar.

– Temos atuado sempre com os adversários esperando o nosso erro, ocupando os espaços no nosso campo. Mesmo antes do gol o Fluminense tinha essa postura. Isso tem nos dificultado, mas a equipe teve tranquilidade e soube com calma se desenvolver e envolver o adversário, que tem um ataque muito rápido com o Biro Biro. Pelas chances, o resultado foi justo – justificou Oswaldo de Oliveira.

análise Fluminense x Botafogo (Foto: Editoria de Arte)
Avançado e mais centralizado, Jean criou boas oportunidades, principalmente com a liberdade que Biro Biro teve pela esquerda. Já o Botafogo aproveitou os espaços nas costas de Rafinha (Foto: Editoria de Arte)

A dupla de acertos e erros

Apesar da velocidade, da vontade e do gol, Biro Biro ainda pecou. Em dois contra-ataques, errou o passe decisivo, até mesmo perdeu uma chance clara. Não foi por falta de ajuda, pois Jean estava quase sempre ali para tentar encaixar um passe. O volante foi o elemento-surpresa. Felipe mal aparecia no jogo, atuando quase como um meia ao lado de Wagner. O problema é que exatamente os dois (Biro Biro e Jean) que armaram o primeiro gol foram os que mais erraram passes no Flu: cinco para cada.

Pressão que funciona

Os passes errados na frente não eram o único problema. Quando o Botafogo pressionou a saída de bola, a defesa do Flu se atrapalhou. Gum, Leandro Euzébio e Carlinhos, hesitantes em alguns lances, quase sucumbiram à marcação apertada com apenas um minuto de jogo. A bola passou de pé em pé até chegar em Gum, pressionado por Henrique. O zagueiro, por sorte, viu a bola chutada em cima do atacante parar nas mãos de Cavalieri.

Havia ainda o problema com a saída errada. Carlinhos ficou preso na marcação e perdeu para Rafael Marques, que terminou no cruzamento do adversário. O lateral deu ainda um chute esquisito e foi substituído no primeiro tempo após sentir lesão. Aproveitando as bobeiras e o espaço deixado, o Glorioso chegou ao empate.

A falta cobrada por Seedorf alcançou a cabeça de Rafael Marques e tocou na perna de Bolívar antes de morrer no canto de Diego Cavalieri. Os dois estavam livres de marcação no momento das finalizações.

Para mudar a cara do time

No segundo tempo, Oswado tentou amenizar o problema pelo lado direito da sua defesa, e Luxemburgo trocou o apagado Felipe por Rhayner para dar mais velocidade, e o rápido atacante chegou a fazer boa jogada nas costas de Julio Cesar. O problema é que, logo em seguida, o Tricolor perdeu Wagner, com dores, e recuou o time com Diguinho, deixando o poder de marcação maior no meio de campo.

Já o técnico alvinegro resolveu mudar mais ainda. Tirou o atacante Henrique e lançou o lateral Gilberto, que reforçou o setor ao ajudar Edilson na marcação e em jogadas de ataque pela direita. Rafael Marques, então, virou a referência do time.

– O Henrique estava cansado e o Biro Biro era perigoso daquele lado. Já tinha parado o Edílson por isso. Por aquele lado, o Fluminense vinha sendo mais perigoso, e o Gilberto é um jogador de força e precisava de ritmo, pois vai jogar sábado (Edílson levou o terceiro cartão amarelo). Coloquei o Rafael Marques em sua posição de origem e teria feito o gol se não fosse aquele agarrão. A intenção foi fortalecer o lado direito e chegar no ataque como chegamos por ali.

análise Fluminense x Botafogo (Foto: Editoria de Arte)
No segundo tempo, Luxemburgo colocou três volantes na marcação com a saída de Wagner: Jean, Edinho e Diguinho. E Oswaldo de Oliveira lançou Gilberto na direita para ajudar Edílson (Foto: Editoria de Arte)
  • Edinho

    O volante foi o que mais cometeu faltas na partida, com cinco ao todo. Em uma delas, recebeu o terceiro amarelo e está suspenso para o próximo jogo do Flu.

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    Rafael Sobis

    Foi do atacante o maior número de finalizações: seis. Ele foi responsável pela metade dos chutes do Fluminense. Alguns terminaram bloqueados.

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    Seedorf

    Ao lado do lateral-esquerdo Julio Cesar, o meia do Botafogo foi o que mais errou passes na partida: seis. O holandês poderia ter rendido mais.

Análises rápidas

*Felipe foi peça quase nula pelo Fluminense. Pouco apareceu na armação das jogadas, mal era visto em campo. Já Lodeiro bem que tentou no Botafogo, mas faltou mais técnica. Errou finalizações, passes, criou pouco. Se destacou mais pelas cobranças de bola parada.

*A defesa do Botafogo ficou desatenta em alguns lances ao deixar Biro Biro se infiltrar pelo meio e ficar cara a cara com Jefferson. Já os tricolores pareciam assustados quando pressionados.

*Henrique teve a chance de mostrar serviço como atacante mais avançado. O problema é que, quando não foi parado com falta, não conseguiu ser muito efetivo. Foi substituído por Gilberto.



Fonte: Globoesporte.com
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