O ano é 1995. Após vencer o primeiro jogo da final do Campeonato Brasileiro, por 2 a 1, no Maracanã, o Botafogo tinha a vantagem do empate diante do Santos para se sagrar campeão da competição. E conseguiu o objetivo: 1 a 1 no Pacaembu. Um dos principais responsáveis pela igualdade vestia a camisa 1, tinha um inconfundível bigode e assegurou presença no hall dos grandes goleiros da história do clube com uma grande atuação. Seu nome? Wagner. Mas no dia em que completa 45 anos, nesta segunda-feira, os dias de glória nos campos ficam apenas na memória. Atualmente, ex-goleiro quer distância do futebol e principalmente do mundo que o cerca. O Botafogo fica só mesmo na torcida.

Atualmente, a rotina de Wagner consiste em acordar cedo, ver o que de melhor o mar trouxe e administrar o bar especializado em peixes e frutos do mar que leva o seu nome no Mercado de São Pedro, em Niterói. Lá, é uma atração para os clientes que se deliciam com pratos como moqueca e caldeirada. Roda as mesas, conta causos e tira muitas fotos, principalmente com os botafoguenses. Mas sempre que ouve a pergunta sobre os motivos que o afastaram do futebol a resposta é a mesma: decepção.

Sua última investida começou em 2009 – antes disso comandou Boavista e São Cristóvão em 2004 e 2005. Chamado pelo Botafogo para ser preparador de goleiros, Wagner trabalhou com Jefferson, reencontrou amigos e ficou com a impressão de que poderia escrever uma nova história. No entanto, ao cobrar um acordo em relação a uma dívida antiga, entrou em rota de colisão com a diretoria e acabou deixando o clube pela porta dos fundos antes de completar um ano no cargo. Sem citar o nome dos dirigentes que comandavam o futebol na época, André Silva e Anderson Barros, diz que foi taxado de vilão por buscar os seus direitos. Saudades? Nenhuma.

“Sou uma pessoa que desgarra facilmente das coisas. Me decepcionei muito. Fui mandado embora de um dia para o outro. Diziam que eu estava querendo receber na frente dos outros, que eu queria ter vantagem… O Botafogo tinha uma obrigação comigo, não cumpriu e eu comecei a cobrar. Tentei acordo que foi negado. E me mandaram embora como se eu fosse leviano e mau caráter. Isso me deixou muito mal e não tenho mais vontade alguma de voltar”, desabafou Wagner, garantindo porém que isso não afetou o carinho que os botafoguenses sentem por ele.

“Isso é o melhor de tudo. É o que me satisfaz. Mesmo hoje estando em outro ramo a gente ainda vê a gratidão dos torcedores. Tiram fotos, me procuram… Eles querem relembrar histórias com alguém que viveu no meio”.

Reprodução/Facebook

Wagner já recebeu Jefferson em seu bar, em Niterói
Wagner já recebeu Jefferson em seu bar, em Niterói

Mesmo com a mágoa presente, Wagner não deixa de torcer pelo Botafogo. O ex-goleiro lamentou a saída de Seedorf, mas acredita em uma boa campanha do clube na Libertadores. E rasgou elogios ao ex-pupilo Jefferson, que considera o melhor goleiro do futebol brasileiro atualmente.

“O time perdeu muito com a saída do Seedorf, mas tem condições de ir bem. A partida contra o Deportivo Quito será complicada em função da altitude, mas acredito que passando por lá o Botafogo vai embalar. Dizem que um bom time começa por um bom goleiro. O Jefferson para mim é o melhor do Brasil. Deveria, inclusive, ser titular durante a Copa do Mundo. Gosto dos concorrentes, mas ele faz a diferença”, garantiu.

Táxi fica com a ex e bar vira o xodó

De 2010 para cá, além do bar, Wagner chegou a ter uma pequena frota de táxis. Em alguns dias, atuava até como motorista. Mas estes ficaram apenas na lembrança. Durante o divórcio com a ex-mulher, deixou com ela os carros. Hoje seu xodó é mesmo o Bar do Wagner, que administra ao lado da atual esposa Andreia. Está por lá todos os dias acompanhando tudo de perto. A rotina, apesar de diferente, o agrada muito.

“Os momentos são bem distintos. Quando se é jogador, as coisas giram em torno de você. As obrigações são mínimas. Você não paga as contas, não faz cálculos… Sempre tem alguém para isso. Hoje não. Tenho uma série de compromissos. Mas graças a Deus dá para viver tranquilo”, disse.

No Bar do Wagner, o cliente encontra os mais variados frutos do mar. Todos provados e aprovados antes pelo dono. Mas questionado se em algum deles deu palpite ou até mesmo meteu a mão, o ex-jogador ri e garante que só se arrisca em um churrasco.

“Cozinha? Não. Essa não é minha área (risos). Eu provo e aprovo. No máximo dizer se falta isso ou aquilo. Não mais que isso. A equipe lá é boa e os pratos fazem sucesso. Comigo é só uma carninha em casa mesmo”, finalizou.

Reprodução/Facebook

Wagner confraterniza com clientes em seu bar
Wagner confraterniza com clientes em seu bar
Fonte: ESPN.com.br